Qual a origem do couro do seu sapato? O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ações contra 20 fazendas e 13 frigoríficos por desmatarem a floresta Amazônica para a pecuária.

Junho 16, 2009 por relatividade

O Ministério Público Federal do Pará ajuizou uma série de ações contra 20 fazendas e 13 grandes frigoríficos do Pará, por exercerem sua atividade econômica da pecuária as custas do desmatamento ilegal, infringindo um crime ambiental passivo de mais de R$ 2 bilhões em multas. Estima-se que essas empresas desmataram ilegalmente mais de 157 mil hectares de mata, área maior que a cidade de São Paulo. Clicando AQUI você acessa o nome das Fazendas e frigoríficos autuados, entre eles encontra-se a Fazenda Santa Bárbara do banqueiro Daniel Dantas, e clicando AQUI você acessa o nome de seus compradores, entre eles a Avipal Nordeste (Perdigão), Carrefour, Grupo Pão de Açucar, Sadia, Wal Mart.

O procurador Daniel Avelino, responsável pela ação, disse que as fazendas terão de reparar o dano ambiental, e seus compradores nomeados na lista “vão ter que parar de comprar de infratores ambientais. Senão serão responsabilizadas pelos danos que venham a ocorrer. E vão ter que informar no produto a origem dele para que o consumidor possa ter a opção de escolher, se ele quer ou não adquirir aquele produto conveniente de desmatamento na Amazônia.”

No Dicionário Internacional da Outra Economia, verbete *Comércio Justo (*Alfonso Cotera e Humberto Ortiz – pág.60), lê-se: “Comércio justo é o processo de intercâmbio de produção-distribuição-consumo, visando a um desenvolvimento solidário e sustentável (…) O comércio justo traduz-se no encontro fundamental entre produtores responsáveis e consumidores éticos.”

Já no verbete **Consumo Solidário (**Euclides Mance – pág.72) é salientado: “O ato de consumo não é apenas econômico, mas também ético e político. A pessoa que consome um produto ou serviço cuja elaboração ou oferecimento impliquem exploração de seres humanos ou dano ao ecossistema é co-responsável por esses efeitos. Seu ato de compra contribui para que os responsáveis por essa opressão  econômica e pela agressão ambiental possam converter as mercadorias produzidas daquela forma em capital a ser reinvestido do mesmo modo, reproduzindo práticas socialmente injustas e ecologicamente danosas. O consumo é, pois, um exercício de poder pelo qual efetivamente se pode tanto apoiar a exploração de seres humanos, a destruição progressiva do planeta, a concentração de riquezas e a exclusão social, quanto se contrapor a esse modo lesivo de produção.”

Cuide bem o que você compra.

Comentário de minha autoria originalmente publicado no Brasil Autogestionário.

“98ª Conferência Internacional do Trabalho está muito aquém das necessidades das trabalhadoras e dos trabalhadores.” Por Analine Specht e Lucio Uberdan.

Junho 16, 2009 por relatividade

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(Imagem: Filme The Corporation)

Começou dia 3 e estende-se até dia 19 de junho a 98ª Conferência Internacional do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho(OIT), em Genebra/Suiça. São esperados até o fim do evento mais de 4.000 participantes, entre esses 4 delegados/as de cada um dos 183 países membros da OIT, o evento conta também com a participação de 10 chefes de estados, vice-presidentes, Ministros do Trabalho, Sindicatos e empresários.

Na última sexta-feira o Ministro do Trabalho Brasileiro, Carlos Lupi palestrou no evento (AQUI), amanhã será a vez do Presidente Lula que deve chegar ainda hoje a Genebra. A 98ª Conferência da OIT vai debater a crise mundial e seus efeitos no mundo do trabalho como ponto central, bem como as relações de gênero nos espaços produtivos, o emprego precário e a AIDS.

No discurso de abertura, Juan Somavia, diretor-geral da OIT, alerta que a crise mundial e os reflexos no mundo do trabalho poderão durar de 6 a 8 anos, lembra que a economia deveria gerar 300 milhões de novos empregos até 2015, mas os dados atuais revelam que o desemprego prossegue e tende a aumentar.

Os recentes estudos da OIT divulgados no caderno “Atualização das Tendências Mundiais de Emprego”, divulga que o mundo já convive com uma taxa de desemprego superior a 7%, (de 210 milhões e 239 milhões de pessoas), de 2007 em diante teve-se um acréscimo de 59 milhões de novos desempregados/as. No item sobre a pobreza global, estima-se que 200 milhões de homens e mulheres passarão a incorporar o índice de pessoas que vivem com menos de US$ 2 dólares por dia, ou seja, menos de R$ 120,00 por mês.

Seriam esses números de um fato natural? ou resultados conscientes de ordem econômica liberal ainda vigente?

Acompanhando as diversas notícias sobre a conferência, em especial na Agência Brasil, percebe-se com facilidade as contradições latentes, ou melhor, a nitidez de foco em ver a saída da crise por um misto de ações que não mudam a ordem liberal em curso, resumindo-se a apresentar como compensação pró-trabalho uma pesada conta aos Estados Nacionais sem que os fundamentos gerados da crise sejam corrigidos.

Omite-se o tema da regulação da liberdade do Capital Financeiro, o necessário debate da correção da alta-concentração de riqueza e a necessária diminuição da jornada de trabalho, bem como nada fala-se do necessário controle público dos serviços estratégicos de primeira necessidade, como a comunicação, a água e a energia pelo Estado.

Passe totalmente omisso lá como aqui, uma compreensão política profunda da necessidade de garantir-se formas de propriedade coletiva e autogestionárias nacionais, em setores estratégicos, com autogestão plena, ou em parcerias de trabalhadores/as e o Estado, como alternativa real e potente frente a crise mundial e a precariedade do trabalho, desconcentrando os meios de produção e aumentando a democracia econômica.

O caráter tripartite de organização da Conferência da OIT exclui um importante e significativo segmento, os movimentos sociais, num momento histórico de crise estrutural que reflete impactos no meio ambiente e na esfera reprodutiva da vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. Neste contexto não se discute o mundo do trabalho como um todo, mas sim apenas o emprego, numa lógica descontextualizada dos anos de Welfare state. Não seria este o momento de ampliar o debate? de tencionar a participação?

A Conferência pelo que se lê, parece resumir-se a estratégias de salvamento das empresas privadas através do aporte de recurso público, em conjunto com “orientações” sobre políticas de melhores ganhos no salário mínimo, aumento das políticas sociais e o reforço do Seguro-desemprego, esses últimos os melhores avanços da 98ª Conferência Internacional do Trabalho.

Em suma ao que parece nada de novo, a ordem mundial que sofreu abalos começa a reequilibrar-se no mundo mantendo a mesma lógica de mercado.

Comentário de minha autoria originalmente publicado no Brasil Autogestionário.

Ministro Miguel Jorge do Desenvolvimento não vê problema da Brasil Foods(BRF) demitir trabalhadores(as).

Junho 16, 2009 por relatividade

Semana passada replicamos a notícia da  fusão entre SADIA e PERDIGÃO (Fusão entre Sadia e Perdigão pode trazer prejuízos), mega empresas do ramo alimentício que criaram a Brasil Foods(BRF). É notório que a SADIA, do ex-Ministro Luiz Furlan, passa por problemas financeiros gigantescos, levando o ex-ministro do desenvolvimento a deixar o governo e reassumir a presidência do conselho administrativo da empresa. A SADIA perdeu mais de R$ 1 bilhão de reais no mercado financeiro.

A recente fusão, que vem para “salvar” a SADIA e seguir uma velha tendência no Capitalismo, a formação de monopólios e oligopólios, foi muito festejada na semana passada, por toda a mídia nacional, inclusive dando como certa a participação do BNDES e dos recursos públicos.

Ainda que não tenhamos nos surpreendido, visto que essa tendência já tem mais de 200 anos, fizemos o registro da notícia já no tom da crítica, ainda assim parecia que esse assunto não traria muita novidade, nem tampouco descontentamento(além do normal), porém mordemos a língua.

No final da semana comentando o caso, o Ministro Miguel Jorge do Desenvolvimento Indústria e Comércio(sucessor de Furlan) diz que não acredita que a fusão tenha problemas para passar no CADE, visto que a nova Brasil Foods que nasce vai melhorar as exportações do país, bem como, que acha difícil ela não gerar demissões de postos de trabalho, arrematando: “É preciso ficar claro o seguinte: não é proibido demitir. O que é proibido é demitir sem pagar os direitos dos trabalhadores”.

Então essa é a leitura do Ministro Miguel Jorge, desenvolvimento é a melhoria de condições para o capital se fundir e propagar, ainda que desempregando?

Ficamos agora no aguardo, se nesse momento de crise, com essa visão do Ministro, o BNDES, um banco público, ainda vai colocar capital em uma empresa que desemprega.

Comentário de minha autoria originalmente publicado no Brasil Autogestionário.

Imperdível – I’m Not There – Original Soundtrack (2007) [2 CD's].

Maio 8, 2009 por relatividade

http://www.adorocinema.com/filmes/im-not-there/im-not-there-poster08.jpg

“I`m Nt There” (Não Estou Lá), é um filme dedicado a Bob Dylan de 2007 “(Christian Bale / Cate Blanchett / Heath Ledger / Marcus Carl Franklin / Richard Gere / Ben Whishaw), ícone musical, poeta e porta-voz de uma geração. Sempre viveu em constante mutação ao longo da vida, especialmente durante os anos 60. Musicalmente, fisicamente, psicologicamente, as alterações do seu personagem público dialogaram com acontecimentos sociais e ocasionaram múltiplas repercussões culturais. De jovem menestrel a profeta folk, de poeta moderno a roqueiro, de ícone da contracultura a cristão renascido, de caubói solitário a popstar”.

Abaixo apresento a trilha sonora, em breve dou os caminhos para o Filme, que é muito bom.

Acesse a seguir os links para os Cds no Rapidshare:

CD1 “I`m Nt There” (Não Estou Lá)
1. “All Along the Watchtower,” – Eddie Vedder and the Million Dollar Bashers
2. “I’m Not There,” Sonic Youth
3. “Goin’ To Acapulco,” Jim James and Calexico
4. “Tombstone Blues,” Richie Havens
5. “Ballad of a Thin Man,” Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers
6. “Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again,” Cat Power
7. “Pressing On,” John Doe
8. “Fourth Time Around,” Yo La Tengo
9. “Dark Eyes,” Iron & Wine and Calexico
10. “Highway 61 Revisited,” Karen O and the Million Dollar Bashers
11. “One More Cup of Coffee,” Roger McGuinn and Calexico
12. “The Lonesome Death of Hattie Carroll,” Mason Jennings
13. “Billy,” Los Lobos
14. “Simple Twist of Fate,” Jeff Tweedy
15. “The Man in the Long Black Coat,” Mark Lanegan
16. “Se?or (Tales of Yankee Power),” Willie Nelson and Calexico

CD2″I`m Nt There” (Não Estou Lá)
1. “As I Went Out One Morning,” Mira Billotte
2. “Can’t Leave Her Behind,” Stephen Malkmus and Lee Ranaldo
3. “Ring Them Bells,” Sufjan Stevens
4. “Just Like a Woman,” Charlotte Gainsbourg and Calexico
5. “Mama You’ve Been on My Mind” / “A Fraction of Last Thoughts on Woody Guthrie,” Jack Johnson
6. “I Wanna Be Your Lover,” Yo La Tengo
7. “You Ain’t Goin’ Nowhere,” Glen Hansard and Marketa Irglova
8. “Can You Please Crawl Out Your Window?,” The Hold Steady
9. “Just Like Tom Thumb’s Blues,” Ramblin’ Jack Elliot
10. “Wicked Messenger,” The Black Keys
11. “Cold Irons Bound,” Tom Verlaine and the Million Dollar Bashers
12. “The Times They Are a-Changin’,” Mason Jennings
13. “Maggie’s Farm,” Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers
14. “When the Ship Comes In,” Marcus Carl Franklin
15. “Moonshiner,” Bob Forrest
16. “I Dreamed I Saw St. Augustine,” John Doe
17. “Knockin’ on Heaven’s Door,” Antony & the Johnsons
18. “I’m Not There,” Bob Dylan

Que mundo existe afinal?

Maio 3, 2009 por relatividade

mundoreal

Arrozeiro grileiro de Roraima diz à PF: “Não querem também levar minha mulher e filhos?”.

Maio 2, 2009 por relatividade

Foto: Roosewelt/AgBr.

A demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, segue  revelando a compreensão de mundo racista que setores extremamente atrasados tem, aqui em questão, o agronegócio alojado por grilagem em Roraima.

A dois dias atrás venceu o prazo para os não-índios desocuparem a reserva, entre tantos acontecimentos que circundam o tema, me chama atenção duas colocações publicizadas na mídia nacional, uma do líder dos arrozeiros, o gaúcho Paulo César Quartiero(Foto-desolação ao lado), ex-prefeito de Pacaraima (RR), filiado ao DEM(ex-PFL): “O que ficar nós vamos derrubar ou colocar fogo para colaborar com a cultura indígena. Índio não gosta de viver em palhoça?”. A segunda pérola-desespero é de Regina Barilli, dona da fábrica do Arroz Tio Ivo: “Não vou derrubar. Não tenho coragem de destruir algo que construímos com o nosso suor(suor de quem cara-pálida???). Mas ainda acredito na justiça divina, que possa haver um revertério nessa questão”.

Ambos arrozeiros foram enquadrados como “grileiros” pela justiça brasileira, não tinham nenhum documento de posse das terras, e suas plantações descumpriam inúmeras leis ambientais, causaram desmatamento e  a poluição de inúmeros rios da região. Só Quartiero tinha quase 10.000 hectares de terras ganhas com “grito” e pistola.

Diz a Wikipédia: ”Grileiro” é um termo que designa quem falsifica documentos para tornar-se dono por direito de terras devolutas ou de terceiros, por meio de documentos falsificados. O termo provém da técnica usada para o efeito, que consiste em colocar escrituras falsas dentro uma caixa com grilos, de modo a deixar os documentos amarelados e roídos, dando-lhes uma aparência antiga e, por consequência, mais verossímil.

Mas voltando as citações de ambos, nenhum reconhece a ilegalidade de seus atos, como nunca terem pago legalmente pela terra que dizem serem suas. Como perderam em todas as instâncias da justiça, Regina Ballini agora passa a acreditar na existência de uma justiça divina, e pior, que essa estaria ao seu lado, o que me faz dar uma dose a mais de realidade para essa senhora, pois não existe justiça divina, e se existisse ela já estaria se expressando com a condenação da grilagem, e no despejo destes da Reserva Raposa Serra do Sol. Devolver aos indígenas uma parte desse vaso país, não é mais que um simples aceno da necessária recomposição de uma injustiça que já data mais de 500 anos.

De parte do “empresário” Quartiero, grileiro de marca maior (literalmente maior – quase 10 mil hectares), temos tido as pérolas que correm nas veias desse setor. Um sujeito vingativo, racista e debochado, que assumidamente coloca-se a parte da lei. Após pago o resgate pelo governo, pois é isso que parece, Quartiero foi indenizado por algo que nem é seu, esse contrata retroescavadeiras para derrubarem tudo da sua não-fazenda, alegando que “ vamos derrubar ou colocar fogo para colaborar com a cultura indígena”, argumento racista e desesperado, seguido da encenação de uma pseudo-resistência simplória e vergonhosa, que nos brinda com frases do tipo: “Vocês estão levando tudo de mim, minha fazenda, meu arroz e agora querem minhas máquinas?… Não querem também levar minha mulher e filhos?”

Se existe alguém sério no setor do Agronegócio, deve bater palmas a justiça e ao governo, e em seguida deve extirpar exemplos cancerosos como deste agro-grileiros.