Pessoal

Leituras do momento: Slavoj Zizek e Philip Roth

Comecei a ler no últimos dias com mais afinco o último livro do Slavoj Zizek, “Vivendo no fim dos tempos”, paralelo a ele, para aliviar, acompanha o “O Teatro de Sabbath” do Philip Roth, abaixo uma apresentação de ambos.

Conforme a leitura se desenvolver eu vou comentando.

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“O Teatro de Sabbath” de Philip Roth – leia mais em as Leituras do Giba: http://goo.gl/NvqSC

Teatro de Sabbath é uma criação cómica de proporções épicas, e Mickey Sabbath o seu herói gargantuesco. Antes um escandaloso e inventivo saltimbanco, Sabbath, aos 64 anos, continua audazmente antagónico e excessivamente libidinoso. Mas depois da morte da sua amante de longa data – um erótico espírito livre, cuja audácia adúltera excede até a sua – Sabbath embarca numa turbulenta viagem ao passado.
Desolado e só, cercado pelos fantasmas daqueles que mais o amaram e odiaram, encena uma série de absurdas catástrofes que o levam aos limiares da loucura e da extinção.

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“Vivendo no fim dos tempos” de Slavoj Zizek na Carta Maior http://goo.gl/qlaai 

Não deveria haver mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final. Slavoj Zizek identifica neste livro os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais. E pergunta: se o fim do capitalismo parece para muitos o fim do mundo, como é possível para a sociedade ocidental enfrentar o fim dos tempos?

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Cibercultura

Cibercultura: Você humano é um aplicativo?

Comecei hoje a ler o livro “Gadget – Você não é um aplicativo” do Jaron Lanier, cientista da velha guarda do Vale do Silício, um dos responsáveis por cunhar o termo “Inteligência artificial”. Segundo a revista Time (2010), esse rastafari de 51 anos, apelidado de “o marginal do vale do silício”, é uma das 100 personalidades mais influentes no mundo.

O Livro tem 248 páginas e uma linguagem acessível que flui rapidamente, com pouquíssimas citações e nehuma bibliografia, “Gadget” é um livro relato, filosófico e pessimista sobre a atualidade e futuro da cibertecnologia em relação a nossa cultura, em especial no design de softwares e na apropriação corporativa do uso da internet.

Jaron Lanier

Os pessimistas da Cibercultura sempre me pareceram interessantes. Comecei minha leituras no tema por eles, Baudrillard e Virilio estão entre meus preferidos, tenho certeza que aprendi muito com eles, nadar contra a corrente nos faz pensar o que seria “impensável”, procurar atrito nas idéias é essencial, como afirma Wittgenstein (citei aqui no blog em 2006):

“Chegamos ao gelo escorregadio em que não há atrito e onde, portanto, em certo sentido, as condições são ideais, mas onde também, justamente por isso, não conseguimos andar. Queremos andar, portanto precisamos de atrito. De volta a terra firme!”  Wittgenstein – Investigações filosóficas, 107.

Ainda que fã da “turma do contra”, não me entendo como pessismista com relação a internet, me colocaria como um realista que acredita na necessidade de ver a internet levando em conta sua complexidade, não apenas seu impacto na comunicação, relevante sem dúvida, mas infinitamente pequeno perto da influência em setores como o financeiro.

Sigamos a leitura impressa então, deixo abaixo o prefácio do livro,  já bem provocativo.

Estamos no início do século XXI, o que significa que estas palavras serão lidas em grande parte por “não pessoas” –  autômatos ou multidões entorpecidas compostas de pessoas que deixaram de agir como indivíduos. As palavras serão moídas até se transformarem em palavras-chave atomizadas para ferramentas de busca dentro de instalações industriais de nuvens computacionais em locais muitas vezes secretos e remotos ao redor do mundo. Elas serão copiadas milhões de vezes por algoritmos elaborados para enviar um anúncio em algum lugar a alguma pessoa que possa ter algum interesse em algum fragmento do que eu digo. Elas serão escaneadas, reprocessadas e deturpadas por multidões de leitores rápidos e pouco atentos em wikis e agregadas automaticamente em streams de mensagens de texto sem fio.

As reações se degenerarão repetidamente em cadeias descuidadas de insultos anônimos e controvérsias inarticuladas. Algoritmos encontrarão correlações entre aqueles que leem minhas palavras e as compras que fazem, suas aventuras românticas, suas dívidas e, em breve, seus genes. No final, estas palavras contribuirão para o destino daqueles poucos que conseguiram se posicionar como senhores das nuvens computacionais.

A ampla disseminação do destino destas palavras ocorrerá quase inteiramente no mundo sem vida das informações puras. Olhos humanos lerão estas palavras apenas em uma minúscula minoria dos casos.

No entanto, é você, a pessoa, a raridade entre meus leitores, que espero atingir.
As palavras deste livro foram escritas para pessoas, não computadores.
Minha mensagem é: você precisa ser alguém antes de poder se revelar.

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Livros

Livro: “Revolução tecnológica, internet e socialismo” Fundação Perseu Abramo

Em 2000 o Partido dos Trabalhadores (PT) já debatia o amplo tema da internet e a revolução tecnológica  que estava (e segue) em curso, o livro: “Revolução tecnológica, internet e socialismo” é organizado por Chico Oliveira  e resulta das palestras de Laymert Garcia dos Santos, Maria Rita Kehl, Bernardo Kucinski, Walter Pinheiro e a interação do público que se fez presente nas atividades. O ano é 2000, muitas redes sociais digitais que conhecemos hoje nem existiam, ainda assim a atualidade e importância desse pequeno livreto ainda está atual. Boa leitura (Lucio Uberdan)

Livro: “Revolução tecnológica, internet e socialismo” – Em nome da Comissão Organizadora, Francisco de Oliveira.

O segundo ciclo do seminário Socialismo e Democracia – reproduzido na coleção Socialismo em Discussão –, que o Instituto Cidadania, a Fundação Perseu Abramo e a Secretaria de Formação Política do Partido dos Trabalhadores realizaram no primeiro semestre de 2001, dedicou-se, dessa vez, ao exame de questões concretas que estão sendo postas para o movimento das esquerdas no Brasil com urgência, particularmente a partir das expressivas vitórias nas eleições municipais de outubro de 2000. O Partido dos Trabalhadores, para não usurparmos a fala das outras formações da esquerda brasileira, foi chamado a dar soluções concretas aos já dramáticos problemas das cidades, herança de um longo ciclo histórico, agravados pelas políticas ou antipolíticas neoliberais dos últimos dez anos.

Entendeu-se que a votação cidadã optou pelo PT não apenas pela urgência da conjuntura, mas como uma orientação de outra perspectiva de desenvolvimento econômico, social, político e cultural, caucionada pela trajetória do partido desde sua criação e pela exemplaridade das administrações petistas ali onde a cidadania lhe tem entregue a gestão do Estado, em municípios e estados.

A abordagem das questões concretas juntou as urgências de curto prazo com a perspectiva histórica mais ampla do futuro. Por isso osvários temas foram trabalhados, sempre, perguntando-se quais são suas interações com o socialismo. De modo que as gestões da esquerda não devem ser apenas o breve ciclo de uma administração, mas precisam também realizar concretamente, na vida cotidiana das cidades, das cidadãs e dos cidadãos, uma mudança cujo nome histórico é socialismo. Não para um dia qualquer posterior à revolução, mas diuturnamente. Desse modo, a perspectiva histórica do socialismo ajuda, orienta e valoriza medidas simples, ao alcance da cidadania, sem a grandiloqüência dos grandes eventos, mas preparando-a para seu autogoverno.

Foram abordados o recado das urnas de 2000, a rica experiência, que a vários títulos representa uma enorme inovação política, do orçamento participativo, o planejamento urbano, a reforma agrária e o movimento dos trabalhadores sem-terra, as formas contemporâneas da luta social, a decisiva revolução molecular-digital e a virada da informação, e, por último, as complexas relações econômicas internacionais na era da chamada globalização. O exame travejou, sempre, a experiência das lutas com a reflexão que procurava projetá-las e entendê-las no quadro da transformação urgente e radical. Destacados militantes do Partido dos Trabalhadores, desde seu presidente de honra, novos dirigentes municipais, calejados quadros políticos, governadores e prefeitos, especialistas, reputados professores universitários, apoiados, discutidos e contestados por um público sempre numeroso e participante, dedicaram o tempo necessário para arejar o pensamento, desafiando o entendimento da nova complexidade. Assim, o PT busca juntar ação e reflexão, não apenas para preparar quadros, mas para assumir o mandato da transformaçãocomo disse uma já clássica canção petista – “sem medo de ser feliz”.

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