Capitalismo

A criativa Foxconn, produtora do Iphone da Apple, admitiu ontem usar crianças em suas fábricas

A Foxconn admitiu ontem que emprega estagiários com 14 anos em sua linha de montagem. A empresa, uma das gigantes de tecnologia do mundo, é mundialmente conhecida por fabricar os equipamentos da Apple (iphone e ipads) e pelas péssimas condições de trabalho em suas fábricas, o que levou a altos índices de suicídios entre seus trabalhadores, exemplo claro que a criatividade tem um preço, é “maravilhosa” nos escritórios dos designers e desenvolvedores, péssima no restante da cadeia produtiva, afinal, uma tem que pagar a outra.

A matéria da Associated Press publicada na businessinsider.com

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Cibercultura, Karl Marx, Pós-modernidade

Karl Marx, IPADs e a Sra. Chen

Em recente matéria, a CNN mostra o caso da Sra. Chen, trabalhadora da Foxconn, empresa que monta o IPAD, que nunca tinha visto uma tablet completa. Essa matéria me lembrou um “velho” texto de Karl Marx, aquele que os ciber-pós-modernos dizem estar superado, mesmo sem colocarem nada decente no lugar.

No texto Manuscritos econômicos Filosóficos, 1º manuscrito, Trabalho Alienado, Marx comenta:

 

“…o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe como um ser estranho, como uma força independente do produtor. O produto do trabalho humano é trabalho incorporado em um objeto e convertido em coisa física; esse produto é umaobjetificação do trabalho. A execução do trabalho é simultaneamente sua objetificação. A execução do trabalho aparece na esfera da Economia Política como uma perversão do trabalhador, a objetificação como uma perda e uma servidão ante o objeto, e a apropriação como alienação.

A execução do trabalho aparece tanto como uma perversão que o trabalhador se perverte até o ponto de passar fome. A objetificação aparece tanto como uma perda do objeto que o trabalhador é despojado das coisas mais essenciais não só da vida, mas também do trabalho. O próprio trabalho transforma-se em um objeto que ele só pode adquirir com tremendo esforço e com interrupções imprevisíveis. A apropriação do objeto aparece como alienação a tal ponto que quanto mais objetos o trabalhador produz tanto menos pode possuir e tanto mais fica dominado pelo seu produto, o capital.

Todas essas conseqüências decorrem do fato de o trabalhador ser relacionado com o produto de seu trabalho como com um objeto estranho. Pois está claro que, baseado nesta premissa, quanto mais o trabalhador se desgasta no trabalho tanto mais poderoso se torna o mundo de objetos por ele criado em face dele mesmo, tanto mais pobre se torna a sua vida interior, e tanto menos ele se pertence a si próprio. Quanto mais de si mesmo o homem atribui a Deus, tanto menos lhe resta. O trabalhador põe a sua vida no objeto, e sua vida, então, não mais lhe pertence, porém, ao objeto. Quanto maior for sua atividade, portanto, tanto menos ele possuirá. O que está incorporado ao produto de seu trabalho não mais é dele mesmo. Quanto maior for o produto de seu trabalho, por conseguinte, tanto mais ele minguará. A alienação do trabalhador em seu produto não significa apenas que o trabalho dele se converte em objeto, assumindo uma existência externa, mas ainda que existe independentemente, fora dele mesmo, e a ele estranho, e que com ele se defronta como uma força autônoma. A vida que ele deu ao objeto volta-se contra ele como uma força estranha e hostil.”

Veja então a matéria da CNN (via Gizmodo):

Funcionária da Foxconn que monta iPads mexe no tablet pela primeira vez em sua vida

A “senhora Chen”, como a CNN a chama, trabalha na Foxconn instalando telas de iPad em praticamente todas as horas de sua vida em que ela fica acordada. Além desse ritmo, ela nunca tinha visto um iPad de verdade até a CNN mostrar um para ela. A reação da senhora Chen é surpreendente.

A matéria investigativa, que segue a onda do completo artigo do New York Times sobre os detalhes da Foxconn, mostra aquilo que já sabíamos: muitos funcionários da Foxconn reclamam das condições inumanas enquanto constroem diversos de nossos gadgets:

Durante meio primeiro dia de trabalho, um funcionário mais antigo me disse: “por que você veio para a Foxconn? Não cogite mais isso novamente e vá embora agora mesmo”… Os funcionários da Foxconn tem um teoria: eles usam homens e mulheres como máquinas… Há outra forma de dizer isso: ‘eles usam mulheres como homens, e homens como animais’.”

Mas quando a senhora Chen pega um iPad na mão — um objeto que para ela é como um extraterrestre, apesar de ela olhar para ele todos os dias — ela adora a tábua que consome todos os dias de sua vida. “Eu gostei”, ela diz, dizendo ainda que gostaria de ter um algum dia, se ela tivesse dinheiro para isso. [CNN via 9to5Mac]

Convencido, não?

Leia o texto Manuscritos econômicos Filosóficos de Marx, 1º manuscrito, Trabalho Alienado AQUIVeja a “desatualização”.

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Literatura, Livro

De .pdf para .epub, leitura em tablet do livro “Sobre a violência” de Hannah Arendt

Hoje por dica da Cintia Barenho testei o software “Calibre“, ele transforma arquivos .pdf em .epub, formato ideal para leitura em Tablets. Para testar usei o livro “Sobre a violência” da Hannah Arendt que eu tinha em .pdf.

A interface do software (abaixo) é muito intuitiva,  basta ir em “Adicionar livros” e seguir as orientações que vão aparecer. A janela de conversão fica no ícone “tarefas” a direita, bem embaixo. Para ver onde o livro foi salvo é só clicar com botão direito em cima do arquivo na tela do Calibre.

O que muda do .pdf para .epub?

* Mudar fundo de Branco para sépia;
* Controlar luminosidade do fundo;
* Possibilidade de procurar palavras no livro;
* Mudar formato e tamanho da fontes;
* Fazer realce (marcação) no texto;
* Marcar onde parou a leitura;
* As marcações vão aparecer no início do livro;
* Dicionário das palavras;

Essas são algumas das possibilidades do formato .epub, mas tem mais. Colo abaixo alguns prints do livro o “O último reino” que estou lendo, fundo sépia e com luminosidade baixa, pois leio a noite com luz apagada.

Texto marcado.

Regulando fonte e cor da página (branco ou sépia)

Fazendo buscas por palavras no livro.

Marcações feitas no texto e memória da leitura vai acumulando no início do livro

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Mundo do Trabalho

Na FoxConn dez trabalhadores industriais e “analógicos” se suicidaram.

O exemplo abaixo é claro para derrubar a lógica que diz  “fim do trabalho industrial”, da simploriedade da sociedade desconectada, tão badalada por alguns teóricos da sociedade da informação, que negam o fim (e não conexão) do papel relevante da indústria no crescimento da sociedade do conhecimento, criativa, ou seja lá que engodo ou chavão vão inventar na próxima hora.

A realidade é que a bolha digital e seus minguados trabalhadores criativos e bem pagos, assim como na indústria do entretenimento, é assegurada também por um processo nefasto e gigantesco de crescimento da indústria, da hiper-exploração dos trabalhadores multinacionais “formais”, combinada com uma precarização sem limites na produção e tarefas repetitivas na área de serviços.

Até a bolha explodir, e irá, pois assim como o chute de Fred (Fluminense) não vale R$ 400.000,00 reais por mês, o twitter (que nem modelo de negócios tem) não vale 7 bilhões de dólares. Para pagar esses valores alguém está sendo hiper-explorado de forma clássica e analógica, na FoxConn, por exemplo, dez desses já se suicidaram.

Mais um funcionário da Foxconn morre em fábrica no sul da China.

funcionarios Foxconn

A empresa é criticada na China por grupos de defesa dos trabalhadores por práticas trabalhistas cruéis

Um funcionário de uma fábrica da Foxconn no sul da China morreu, no mais recente caso de uma série de suicídios de jovens trabalhadores migrantes nos complexos da companhia, nos últimos dois anos.

A Foxconn, que fabrica o iPhone e outros produtos da Apple e também tem entre os clientes Dell, HP, Nokia e Sony Ericsson, é criticada por grupos de defesa dos trabalhadores por práticas trabalhistas cruéis.

O funcionário de 21 anos de idade caiu do sexto andar de um dormitório de uma fábrica em Shenzhen, publicou o jornal Hong Kong Economic Times. Mais de uma dezena de suicídios aconteceram em instalações da Foxconn no ano passado.

O trabalhador tinha acabado de assumir a posição de assistente no mês passado, com um total de duas horas extras acumuladas, e, por isso, a morte não pode estar relacionada à pressão no trabalho, publicou o jornal, citando um executivo sênior da empresa.

Após a série de suicídios, a Foxconn, que em abril afirmou que estava buscando oportunidades de investimento no Brasil, prometeu melhorar as condições de trabalho, aumentar salários, reduzir horas extras e construir uma série de grandes complexos fabris nas províncias do interior da China para que muitos de seus mais de um milhão de funcionários possam viver mais próximos de suas famílias. (Copyright Thomson Reuters 2011)

Matéria do R7

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Capitalismo

O falso Capitalismo não gosta quando o verdadeiro olha pra ele e diz: – Te ferrei mané.

O Capitalismo contemporâneo é um verdadeiro arremedo contraditório a sua história e conceito, David Ricardo e Adam Smith, teóricos do capitalismo e da Economia Política, já determinavam distorções que poderiam colocar o Capitalismo em risco, a saber uma das principais: o monopólio.

A concorrência e a liberdade da produção era a “alma do negócio”, se monopolizado ou exclusivo a concorrência estaría em xeque. O falso capitalismo contemporâneo idolatra o monopólio, as chamadas “patentes” são exemplos concretos dessa desvirtuação teórica.

Cada vez que o falso capitalismo sente-se ameaçado ele grita, PIRATARIA!!!!

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Cibercultura

Senhor com mais de 100 anos de idade redescobre a leitura em um IPAD

Adorei o relato que segue (publicado na IDGNow) por vezes ainda que tenhamos consciência das dificuldades operacionais de um corpo com longos anos de vida, dificilmente nos damos conta de situações que obrigam mudanças de hábitos dos idosos, e que na maioria das vezes não são explicitadas por eles, o caso de Lew, abaixo, é um bom exemplo de como superar algumas limitações e retomar o prazeroso hábito da leitura.

lewipad01.jpg

Lew e a esposa.

(Por Macworld / EUA – Publicada em 14 de dezembro de 2010 às 09h45)

No último Dia de Ação de Graças (tradicional feriados americano, comemorado em 25/11 neste ano), tive a oportunidade de visitar meu centenário favorito – Lew, marido da minha mãe. O aniversário dele será comemorado em algumas semanas, e, como você deve imaginar, com um século de presentes ganhos é difícil saber o que comprar para ele.

Mas não desta vez. Porque neste ano ele vai ganhar um iPad.

Quando o tablet da Apple foi lançado, em abril deste ano, muitas pessoas o descartaram como um brinquedo, um “iPod Touch gigante” ou um mau substituto para um notebook ou netbook. Mesmo quem geralmente apóia os aparelhos lançados pela “maçã” ficou se perguntando o que poderia fazer com um iPad. E, para muitos deles, foi preciso realmente utilizá-lo para descobrir isso.

Por exemplo, durante uma reunião de família há alguns meses convenci minha mãe a comprar um iPad, pensando que seria uma maneira fácil para ela checar seu e-mail e navegar na Internet. Ela e minha irmã voltaram da Apple Store com o modelo Wi-Fi de 16GB, juntamente com um case oficial. Configurei a conta de e-mail, marquei alguns de seus sites favoritos e deixei o aparelho com ela.

Em minha visita para o Dia de Ação de Graças descobri que ela expandiu seus horizontes. Ela agora é uma ávida jogadora do game “Words with Friends” (para formar e encontrar palavras), frustrada por não conseguir superar sua neta de 9 anos no viciante “Angry Birds HD”, que sempre assiste a filmes no aparelho pelo serviço Netflix e que baixou alguns livros novos e antigos da iBookstore, loja de livros eletrônicos da Apple.

É esse último propósito que nos leva de volta para o centenário Lew. Apesar de ter pouco mais de 100 anos de idade, ele está em ótima forma. Consegue andar por aí com o auxílio de um andador, frequenta a academia duas vezes por semana, lê três jornais por dia e segue de perto o time de futebol americano da Universidade da Califórnia (UCLA).

Ele também é um grande leitor, mas isso é algo mais complicado para ele, que precisa de livros com letras maiores e que já leu quase todos os títulos que lhe interessam disponíveis na biblioteca local. Lew gostaria de revisitar algumas de suas obras favoritas, mas não pode porque elas não estão disponíveis em versão com letras maiores.

Mas, graças ao iPad, muitas delas agora estão.

Um dia antes de o feriado acabar e voltarmos para casa, minha mãe pediu para Lew deixar de lado o livro que estava lendo e dar uma olhada no e-book de Dick Francis que ela havia comprado na iBookstore. Então, ela colocou o iPad no colo dele, abriu o app do iBooks, ajustou o tamanho da fonte e pediu para ele ler uma página em voz alta para confirmar que conseguia enxergar claramente a tela. O que ele conseguiu fazer. Depois, ela mostrou como virar e marcar as páginas virtuais e como usar a mesa de conteúdo.

Ele olhou para baixo para o grande livro impresso em seu colo, olhou para o iPad, e disse “Isso é o fim das bibliotecas para mim. Que maravilha!”

Me informaram depois que no dia seguinte ele pediu para minha mãe pegar “aquela máquina”, abrir novamente o livro de Dick Francis e o iPad não foi mais visto pelas três horas seguintes. Ler no tablet agora é parte de sua rotina diária. Isso é incrível porque Lew nunca mais precisará ficar procurando por livros impressos específicos para ele. Por outro lado, também significa que minha mãe precisa esperar até Lew dormir para tentar bater o recorde de minha sobrinha em “Angry Birds”.

E isso – tanto quanto o milagre dos e-books para pessoas idosas – pode explicar melhor porque o iPad será o presente ideal para o aniversário de 101 anos de Lew.

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