Capitalismo, Crise

Ministro Miguel Jorge do Desenvolvimento não vê problema da Brasil Foods(BRF) demitir trabalhadores(as).

Semana passada replicamos a notícia da  fusão entre SADIA e PERDIGÃO (Fusão entre Sadia e Perdigão pode trazer prejuízos), mega empresas do ramo alimentício que criaram a Brasil Foods(BRF). É notório que a SADIA, do ex-Ministro Luiz Furlan, passa por problemas financeiros gigantescos, levando o ex-ministro do desenvolvimento a deixar o governo e reassumir a presidência do conselho administrativo da empresa. A SADIA perdeu mais de R$ 1 bilhão de reais no mercado financeiro.

A recente fusão, que vem para “salvar” a SADIA e seguir uma velha tendência no Capitalismo, a formação de monopólios e oligopólios, foi muito festejada na semana passada, por toda a mídia nacional, inclusive dando como certa a participação do BNDES e dos recursos públicos.

Ainda que não tenhamos nos surpreendido, visto que essa tendência já tem mais de 200 anos, fizemos o registro da notícia já no tom da crítica, ainda assim parecia que esse assunto não traria muita novidade, nem tampouco descontentamento(além do normal), porém mordemos a língua.

No final da semana comentando o caso, o Ministro Miguel Jorge do Desenvolvimento Indústria e Comércio(sucessor de Furlan) diz que não acredita que a fusão tenha problemas para passar no CADE, visto que a nova Brasil Foods que nasce vai melhorar as exportações do país, bem como, que acha difícil ela não gerar demissões de postos de trabalho, arrematando: “É preciso ficar claro o seguinte: não é proibido demitir. O que é proibido é demitir sem pagar os direitos dos trabalhadores”.

Então essa é a leitura do Ministro Miguel Jorge, desenvolvimento é a melhoria de condições para o capital se fundir e propagar, ainda que desempregando?

Ficamos agora no aguardo, se nesse momento de crise, com essa visão do Ministro, o BNDES, um banco público, ainda vai colocar capital em uma empresa que desemprega.

Comentário de minha autoria originalmente publicado no Brasil Autogestionário.

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Capitalismo, Demissões, Microsoft, Softwares

Microsoft, dona do Windows e famosa captadora de dinheiro público, demitirá até 5000 funcionários(as) pelo mundo.

Apavorada por ver seu LUCRO LÍQUIDO despencar no último trimestre de 2008, em comparação com o mesmo trimestre em 2007, a Microsoft, dona do sistema Windows, avisou que se nesse primeiro trimestre não houver recuperação no mercado, poderá demitir até 5000 funcionários(as) pelo mundo inteiro. Vale ressaltar que o LUCRO LÍQUIDO da Microsoft no último trimestre de 2007 foi de US$ 4,71 bilhões, e no mesmo período em 2008 foi de US$ 4,17 bilhões, uma verdadeira bacatela.

O modelo capitalista mediado pelo mercado hegemonizado, é quem garante as condições sociais e culturais para que uma empresa que tem Lucro Líquido de bilhões, a cada trimestre, possa discursar em “praça pública” que vai demitir 5000, e não ser penalizada por isso.

Além de garantir as condições culturais para tal discurso, o mercado que tinha uma mão invisível (agora decepada), usa desse discurso para arrancar dos estados nacionais, recurso público para recompor esse “rombo” no LUCRO LÍQUIDO das empresas, através da compra de bens e serviços, aqui em especial, da Microsoft, e suas licenças do sistema Windows e do pacote Office (word, excell, etc.).

De minha parte resolvi isso, uso Software Livre a anos. Ainda assim ressalvo, no modelo capitalista muitas coisas são inevitáveis, uma delas é que um dia você estará desempregado(a).

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Capitalismo, Crise

A CRISE do Capitalismo, em especial, dos Estados Unidos da América.

https://i0.wp.com/www.joildo.net/wp-content/photos/Lute_17_marco_2008.jpg

Vou linquando abaixo, ótimos textos sobre a atualidade da crise econômica mundial.

(1) A derrocada dos bancos americanos e seus efeitos no mundo – Bernardo Kucinski AQUI.

(2) Tudo o que você quer saber sobre a crise mas tem medo de não entender – Walden Bello AQUI.

(3) O mito do colapso americano – José Luis Fiori AQUI.

(4) O impensável aconteceu – Boaventura de Souza Santos AQUI.

(5) A crise de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim – Joseph Stiglitz AQUI.

(6) Entupiu o sistema circulatório do capitalismo. É preciso agir rápido, antes que ocorra a trombose – Maria da Conceição Tavares AQUI.

(7) Os antecedentes da tormenta – Luis Gonzaga Belluzzo AQUI.

(8) O pânico nos mercados após o Plano Paulson – Oscar Urgateche AQUI.

(9) Contribuição encaminha por “Neto” nos comentários – Sete reflexões sobre a actual crise – João Bernardo AQUI em pdf – nos comentários o link original.

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Anistia Internacional, Capitalismo, China, Comunismo, Free Tibet, Monaquia, Olimpíadas da China, Socialismo, Tibet

A China se mostrou para o mundo, e é inteiramente capitalista.

Depois da abertura das olimpíadas hoje, gostaria de saber o que pensam os(as) “socialistas” que me criticavam pela campanha Free Tibet (em tom de deboche pelo menos). A abertura das olimpíadas na China hoje, deixou duas grande lições para os(as) socialistas, a primeira é que o governo de Hu Jintao valoriza mais a monarquia que os monges Budistas pró-Tibet (Tibet também não é feito só de monges), a segunda, é que Comunismo é uma palava e passado que o grupo majoritário “tunpai” de Hu Jintao no Partido Comunista Chinês, demonstrou para o mundo hoje, querer esquecer o mais rápido possível. Ainda que sendo mais a esquerda que o “neocon”.

A apresentação da abertura das Olimpíadas hoje, retratou em imagens, danças, músicas e roupas, a história milenar daquele país e cultura, durante horas, a história das dinastias e dos antigos monarcas foram referenciadas dezenas de vezes, po seus avanços políticos, culturais e científicos, e logo após, como num passe de mágica, abre-se um globo simbolizando a globalização, e salta-se decepando a história, diretamente para os anos 2000, e nada, absolutamente nada do período Comunista foi encenado, descrito, ou citado, salvo eu não tenha percebido. Até o vermelho estava lá, mas não como pesam os socialistas, estava lá era o vermelho do imperador.

A China mostrou-se para o mundo, e mostrou-se com a feição que deseja ser conhecida, e reconhecida. A China é capitalista e comandada por capitalistas, e pior, como dizia o velho ditado, “o pior capitalista é o ex-comunista”. Ademais do ponto de vista estético, estava muito bonito realmente.

Para ilustrar ainda mais, na abertura do Dossiê Olimpíadas do Esquerda.Net divulgado hoje, temos a seguinte citação: “o governo chinês quer mostrar ao mundo que o país entrou definitivamente na categoria das superpotências. Mas não está a conseguir livrar-se das acusações de violações de direitos humanos e de aplicar o capitalismo mais selvagem, que já criou 250 mil milionários, mas onde 700 milhões vivem com menos de dois euros por dia.”

Na aba Mundo da Folha de 16 de junho AQUI, segundo a Anistia Internacional: “Mais de mil tibetanos detidos durante os protestos pró-independência, que ocorreram em março, na China, continuam desaparecidos, aponta um relatório divulgado nesta semana pela Anistia Internacional. O documento afirma que há denúncias de casos de abuso nas prisões e que, enquanto detidos, os tibetanos teriam apanhado e ficado sem comer.”

Defender a China como socialista é defender o indefensável, e pior, achar que um pressuposto histórico (e controverso) é uma melhor fonte, frente a possibilidade, realidade e necessidade de um Tibet que se auto-determine, com liberdade cultural, política e religiosa, é uma total incompreensão da luta mundial dos trabalhadores(as).

Mais comentários: “Surpresas” de Pequim e Buenos Aires;

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Autogestão, Big Buck Bunny, Blender, Capitalismo, Creative Commos, Economia, Economia Solidária, Gestão, Licenças Permissivas, Livros, Música, Negócio, Produção de Produtos Imateriais, Software, Trabalho, Vídeos

Autogestão e a produção de produtos imateriais – o caso Blender e Big Buck Bunny.

https://i2.wp.com/www.bigbuckbunny.org/wp-content/themes/bunny/graphics/header1.jpg

A poucos post`s abaixo, AQUI, falei da Produção de Produtos Imateriais, e citei para falar depois, do Blender e Big Buck Bunny. Vamos lá então. Em breve comento a relação entre ambos os post`s.

Blender: Também conhecido como blender3D, é um programa de computador de código aberto, desenvolvido pela Blender Foundation, para modelagem, animação, texturização, composição, renderização, edição de vídeo e criação de aplicações interativas em 3D. Está disponível sobre uma licença BL / GNU General Public License.

Big Buck Bunny: Filme de animação, dos mesmos(as) autores(as) da animação “Elephant’s Dream”, a Blender Foundation.

A animação – Big Buck Bunny, foi recentemente motivo de comentários de John Maddog Hall – Fundador da Open Source International, uma das principais referências do cenário do Software Livre mundial, disse ele: “o BBB (Big Buck Bunny) foi criado com o Software Livre chamado Blender. Alguns até sabem que não apenas o filme inteiro está sob a licença Creative Commons, como também que todas as partes intermediárias também se encontram sob a Creative Commons e disponíveis para download. A Blender Foundation incentiva todos a alterarem o filme, criarem finais diferentes, personagens diferentes ou continuações para o filme”.

Creative Commons: Creative Commons (tradução literal:criação comum também conhecido pela sigla CC) pode denominar tanto um conjunto de licenças padronizadas para gestão aberta, livre e compartilhada de conteúdos e informação (copyleft). As licenças Creative Commons foram idealizadas para permitir a padronização de declarações de vontade no tocante ao licenciamento e distribuição de conteúdos culturais em geral (textos, músicas, imagens, filmes e outros), de modo a facilitar seu compartilhamento e recombinação, sob a égide de uma filosofia copyleft. As licenças criadas pela organização permitem que detentores de copyright (isto é, autores de conteúdos ou detentores de direitos sobre estes) possam abdicar em favor do público de alguns dos seus direitos inerentes às suas criações, ainda que retenham outros desses direitos. Isso pode ser operacionalizado por meio de um sortimento de módulos standard de licenças, que resultam em licenças prontas para serem agregadas aos conteúdos que se deseje licenciar.

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Autogestão, Big Buck Bunny, Blender, Capitalismo, Economia Solidária, EPIC 2015, Gestão, Livros, Música, Produção de Produtos Imateriais, Software, Vídeos

Autogestão e produção de produtos imateriais.

Na produção dos produtos chamados “imateriais” (conhecimento, música, vídeos, códigos, etc.), reside um mercado que movimenta muita riqueza, e de forma proporcional e inversa, produz com relativo baixo custo, salvo algumas especificidades que são inflacionadas propositalmente – como o Cinema. Em geral, na produção do produto imaterial, o custo maior encontra-se numa primeira peça, a matriz – a música é um bom exemplo, após a produção da matriz, o custo da produção da segunda cópia em diante, é o da replicação em CD da cópia primeira – da matriz. Vale citar ainda, quando imaginamos que, se avançarmos na comercialização das músicas pela web, algo hoje já muito comum na Europa, mas também em crescimento no Brasil, a segunda fase da replicação do CD citado, ficará quase obsoleta.

Por serem resultado de um trabalho muito especializado, e de muita demanda, os produtos imateriais concentram muita riqueza agregada, que na maioria das vezes contrastam com a possibilidade de serem fabricados com baixo investimento. Um bom código hoje, ou seja, um bom software como o milionário ORKUT, foi fabricado por um sujeito (por curiosidade com esse mesmo nome: Orkut Buyukkokten – foto) , com um computador pessoal, nos horários de intervalo de seu trabalho na empresa Google.

Cabe-se citar ainda, que com o advento da internet, e seu aumento constante de cobertura, bem como, o recente start da TV digital e uma crescente popularização das licenças autorais permissivas, apresenta-se um futuro ainda de muito aquecimento para esse setor, em grande parte novo e com forte tendência a inovação.

Em suma, o mercado da produção imaterial, é altamente rentável, inovador e propulsor em conjunto com a internet, de todo um novo ciclo de negócios, cito aqui o vídeo EPIC AQUI como uma ilustração disso, ainda que, acabem fim ao cabo, sendo quase na totalidade apropriados pelo centenário modelo capitalista, reproduzindo assim a velha fórmula da exploração e acumulo de riqueza.

Frente as especificidades citadas acima, poderíamos dizer que a produção imaterial, poderá ser um ramo de produção bem sensível a outras formas de organizar o seu trabalho produtivo, de forma diferente da forma capitalista? Como se comportaria, comporta e apresenta-se a autogestão na proposição e produção de produtos imateriais como vídeos, música, códigos, textos, livros, animações, por exemplo?

Acredito, ainda que de forma muito empírica, que a autogestão tem capacidade de adequar-se bem a esse processo, melhor ainda do que foi a forma do trabalho simples e individual e o modelo tradicional capitalista nesse setor, para isso, precisará ela, identificar com clareza os limites que estão colocados – materiais, técnicos e culturais, massificando algumas práticas que hoje são ainda muito marginais, como o Blender e o exemplo do Big Buck Bunny, de forma que ampliem o acesso a produção e uso desses produtos de forma massiva e autogestionária. Mas isso é uma conversa para mais adiante, em alguns próximos posts.

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Capitalismo, Crise, EUA, Globalização, Immanuel Wallerstein, Imperialismo, USA

O signo da turbulência? (Immanuel Wallerstein)

Vale a pena ler. Quase fui ver a palestra dele ano passado, aqui em Porto ALegre, no Fronteiras do Pensamento. “O signo da próxima década pode ser a turbulência. O declínio do poder norte-americano, agora evidente, é bem-vindo, mas tende a provocar, no curto prazo, desordens e ameaças. Será preciso evitar abismos. Mas, como em toda a encruzilhada, haverá espaço para alternativas e escolhas” íntegra do texto AQUI.

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