Cibercultura

Criadores de “Kony 2012” eram espiões do governo de Uganda, diz Wikileaks

São Paulo – Documentos disponibilizados pela Wikileaks indicam ligações entre o governo de Uganda e a ONG Invisible Children. A ONG produziu o vídeo Kony 2012, para tornar o líder do grupo militar LRA (Lord’s Resistance Army) conhecido e, assim, facilitar sua captura.

Por Beatriz Olivon da Exame.com

Uma correspondência de 2009, vinda da embaixada dos Estados Unidos em Uganda, por exemplo, afirma que a Invisible Children deu ao governo de Uganda a localização de Patrick Komekech, procurado por se passar por líder da LRA para extorquir dinheiro de oficiais e ONGs. Komekech é supostamente uma antiga criança-soldado que foi integrada ao LRA – e apareceu em documentários da Invisible Children.

Outra correspondência, essa de 2007, indica que o embaixador dos Estados Unidos em Uganda, Steven Browning encontrou-se com Ben Keesey, CEO da Invisible Children, e outros representantes da ONG. Segundo o documento, a organização usou a reunião para atualizar o embaixador quanto a suas atividades e seus esforços para divulgar as condições no norte da Uganda.

A ONG afirmou que “não conduz esforços de inteligência para nenhum governo estrangeiro”. A Invisible Children disse que estava acompanhando a recuperação de Komakech quando se deu conta de que ele e um grupo estavam  envolvidos em atividades que “poderiam estar comprometendo a vida de civis e colocando a organização e os seus funcionários em risco”. A organização afirmou que, por isso, cortou seus laços com Komakech.

Robert Kony é acusado pela ONG de sequestrar mais de 60 mil crianças em Uganda. O destino dos meninos é o exército de Kony. As meninas são escravizadas sexualmente. Kony é procurado pela Corte Penal Internacional, tribunal internacional que julga os responsáveis por genocídios, crimes de guerra crimes contra a humanidade.

A ONG já recebeu outras críticas. Há acusações de que os dados apresentados no filme de Kony são manipulados e também de que  os gastos da ONG não são transparentes – e concentram-se em salários e custos de produção de vídeos e não em ações concretas de apoio às crianças.

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