Cibercultura, Jornalismo

Um em cada 4 americanos informa-se por dispositivos móveis, mas prefere as empresas jornalísticas

Mobilidade aumenta leitura de notícias e muda cenário da mídia

Por Silvia Bassi no IDGNOW

Um em cada quatro americanos lê notícias diariamente usando dispositivos móveis. E tem mais interesse por notícias produzidas por empresas jornalísticas.

Segundo o estudo “2012 State of the News Media”, realizado pelo Pew Research Center para o Project for Excellence in Journalism (PEJ), a adoção crescente da tecnologia móvel está aumentando o consumo de notícias e o interesse pelo jornalismo analítico e opinativo. A “má notícia” para as empresas de mídia é que, embora estejam ganhando os olhos dos leitores, quem está levando a maior parte da receita online são as empresas de internet, como Google e Facebook.

A pesquisa, em sua nona edição, mapeia unicamente o mercado norte-americano. Embora o uso de equipamentos móveis seja crescente (27% dos leitores acessa notícias em dispositivos móveis), as plataformas preferidas por 80% dos donos de tablets e smartphones para pesquisar mais longamente informações e notícias continuam sendo notebooks ou desktops. Nos equipamentos móveis, a busca dá lugar ao uso direto de um site de notícias ou uma app de alguma empresa de mídia tradicional, daí o estreitamento dos laços da mobilidade com o jornalismo.

“Nossa análise sugere que o jornalismo está se tornando mais importante e mais entrelaçado na vida diária das pessoas. Mas ainda não está claro quem vai se beneficiar economicamente desse apetite crescente pelas notícias”, diz Tom Rosenstiel, diretor do PEJ. Ele cita pesquisa da empresa eMarketer que mostra que em 2011, cinco grande empresas de tecnologia ficaram com 68% de toda a receita gerada pela publicidade digital. Em 2015, um em cada cinco dólares gerados pela publicidade online irá para o bolso do Facebook, segundo o eMarketer.

As plataformas de social media ainda influenciam pouco o consumo de notícias, segundo o estudo do PEJ. Apenas 9% dos adultos entrevistados nos EUA disseram seguir “frequentemente” links de notícias do Facebook ou Twitter, enquanto que 36% preferem usar diretamente o site ou a app da empresa de mídia, 32% chegam até as notícias via busca e 29% já preferem organizar suas informações em sites como Topix ou Flipboard.

Mesmo assim, a social media não deve ser subestimada: segundo a análise do PEJ baseada em dados da Hitwise, 9% do tráfego para sites de notícias vem do Facebook, Twitter e outros sites menores de mídia social. Isso representa um crescimento de mais de 50% sobre 2009. Enquanto isso, o tráfego gerado por mecanismos de busca para sites de notícias caiu de 23% para 21% no mesmo período.

O resgate das notícias está acelerando a adoção entre os jornais e revistas pela cobrança para acesso ao conteúdo online. Segundo o estudo, pelo menos uma centena de jornais deverá adotar o modelo da chamada “paywall” nos próximos meses, engrossando a lista de 150 diários que já têm algum modelo de assinatura online. O movimento em parte vem de observar o sucesso do The New York Times, atualmente com 390 mil assinantes online e em parte numa tentativa de substituir a queda da receita dos meios convencionais: a indústria americana de jornais viu a receita de circulação e assinaturas do meio impresso encolher 43% desde 2000. Em 2011, a média dos jornais perdeu 10 dólares em receita impressa para cada dólar gerado pela publicidade online.

A privacidade está se tornando um elemento importante para o leitor, que começa a ficar irritado com os anúncios que rastreiam seu comportamento, o que cria um conflito e uma oportunidade para as empresas de mídia. O estudo do PEJ mostra que 2/3 dos usuários de internet se ressente dessa prática mas, ao mesmo tempo, quer cada vez mais o serviços de personalização de conteúdo oferecidos por essas empresas. Para sobreviver, a saída da mídia é achar o meio de fazer sua publicidade digital ser mais eficiente e mais lucrativa e tirar proveito da tecnologia para preservar a privacidade dos seus leitores e oferecer uma experiência cada vez melhor com as informações valiosas que provê.

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