Cibercultura

Todos nós viramos ciborgues, diz antropóloga

Editora Globo

A "antropóloga ciborgue" Amber Case // Crédito: Reprodução Vimeo

Esqueça os T-500 do Exterminador do Futuro – os ciborgues estão aqui e, segundo uma antropóloga, você é um deles

por Redação Galileu

Amber Case é uma antropóloga americana que estuda as formas com que interagimos com a tecnologia. No dia 11 de março, ela apresentou suas ideias no SXSW, uma conferência que mostra as últimas novidades em música, filmes e tecnologia, realizada em Austin, nos EUA. O tema de sua palestra? Todos nós viramos ciborgues.
Você pode pensar que a ideia é absurda, afinal você não é uma máquina. Mas a definição de ciborgue usada pela antropóloga talvez o convença do contrário: organismo ao qual foram acrescentados outros componentes, usados para a adaptação a novos ambientes. Em outras palavras, alguém que precisa de tecnologia para “funcionar”.

Case argumenta que, toda vez que usamos um celular, um computador e até um carro, viramos ciborgues – afinal, usamos partes mecânicas para realizar nossas tarefas. Mesmo que elas não estejam grudadas ao nosso corpo, nós as tratamos como uma extensão de nós mesmos.

Transformação

Segundo Case, isso faz com que os humanos hoje sejam um novo tipo de homo sapiens – afinal, esse uso de ferramentas está modificando a forma com que pensamos e como agimos.

Você pode até pensar que nossos ancestrais também usavam ferramentas desde a idade da pedra, quando passaram a polir rochas para transformá-las em lanças e que esse fenômeno não é novidade. No entanto, ao contrário de uma faca, que usamos para potencializar a capacidade de nosso corpo de cortar um objeto, as novas tecnologias potencializam nossa capacidade mental, não apenas a física. E isso está mudando as pessoas.

A tecnologia nos permite ter “cérebros externos” para guardar informações, ao mesmo tempo em que, através da internet, podemos compartilhar esse conhecimento com qualquer um que se interesse.

Temos, também, uma segunda personalidade “online”. Essa personalidade, ao contrário de seu eu físico, está disponível para os outros o tempo todo. Basta mandar um email ou uma mensagem via Facebook. E passamos tanto (ou mais) tempo cuidando dessa presença online quanto de nós mesmos.

E, graças a essa personalidade, conseguimos ser ouvidos em qualquer canto do mundo. De acordo com Case, todos nós andamos com um “buraco negro” em nossos bolsos – afinal, com smartphones, temos a capacidade de dobrar o tempo e o espaço instantaneamente, chegando perto de pessoas distantes em poucos segundos.

Preocupações

Segundo a antropóloga, mesmo com a facilidade que experimentamos ao nos “transformarmos em ciborgues”, existem certas questões preocupantes. Ela afirma que nos tornamos paleontólogos da informação – ficamos constantemente em busca da localização do conhecimento, em vez de lembrar de seu conteúdo. “Em que pasta deixei meu email? Qual era o nome do arquivo?” são alguns dos questionamentos constantes.

Outra preocupação é a falta de tempo que as pessoas têm para reflexão. Como não paramos de buscar novas informações e estamos sempre cuidando de nossa segunda personalidade online, procurando chamar mais a atenção na internet do que outras, não há um momento de inatividade sequer. E é nesses minutos de inatividade que fazemos planejamentos em longo prazo ou pensamos sobre nossas vidas, sobre o que gostamos ou não, descobrindo quem realmente somos.

Para Case, as crianças serão as maiores vítimas da falta de tempo de reflexão, pois estão inseridas em uma cultura em que se deve clicar e descobrir incessantemente – sem, necessariamente, saber o porquê.

A argumentação final da antropóloga é que, ao contrario dos filmes de ficção, como no próprio Exterminador, não são as máquinas que estão tomando o poder e transformando a nossa sociedade. Na verdade, a tecnologia estaria contribuindo para a nossa humanidade, nos deixando mais ligados uns aos outros. A transmissão de informações e as nossas conexões só estão sendo feitas de forma diferente.

A conclusão? Nossa “transformação” em ciborgues é muito mais humana do que tecnológica.

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