Cibercultura

Empresa cria polêmica ao usar sem-teto como pontos de wi-fi

Foto de divulgação mostra 'pontos' em que sem-teto proveriam acesso wi-fi à internet

Empresa criou pontos wi-fi de acesso à internet controlados por moradores de rua

Um “experimento” que usava pessoas sem-teto como ponto de conexão sem fio de internet despertou polêmica nos EUA, forçando seus idealizadores a se defenderem de críticas.

Via BBC Brasil

A BBH Labs, setor de inovação da agência multinacional de marketing BBH, equipou 13 sem-teto de Austin, Texas, com pequenos dispositivos de internet 4G durante um congresso de tecnologia na cidade.

Segundo o New York Times, os sem-teto – de um abrigo local, que aderiram voluntariamente ao projeto – receberam US$ 20 por dia para mover-se pelas áreas mais disputadas do congresso, oferecendo os serviços de wi-fi. Os sem-teto também ficavam com as gorjetas doadas por usuários do serviço.

Críticos do projeto, descrito pela BBH como um “experimento de caridade”, escreveram no site da empresa que a ideia era “indecorosa” e “equivocada”. Ao mesmo tempo, defensores opinaram no Twitter que a iniciativa criava a oportunidade de “uma interação positiva entre o público” e os sem-teto.

A polêmica forçou a BBH Labs a se explicar. Em seu blog, a empresa disse que “um grande debate foi criado em torno (da história) e, ainda que estejamos sendo tratados como vilões, em muitos aspectos isso é bom para os sem-teto, a quem estamos tentando ajudar”. 

A empresa argumenta que o projeto lançou luz sobre o problema dos sem-teto e lhes permitiu ganhar algum dinheiro durante a conferência de tecnologia. A ideia, diz, foi um “teste” que poderia, mais tarde, ser “adotado em escala maior”.

‘Commodity’

O episódio despertou comentários de todos os tipos na internet, incluindo sarcasmos. Um usuário de wi-fi disse que seu “sem-teto-wi-fi fica vagando”, impedindo seu acesso ao serviço. Outro disse que, “ao chamar os sem-teto de ‘hotspot’ (ponto de acesso), você leva o público a pensar que essas pessoas são commodities”.

“Ajudar hipsters a checar seus e-mails não é uma caridade, mas sim potencialmente perigoso e prejudicial à situação vivida pelos moradores de rua”, declarou um terceiro.

No entanto, o site Buzzfeed disse ter feito uma entrevista com um dos sem-teto participantes do projeto, que declarou achar que “essas pessoas (em referência à BBH) estão tentando ajudar os moradores de rua e aumentar a conscientização (sobre o tema). Temos a chance de falar com as pessoas, talvez dar-lhes uma percepção diferente sobre como é ser sem-teto”.

John Bird, cofundador da revista britânica The Big Issue (criada para defender a causa dos sem-teto e gerar-lhes renda), disse ter percepções contraditórias sobre o projeto.

“Se tudo o que a BBH está fazendo é transformar essas pessoas (sem-teto) em pontos, estão tratando os moradores de rua da mesma forma como os tratavam as pessoas que os pediam que segurassem cartazes”, disse ele à BBC.

“Mas se a empresa é honesta quanto à ideia de que isso pode, em última instância, fazer com que eles se tornem criadores de conteúdo para plataformas, daí é diferente. Mas isso ainda não está claro.”

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