Cibercultura, Karl Marx, Pós-modernidade

Karl Marx, IPADs e a Sra. Chen

Em recente matéria, a CNN mostra o caso da Sra. Chen, trabalhadora da Foxconn, empresa que monta o IPAD, que nunca tinha visto uma tablet completa. Essa matéria me lembrou um “velho” texto de Karl Marx, aquele que os ciber-pós-modernos dizem estar superado, mesmo sem colocarem nada decente no lugar.

No texto Manuscritos econômicos Filosóficos, 1º manuscrito, Trabalho Alienado, Marx comenta:

 

“…o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe como um ser estranho, como uma força independente do produtor. O produto do trabalho humano é trabalho incorporado em um objeto e convertido em coisa física; esse produto é umaobjetificação do trabalho. A execução do trabalho é simultaneamente sua objetificação. A execução do trabalho aparece na esfera da Economia Política como uma perversão do trabalhador, a objetificação como uma perda e uma servidão ante o objeto, e a apropriação como alienação.

A execução do trabalho aparece tanto como uma perversão que o trabalhador se perverte até o ponto de passar fome. A objetificação aparece tanto como uma perda do objeto que o trabalhador é despojado das coisas mais essenciais não só da vida, mas também do trabalho. O próprio trabalho transforma-se em um objeto que ele só pode adquirir com tremendo esforço e com interrupções imprevisíveis. A apropriação do objeto aparece como alienação a tal ponto que quanto mais objetos o trabalhador produz tanto menos pode possuir e tanto mais fica dominado pelo seu produto, o capital.

Todas essas conseqüências decorrem do fato de o trabalhador ser relacionado com o produto de seu trabalho como com um objeto estranho. Pois está claro que, baseado nesta premissa, quanto mais o trabalhador se desgasta no trabalho tanto mais poderoso se torna o mundo de objetos por ele criado em face dele mesmo, tanto mais pobre se torna a sua vida interior, e tanto menos ele se pertence a si próprio. Quanto mais de si mesmo o homem atribui a Deus, tanto menos lhe resta. O trabalhador põe a sua vida no objeto, e sua vida, então, não mais lhe pertence, porém, ao objeto. Quanto maior for sua atividade, portanto, tanto menos ele possuirá. O que está incorporado ao produto de seu trabalho não mais é dele mesmo. Quanto maior for o produto de seu trabalho, por conseguinte, tanto mais ele minguará. A alienação do trabalhador em seu produto não significa apenas que o trabalho dele se converte em objeto, assumindo uma existência externa, mas ainda que existe independentemente, fora dele mesmo, e a ele estranho, e que com ele se defronta como uma força autônoma. A vida que ele deu ao objeto volta-se contra ele como uma força estranha e hostil.”

Veja então a matéria da CNN (via Gizmodo):

Funcionária da Foxconn que monta iPads mexe no tablet pela primeira vez em sua vida

A “senhora Chen”, como a CNN a chama, trabalha na Foxconn instalando telas de iPad em praticamente todas as horas de sua vida em que ela fica acordada. Além desse ritmo, ela nunca tinha visto um iPad de verdade até a CNN mostrar um para ela. A reação da senhora Chen é surpreendente.

A matéria investigativa, que segue a onda do completo artigo do New York Times sobre os detalhes da Foxconn, mostra aquilo que já sabíamos: muitos funcionários da Foxconn reclamam das condições inumanas enquanto constroem diversos de nossos gadgets:

Durante meio primeiro dia de trabalho, um funcionário mais antigo me disse: “por que você veio para a Foxconn? Não cogite mais isso novamente e vá embora agora mesmo”… Os funcionários da Foxconn tem um teoria: eles usam homens e mulheres como máquinas… Há outra forma de dizer isso: ‘eles usam mulheres como homens, e homens como animais’.”

Mas quando a senhora Chen pega um iPad na mão — um objeto que para ela é como um extraterrestre, apesar de ela olhar para ele todos os dias — ela adora a tábua que consome todos os dias de sua vida. “Eu gostei”, ela diz, dizendo ainda que gostaria de ter um algum dia, se ela tivesse dinheiro para isso. [CNN via 9to5Mac]

Convencido, não?

Leia o texto Manuscritos econômicos Filosóficos de Marx, 1º manuscrito, Trabalho Alienado AQUIVeja a “desatualização”.

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