Cibercultura, Ciberespaço, Comunicação

Print do Twitter: Fake de Jornalista da Veja avisa que vai atacar governadores do PT

A circulação da mensagem.

A capacidade de circulação rápida de mensagens e conteúdos tem sido uma dádiva na contemporaneidade. A internet e suas diferentes interfaces são um dos setores que mais acumulou com esse potencial de transformações que vão das finanças a comunicação. As redes sociais digitais e interfaces como Facebook, Twitter e outras tantas, ampliam a capacidade de comunicação e promovem transformações gigantescas de comportamento, o que incide em várias áreas como a política e o jornalismo. No tema da comunicação, em especial dos meios de comunicação formais, o resultado dessa transformação ainda é um incógnita.

O interregno está longe de ser solucionado.

O show do Eu no Twitter atinge a todos.

O primeiro print abaixo é de um fake do jornalista Reinaldo Azevedo. Fui avisado  por @midiarte, @vleonel, @marcelogrisa,  @justdu,  @my_pandoras_box  e faço a correção, o que inclusive reforça a discussão que proponho, afinal, o fake é uma forma bem humorada de um cidadão avaliar o comportamento do jornalista em questão,  mantendo conexão com o perfil psicológico do mesmo. Bem como de exercer a idéia de opinião pública, não?

Fake bem humorado de Reinaldo Azevedo #Veja

No print acima vemos um dos sintomas da nova época, o fake do jornalista Reinaldo Azevedo da revista Veja, assume uma suposta “meta” de derrubar Ministros, alegando que:

“Já que não deu pra derrubar ministro q enfraqueçamos os governadores do PT”

Ainda que sendo um fake, provavelmente um cidadão comum que não tem acordo com o posicionamento do perfil real de Reinaldo Azevedo, produzindo assim tweets irônicos e bem humorados, o mesmo tem forte conexão com a forma de agir do jornalista citado, que através do meio de comunicação em que trabalha, impresso e digital, promove uma ação permanentemente política.

A questão também deixa uma indagação, entre o cidadão fake e o verdadeiro Reinaldo Azevedo, qual deles pode revindicar com mais legitimidade ser a opinião pública?

O verdadeiro perfil.

Abaixo tweets do verdadeiro Reinaldo Azevedo.

Tweets de Reinaldo Azevedo da #Veja

Para além de afrontar o papel do jornalismo, inclusive do jornalismo investigativo, a exposição acima é típica na forma e potência de um dos sintomas da contemporaneidade, o excesso de individualismo, exposição e composições performáticas, um Show do Eu como afirma a antropóloga Paula Sibilia.

Em O show do eu: a intimidade como espetáculo, Paula Sibilia reúne teoria e prática para explicar de que forma nossa sociedade legitimou uma cultura de observação do outro e, ao mesmo tempo, da exposição de si próprio.

Na atualidade a teatralização dos perfis digitais parece mais importante que o conteúdo a ser gerado. A rapidez e a vontade de comunicar o tempo inteiro, ou seja, fazer o “show”, torna-se mais importante que investigar e produzir provas para as instituições competentes.

Mas nem tudo está perdido.

Acima vídeo recente da Globo News, nele o jornalista investigativo Caco barcelos, um dos mais renomados no Brasil, confronta a articulista Eliane Cantanhêde da Folha SP.  A incapacidade de gerar provas consistentes que Caco aborda, bem como seu temor sobre os rumos do Jornalismo Investigativo, está também, ainda que não apenas, ligado a velocidade da comunicação na atualidade. O jornalismo de forma errada (ao meu ver) tenta adequar-se ao twitter, distancia-se do papel de mediador que observa agora uma maior circulação de informações, o que poderia qualificar a sua reportagem, e assume a bandeira do conteúdo rápido, impreciso e superficial.

Exposição também tem o outro lado. Mais diálogo pode ser profícuo.

Na série de prints do Twitter acima, vemos uma deputada e dois jornalistas da mesma empresa debatendo publicamente. A deputada Manuela D’Àvila (PCdoB) comenta o editorial do jornal Zero Hora que ataca o Governador Tarso Genro (PT), o governador respondeu através de uma entrevista a Agência Carta Maior (aqui), afirmando que o jornal distorceu sua fala no MP aqui, manipulando o conteúdo de sua palestra. entenda o caso lendo o Sul 21 aqui.

Na sequência de sua explanação no Twitter, a deputada (também jornalista) é confrontada por Giovani Grizotti da Zero Hora (RBS), instantes depois tem em sua defesa a posição de outro jornalista, André Machado, Rádio Gaúcha, também do grupo RBS. Nesse caso, diferente do primeiro, Reinaldo Azevedo (Veja), temos um debate que não fragiliza os emissores, bem como beneficia os leitores que dificilmente teriam oportunidade de presenciar o conteúdo e posição de ambos de forma pública.

As incertezas são grandes sobre o futuro da comunicação em épocas de internet. Com a entrada e crescimento da verdadeira opinião pública na comunicação, ou seja, dos cidadãos comunicando com potência, o que será da mediação do jornal dependerá deles empresários do setor.

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