Jornalismo

“De Penitenciária em Charqueadas, detento acessava internet e seguia (e era seguido pela) @zerohora”

O título acima é uma paródia motivada pela manchete de Zero Hora do dia 11/08 (21h36 – Link polícia), nesse dia e hora a versão digital do jornal publicou: “De Penitenciária em Charqueadas, detento acessava internet e seguia governador Tarso”, na sequência o jornal sentencia sem pestanejar:condenado a 40 anos de prisão por assalto a banco usava um celular para se conectar (abaixo).

O título é no mínimo leviano, apesar de retratar uma verdade, o perfil de twitter atribuído ao presidiário seguia o perfil público do governador Tarso Genro, assim como seguia boa parte do grupo RBS, cito: @Talentos_RBS, @kzukars, @rbstvsc, @carlafachim, @RBSeventos, @zerohora, @rosaneoliveira, @rbstv, @alinemendes_,  @transitoZh, @rdgaucha, @noticias_rbs. Vale citar que o Governador era só seguido, mas a @zerohora era seguida e seguia o presidiário no Twitter, inclusive dele ganhou RT.

No texto Zero Hora descreve o perfil do jovem e sua condenação, bem como o momento de descoberta do celular em Charqueadas, em nenhuma linha é feita mais alguma correlação com o governador, com a ferramenta Twitter, nem tampouco é explicado como funciona o ato de “seguir” e ser “seguido” nessa rede social digital. O motivo de envolver o nome do governador no título dessa manchete da página policial nem cogito que fosse explicado.

Na manhã seguinte a Zero Hora impressa traz o tema novamente, pág. 53 – Policia (print abaixo), a matéria é assinada pela jornalista Carolina Rocha: “Apenado é suspeito de usar o Twitter”, o título já é outro, a jornalista afirma que o perfil de twitter foi “criado em nome” do presidiário, o texto não afirma mais com veemência que era o jovem que atualizava o twitter, já fala-se só em suspeito, até a tese da mãe do jovem aparece afirmando que o perfil de twitter era mantido pelo irmão menor, o que pode em parte explicar o motivo do perfil ter o nome “Rodrigo Cero Rodrig” mas login @ViniciusVincent.

Sinceramente não achei palavra melhor que “leviano” para explicar a manchete e a mudança de texto do jornal Zero Hora. O detento terá de explicar o uso do celular, sem dúvida, mas o jornal não terá essa obrigação, não precisará explicar nada, não precisará falar sobre a mudança do texto, nem por que cita o governador e não cita a sí próprio e seus jornalista.

Acho que está mais que no momento de Zero Hora escrever um Código de Ética para a sua redação, assim como a Globo fez poucos dias atrás, quem sabe também estrear um Ombudsman como a Folha, assim o vexame poderia ser menor.

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