Cibercultura

5,5 milhões de Congoleses morreram, mas veja o lado bom, seu Smartphone vibra.

Grata surpresa ver na Revista Galileu (237 – Abril 2011) a matéria “Gadgets de Sangue” (AQUI), alusão direta a “Diamantes de Sangue”, denúncia do genocídio de milhares de africanos no processo de extração e contrabando de diamantes em países da África, em especial Serra Leoa, uma guerra civil silenciosa, animada e maquiada por grandes mercadores de jóias, no caso dos Gadgets de Sangue, por grandes corporações de tecnologia na busca de matéria prima barata de qualidade.

Deslocamentos humanos em fuga das áreas de conflito (foto: Andrew McConnell)

Em 23/10/2009 comentei  rapidamente o caso em “Liberdade na internet? Debate simples ou complexo?”, onde registro o tema da extração dos minérios CoLumbita e Tantalita, conhecidos como COLTAN, no CONGO, em 09/11/2009 relembrei do tema em “Fiscalização flagra escravos em escavações para rede da Claro”, breve matéria do site da Fórum, onde a Claro, um dos grandes representantes das telecomunicações, contemporâneo setor de ponta do capitalismo pós-moderno, usufrui de forma “terceirizada” das relações de trabalho escravagistas. Talvez a história não funcione em linha de tempo.

Nesse mês, a matéria aborda o já conhecido financiamento das milícias no leste do Congo pela extração de minérios para o setor de tecnologia, ainda que a guerra civil do país tenha terminado em 2003, 5,5 milhões de mortos, o conflito mantém-se na região em torno da extração de minérios como o Tântalo (armazenamento de energia), o Tungstênio (vibração de celulares), Estanho (solda) e Ouro (conectividade da fiação), essenciais para fabricação de gadgets atuais como notebooks, smartphones e tocadores como o Ipod. Estima-se que no mercado ilegal esses minérios cheguem de 30% à 50% mais baratos que aqueles de fontes “confiáveis”.

Na outra ponta GANA, um dos principais lixões eletrônicos do mundo (foto: Pieter Hugo)

O contrabando e extração dos minérios não guarda apenas o problema de financiarem as milícias, para sua extração homens, mulheres e crianças são recrutados, as crianças ganham pouco mais de 1 U$ por dia, o equivalente mensal a alguns apps vendidos na AppStore ou na AndroidMarket. Serão as milícias que extraem para se financiar, ou o “mercado” que anima conflitos para acessar matéria prima barata? Ambos, com certeza. Na ponta da cadeia de negócios você envolto em sua era de criatividade.

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4 comentários sobre “5,5 milhões de Congoleses morreram, mas veja o lado bom, seu Smartphone vibra.

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