Especismo

Nunca confiei em capitalistas, tampouco em humanistas e socialistas que não enxergam para além de suas espécies.

Com um dia de idade a nova gorila coloca na mão de sua mãe Kijivu no jardim zoológico de Praga, em 03 de maio de 2010. (Cizek MIchał AFP / Getty Images)

Tempos atrás estava na parada em frente minha casa esperando o C2 (ônibus) passar, do outro lado da rua uma jovem alimentava um cão de rua, ao meu lado um senhor murmurou: “em vez dela alimentar uma criança”, retruquei: “quem tem preocupação com outras espécies provavelmente tem mais sensibilidade com seus iguais que aqueles indiferentes com os animais”, a conversa ficou por ai. Nunca confiei em capitalistas, tampouco em humanistas e socialistas que não enxergam para além de suas espécies.

A desigualdade social entre os humanos (na moderna democracia) é definida por “n” variáveis econômicas, políticas e culturais que determinam o papel de cada um na vida em sociedade, definindo o que cada um contribui e recebe do (e no) todo social. A divisão de classe é um dado incontestável que por vezes assemelha-se as concepções de Castas da antiga Índia, a diferença é que se na sociedade de castas (antiga) a posição era definitiva, na democracia esta garantido o ambiente de insurgência, o ambiente de rebeldia e luta social dos marginalizados(as).

A realidade social é assim um fator mutável, pode-se mudar os números das variáveis. Mas e as variáveis?

A vida num sentido amplo é bem mais complexa que númeras variáveis de desenvolvimento e crescimento, equilíbrio no acesso a bens e direitos na democracia, a abundância para todos(as) poderá não demonstrar-se uma equação sustentável do coletivo, bem como geradora de felicidade e consciência inter-espécies. Ainda assim é uma possibilidade mais justa no horizonte das capacidades e lutas humanas contemporâneas. Viveiros de Castro diz que “a suficiência é uma relação mais livre que a necessidade”, mas ainda não entendemos isso.

Mas e as espécies que não contam com a possibilidade de insurgência?

Intermináveis cidades materializam-se em frente a inúmeros animais que não encontram nela espaço para viver, o que poderão estes fazer? Fora das áreas urbanas, indústrias definidas como agronegócio são erguidas, cercadas e higienizadas para tirar do solo e da vida ali confinada o máximo possível.

O cão e a jovem (do 1º parágrafo) tratam disso, tratam dessa necessidade de respostas que “uma” sociedade deveria gerar para todas as espécies, porém a dialética de uma nova sociedade geradora de novos homens/mulheres precisa primeiro gerar  esses novos (as) para brotar, pois a construção não é apenas de uma nova sociedade, mas também de homens e mulheres em suas individualidades, com respostas concretas à práticas preementes para aqueles que não tem a luta social como possibilidade. Aos animais vem restando apenas a auto-defesa da vida física, carregam inconscientes uma tarjeta na testa de mais um “recurso natural”.  (Lucio Uberdan).

Um macaco Imperador Tamarin, nativa da floresta amazônica, experimenta a sua nova casa em que vive na floresta recinto ZSL Zoológico de Londres, em Londres, em 25 março de 2010. "Mata Vida", construída dentro de uma cúpula de biocombustíveis, é um criatório para o livre-vagueando macacos, preguiças, tamanduás árvores e pássaros. Ele inclui, chuva real, as árvores vivas e climas tropicais, o que é esperado para ser um ninho de amor para um grande número de animais ameaçadas de extinção. (STANSALL BEN / AFP / Getty Images)

Black Rhino, Baraka (suaíli a bênção), cegos pela doença, alimenta-se de um ramo, durante uma visita à-Ol Pejeta tutela em Nanyuki, Quênia, Japão's Crown Prince, sua Alteza Imperial Naruhito em 12 de março de 2010. (Dahir MOHAMED AFP / Getty Images)

Um pássaro molhado de óleo luta contra o óleo slicked lado do navio Iron Horse fornecimento HOS no site da Horizon derramamento de óleo em águas profundas no Golfo do México, ao largo da costa da Louisiana domingo, 9 de maio de 2010. (Foto: AP / Gerald Herbert)

Voluntários Cara BRound detém a-dia de idade do bebê Sykes Monkey ser tomados cuidados de dez no centro de resgate Trust Colobus perto de Mombasa, no Quênia após a sua 'mãe foi eletrocutado, 23 de março de 2010. De acordo com o Fundo, a população de Sykes Monkeys caíram de 800, há três anos para 600. (REUTERS / Okanga Joseph)

 

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