Cibercultura, Democracia

Entrevista com Clay Shirky na Galileu sobre Redes sociais e democratização do Estado

Apesar das perguntas serem superficiais e não tocarem em pontos nevrálgicos como o formato legal da institucionalização da participação popular via meio digital, a rápida entrevista é uma boa leitura pois avança  da concepção do clicar  em um botão de sim ou não, mas transcorre na idéia do cidadão que informa o Estado da realidade local de sua cidade, bairro e rua, formatando assim ações públicas direcionadas para além de uma decisão genérica de recursos. (Lucio Uberdan)

Editora Globo

Clay Shirky, consultor e professor de Efeitos Econômicos e Sociais das Tecnologias da Internet na Universidade de Nova York (Reprodução: Creative Commons)

Na Galileu – Imagine se todas as pessoas reunidas em comunidades inúteis do Orkut usassem o mesmo empenho para elencar problemas do bairro, do buraco na avenida à falta de policiamento. E, com informações fornecidas pelas próprias prefeituras, se reunissem online e decidissem onde seria melhor realizar investimentos. Clay Shirky, consultor e professor de Efeitos Econômicos e Sociais das Tecnologias da Internet na Universidade de Nova York, aposta na força das redes sociais e da informação livre como elementos de transformação nas cidades. O especialista esteve no Brasil para uma conferência sobre soluções para as cidades do século 21, e. conversou com a Galileu sobre como redes sociais e novas tecnologias vão mudar a cara das metrópoles. Para melhor.

Como as novas tecnologias de comunicação estão modificando as cidades?
A primeira modificação no espaço urbano é esconder os limites sociais da cidade. Muitas das importantes oportunidades nas cidades vêm através de pessoas e não de recursos naturais. Desde o que devo comer, onde comer, onde morar etc, todas essas oportunidades são descobertas por redes sociais. As pessoas perguntam para seus amigos, ouvem dizer etc. As redes sociais estão nos dando a oportunidade de ver através das paredes.

Quando a internet apareceu, gerou uma grande especulação acerca de seus efeitos econômicos. Os EUA pensaram que através dessa comunicação, as pessoas iriam se afastar, deixar as cidades e morar no campo etc, que não precisariam mais morar perto umas das outras. Porém, ocorre exatamente o oposto, as pessoas estão se organizando e – especialmente as pessoas mais jovens, cada vez mais, através das redes sociais – querem viver mais perto umas das outras.

E na relação das pessoas com o governo, o que mudou?
Na maioria dos casos as pessoas e as cidades só envolvem o governo quando algo está indo errado. Você espera que o governo mantenha as cidades limpas, as escolas funcionando e assim por diante. Porém, a questão tem que ser: como as pessoas podem ajudar o governo a atendê-las melhor? Então, é uma questão de população e governo encontrarem, juntos, maneiras de resolver os problemas da melhor forma. Esse é o grande desafio.

E como a população poderia ajudar o governo?
A população deveria compartilhar informação com a administração pública. Tem vários exemplos de como fazê-lo. Por exemplo, ninguém melhor que o cidadão sabe o estado em que se encontra determinada estrada. Quanto antes ele reportar isso para a administração, melhor será para todos. Porém, o que se deve fazer, é priorizar as necessidades e não apenas reclamar. Em Nova York nós temos a linha 311, uma linha direta com a administração pública, em que as pessoas podem fazer esse tipo de aviso. E cada vez que as pessoas levam uma demanda e têm um feedback com ações, eles querem participar mais, o que ajuda a administração com seu trabalho. É envolver os cidadãos e deixar eles requererem seus próprios projetos e leis.

Você mais exemplos reais bem sucedidos?
Teve um exemplo extraordinário em Austin. A cidade estava comprando um novo sistema de administração de informações. Eles ia compar o programa de uma empresa da Califórnia. Porém, Austin é uma das mais importantes na área da computação. Então as pessoas escreveram para o Conselho da Cidade e disseram que eles deveriam usar o talento que a própria cidade tem e ainda deveriam desenvolver softwares livres para quem quiser poder contribuir com o desenvolvimento do programa. Foi isso o que fizeram. Esse é apenas um dos muitos exemplos que já existem, dos cidadãos disponibilizando (gratuitamente) seu trabalho e em troca o governo disponibilizou a plataforma para eles trabalharem.

Conhecimentos assim poderiam até mesmo ser transmitidos de uma cidade a outra, não?
Então, quando pensamos no relacionamento entre cidades, na busca de soluções para problemas comuns, é isso que temos que pensar. Quando Saõ Paulo tiver uma solução deve compartilhar (gratuitamente) com outras cidades, pois quando outras cidades tiverem boas soluções também poderão compartilhar . E isso só pode acontecer se você tem informação global disponível. É assim que soluções vêm. As novas tecnologias e as redes sociais são formas que existem para as pessoas se organizarem por elas mesmas, sem precisar contar e confiar que o governo faça tudo.

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