Eleições 2010

CNBB cospe no prato do governo que lhe deu a melhor janta (MSC-134/2009).

Em 27 de agosto de 2009 escrevi (abaixo) o post “Estado Brasileiro deixa de ser laico” no blog Brasil Autogestionário do qual faço parte. O post critica “o acordo internacional entre Brasil e Vaticano (MSC-134/2009), que cria o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil”. No post por “n” questões externo meu descontentamento frente a “parceria” que dá a CNBB uma envergadura que ela não merece.

Ontem com o caso panfletos CNBB Regional Sul 1 (que já se arrasta desde o 1º turno) sendo aprofundado e transformado-se em caso de polícia (Federal), fico mais convencido ainda do erro cometido pelo governo Lula em servir bem o prato da CNBB. Nunca antes nesse país a entidade teve um acordo internacional nos moldes do MSC-134/2009. Lavou literalmente a alma e os cofres, em troca oferece o que? Traição.

A CNBB não consegue (ou não quer) controlar um dos seus Bispos tucanos, e nem falo sobre controle da crítica oral, de sua militância política, mas sim do uso das “arcas” da Igreja, que no caso financiaram os panfletos partidários. Se de fato foram cotados 20 milhões de panfletos, eles não custariam menos de 600 mil reais (+ de meio milhão de reais). de onde saiu (sairía) essa dinheirama toda? Isso é previsto no Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil?

Isso só me convence ainda mais do que eu já pensava 27 de agosto de 2009. A CNBB cospe no prato do governo que lhe deu a melhor janta.

“Estado Brasileiro deixa de ser laico” Por Lucio Uberdan (27 de agosto de 2009)

 

https://i1.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f4/BentoXVI-1-09052007.jpg/280px-BentoXVI-1-09052007.jpg

Das catacumbas seus seletos fiéis estão operando santíssimo.

 

Ontem a noite a Câmara Federal aprovou o acordo internacional entre Brasil e Vaticano (MSC-134/2009), o acordo cria o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, algo justo, muito justo, justíssimo se tivesse como centralidade a liberdade de culto religioso, porém não é isso que faz com que esse texto circule com tanta urgência.

Registro de ante-mão todo o meu respeito aos setores de esquerda católicos, em especial as pastorais que se colocam na luta cotidiana, como a Pastoral Operária, da Juventude e da Terra. Porém esse acordo entre Brasil e Vaticano, através da CNBB, promoverá novamente possíveis crises de orientação religiosa no país.

O tratado é quase que exclusivamente uma peça de negócios, que circula por fórmulas que rumam para a isenção tributária das PUC, consolidam a flexibilização dos direitos dos trabalhadores(as) empregados na igreja, e cria reserva de “mercado” com o ensino religioso nas escolas públicas.

O acordo aventura-se por exemplo “sobre o ensino religioso, o casamento, a imunidade tributária para as entidades eclesiásticas, a prestação de assistência espiritual em presídios e hospitais, a garantia do sigilo de ofício dos sacerdotes, visto para estrangeiros que venham ao Brasil realizar atividade pastoral”.

O texto também causa sérios prejuízos nas relações trabalhistas internas a Igreja, “fica determinado que a atuação de ministros ordenados e fiéis consagrados não geram vínculo empregatício com as dioceses ou institutos religiosos em que exerçam a atividade religiosa”.

Na Câmara a maioria dos partidos vacilou frente a força da Santa Sé, o governo já havia vacilado antes. Entre os Partidos mais conhecidos, saúdo o PSOL que orientou por NÃO com uma bela defesa do deputado Chico Alencar. Saliento que até onde pude acompanhar, o PSOL foi o único partido que orientou NÃO. O restante dos Partidos foram exclusivamente pragmáticos.

Entre os inúmeros pontos confusos do tratado, cito um dos centrais – A  obrigatoriedade de oferecimento de disciplina de ensino religioso nas escolas públicas:

1.1)Ainda que seja facultativo a matrícula, a indução do ensino religioso será muito forte por parte da igreja católica e evangélica que tem a catequização como meta,a  primeira a centenas de anos;

1.2)É uma tristeza que o estado Brasileiro funcione na educação induzindo a aceitação religiosa, o papel do estado deveria ser oferecer em mesma condição o direito a uma criança aderir ou não a aceitação religiosa, ou o ateísmo não existe e não deve ser respeitado pelo Estado?

1.3)É público e notório que o exercício da fé religiosa na educação das crianças brasileiras, em especial pelo pensamento hegemônico da igreja Católica, se dará também sobre orientações politizantes, como por exemplo a penalização do aborto e a negação da luta de classes – ainda que tenhamos importantes setores progressistas na Igreja, como a Teologia da Libertação, temos igual clareza que eles são minoritários.

Alguém esquece a fala de Dom Eusébio Acheid, influente Arcebispo do RJ, um dos 116 Cardeais que participaram do Conclave que escolheu o novo Papa em 2005 para a revista VEJA – “Lula não é católico, é caótico. Ele e o Espírito Santo não se entendem bem. Você acha que o Lula conhece o Espírito Santo?”. Lula “não tem uma fé retilínea” porque “nasceu em um meio operário, com todas as confusões, nunca teve uma formação e um aprofundamento da própria fé”. Falou ainda que “quem é católico não pode ser a favor do aborto. Quem é cristão e quer seguir Cristo não pode estar de acordo com isso. São essas coisas que chamo de caóticas, não há uma linha clara”. O arcebispo chegou ao ponto de comentar um encontro de Lula e Fidel Castro nos seguintes termos: eram “dois bobocas se encontrando”.

1.4)Nenhuma das demais confissões religiosas atuantes no Brasil tem condições estruturais de “competir” com a Igreja Católica e a Igreja Evangélica, igrejas milionárias, o que atingirá fortemente as confissões de menor ou nenhum poder econômico como as Afros;

1.5)A obrigatoriedade rasga muitas das discussões que fundamentaram a LDB, bem como a Constituição Brasileira que defini o estado como Laico, um meio termo entre Estado Confessional e Estado Ateu;

A matéria vai para o combalido Senado Brasileiro, que já deveria ter sido fechado. Lugar onde o texto poderá piorar ainda mais. O Brasil deu dois passos atrás, o Vaticano fez um belo negócio.

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