F. Dostoievski, Livros, Luther Blissett, M. Górki

Bons livros para “bons fins” de semanas

Esse post eu fiz para o blogue de Economia Solidária que participo, aproveito então, para raptar seu reflexo para cá. (Lucio Uberdan).

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Faz alguns meses (2,5 meses) que me afastei um pouco dos livros técnicos (Sociologia, política, antropologia e cibercultura), dedicando as horas vagas que tive deste fim de 2008 e início de 2009 para a literatura. Esse período tive a experiência de três livros, os quais relato e indico abaixo.

Em dezembro lí O JOGADOR (F. Dostoievski), um livro desgosto para o autor, ainda que Dostoievski não gostasse do mesmo, o livro vale muito a leitura, com poucas revisões, e escrito em um período economicamente difícil para o russo, ele ainda assim, de início ao fim, marca muito bem a qualidade narrativas desse escritor, que como ninguém sabe expressar os devaneios da mente humana quando encontra-se sobre pressão, Dostoievski sem dúvida é um dos maiores escritores da história russa.

Atualmente estou lendo  INFÂNCIA (M. Górki) outro escritor russo. Infância é o livro 1 da trilogia auto-biográfica de Gorki, junta-se a ele GANHANDO MEU PÃO livro 2, e MINHAS UNIVERSIDADES livro 3. Como ainda estou no meio do livro, página 120, não vou comentar, mas deixo AQUI uma passagem do Le Monde Diplomatique sobre o mesmo. Ainda assim, vale dizer que toda novidade da escrita de Gorki se faz presente nesse livro, assim como em sua obra mais famoso, a MÃE, a belas descrições simbólicas articulas a mais profunda realidade dos personagens, seja para alegria, seja para o sofrimento, estão lá presentes.

Mas neste post em especial, quero falar mais especificamente do livro que lí no intervalo dos dois acima citados, Q. O CAÇADOR DE HEREGES (593 pag.), um épico de tirar o fôlego, de fantástico enredo, tenso de início ao fim e emoldurado por uma dedicada pesquisa histórica. O livro conta a ascensão dos Luteranos, o surgimento dos Anabatistas, e os movimento da Santa Sé com a Inquisição. O livro tem dois personagens centrais, o jovem teólogo (Gert) seguidor de Lutero, herege que rompe com os luteranos, denunciando a traicão destes, Gert torna-se um dos principais articuladores dos Anabatistas na Alemanha. De de outro lado temos Q. (Qoelet), o principal espião da Santa Sé na Alemanha. Durante todo o livro, eles vão travar sem saber, uma fantástica partida de xadrez, que vai se decidir apenas nas últimas páginas. O livro passará por quase toda a Europa, e pelas relações políticas entre os príncipes, reis, banqueiros, igreja católica e os jovens luteranos, rapidamente convertidos como os católicos, ao poder dos príncipes e ao dinheiro dos banqueiros. Muitos diálogos, história, ação e conspiração, impossível ao fim do livro se pensar, quando vão filmar ele.

O mais interessante ainda, é que Q. O CAÇADOR DE HEREGES (593 pag.) é um livro coletivo e livre, pode ser baixado na web. O seu autor Luther Blissett na realidade não existe. Luther Blissett é um pseudônimo multi-usuário, uma identidade em aberto, adotada e compartilhada por centenas de hackers, activistas e operadores culturais em vários países, desde o verão de 1994. Na Itália, no período 1994-1999, o chamado Luther Blissett Project, adquire notoriedade, uma espécie de herói popular da era da informação que organiza zombarias, passa notícias falsas aos mídia, coordena heterodoxas campanhas de solidariedade a vítimas da repressão.

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O romance Q é redigido no triênio 1996-98 por quatro membros do grupo, sendo publicado pela editora Einaudi em março de 1999. Os quatro autores do Q, o Caçador de Hereges saem a céu aberto em 6 de março de 1999 com uma entrevista para o diário La Repubblica: “Os nossos nomes têm importância mínima e a das nossas histórias individuais é ínfima. Somos a equipa que escreveu Q”.

Em dezembro de 1999 termina o Plano inicial. Todos os veteranos (os que utilizam o nome desde 1994) perpetram um suicídio simbólico, denominado Seppuku (suicídio ritual japonês). O encerramento do Luther Blisset não implica de forma alguma no fim do pseudônimo, que continuará a ser adotado por muitas pessoas em vários países.

Em janeiro de 2000, uma quinta pessoa alia-se aos autores do Q e nasce uma novo grupo, Wu Ming (”anônimo” em chinês mandarim). O livro Q tem passagens que lembram muito a escrita de Umberto Eco, rumores dizem que o livro também teve a mão a do escritor, mas nada realmente concreto.

Clique a seguir e faça o download do livro Q CAÇADOR DE HEREGES. Boa leitura!

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