Na produção dos produtos chamados “imateriais” (conhecimento, música, vídeos, códigos, etc.), reside um mercado que movimenta muita riqueza, e de forma proporcional e inversa, produz com relativo baixo custo, salvo algumas especificidades que são inflacionadas propositalmente – como o Cinema. Em geral, na produção do produto imaterial, o custo maior encontra-se numa primeira peça, a matriz – a música é um bom exemplo, após a produção da matriz, o custo da produção da segunda cópia em diante, é o da replicação em CD da cópia primeira – da matriz. Vale citar ainda, quando imaginamos que, se avançarmos na comercialização das músicas pela web, algo hoje já muito comum na Europa, mas também em crescimento no Brasil, a segunda fase da replicação do CD citado, ficará quase obsoleta.
Por serem resultado de um trabalho muito especializado, e de muita demanda, os produtos imateriais concentram muita riqueza agregada, que na maioria das vezes contrastam com a possibilidade de serem fabricados com baixo investimento. Um bom código hoje, ou seja, um bom software como o milionário ORKUT, foi fabricado por um sujeito (por curiosidade com esse mesmo nome: Orkut Buyukkokten – foto) , com um computador pessoal, nos horários de intervalo de seu trabalho na empresa Google.
Cabe-se citar ainda, que com o advento da internet, e seu aumento constante de cobertura, bem como, o recente start da TV digital e uma crescente popularização das licenças autorais permissivas, apresenta-se um futuro ainda de muito aquecimento para esse setor, em grande parte novo e com forte tendência a inovação.
Em suma, o mercado da produção imaterial, é altamente rentável, inovador e propulsor em conjunto com a internet, de todo um novo ciclo de negócios, cito aqui o vídeo EPIC AQUI como uma ilustração disso, ainda que, acabem fim ao cabo, sendo quase na totalidade apropriados pelo centenário modelo capitalista, reproduzindo assim a velha fórmula da exploração e acumulo de riqueza.
Frente as especificidades citadas acima, poderíamos dizer que a produção imaterial, poderá ser um ramo de produção bem sensível a outras formas de organizar o seu trabalho produtivo, de forma diferente da forma capitalista? Como se comportaria, comporta e apresenta-se a autogestão na proposição e produção de produtos imateriais como vídeos, música, códigos, textos, livros, animações, por exemplo?
Acredito, ainda que de forma muito empírica, que a autogestão tem capacidade de adequar-se bem a esse processo, melhor ainda do que foi a forma do trabalho simples e individual e o modelo tradicional capitalista nesse setor, para isso, precisará ela, identificar com clareza os limites que estão colocados – materiais, técnicos e culturais, massificando algumas práticas que hoje são ainda muito marginais, como o Blender e o exemplo do Big Buck Bunny, de forma que ampliem o acesso a produção e uso desses produtos de forma massiva e autogestionária. Mas isso é uma conversa para mais adiante, em alguns próximos posts.