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O governo quer terminar com as palmas, de uma festa que não temos nada a comemorar – Ricardo Antunes no JB, uma entrevista que já no primeiro parágrafo, confunde minhas idéias.

Ricardo Antunes no JB de hoje – “Remuneração do trabalhador caiu” – Íntegra AQUI.

Entrevista interessante. Indiscutivelmente, Ricardo Antunes é um dos mais importantes pensadores mundiais da temática do “trabalho”, quem já disse isso foi Stiván Mézáros. Assim como o Manifesto Comunista, por seu misto de ciência e panfleto, guarda algumas contradições, Antunes por vezes confunde minhas idéias, principalmente quando parte da ciência e tenta mesclar críticas políticas.

Nos primeiros dois parágrafos da entrevista, Antunes faz a seguinte afirmação: “Mesmo um pequeno crescimento mais acentuado significa incorporação de força de trabalho que estava com trabalhos precários, parciais ou provisórios. Cada 1% a mais no crescimento do Produto Interno Bruto é um contingente de trabalhadores que são incorporados. Agora disso a fazer uma comemoração muito grande é que temos que refletir. Primeiro, o nível de remuneração média da força de trabalho tem caído. Tem mais gente trabalhando mas os salários médios são mais baixos. Segundo, o crescimento do emprego tem se concentrado em áreas de trabalho menos qualificadas, o que questiona a falácia de que tendo qualificação o trabalhador tem emprego. É preciso tomar bastante cuidado para não cair na idéia apologética de que agora o país vai para frente.”

Na idéia central, meu acordo com Antunes é automático, mesmo um pequeno crescimento significa incorporação de força de trabalho, porém, o que precisamos não é refletir sobre a comemoração que se faz sobre esse feito, isso é secundário, é político, mas sim, deveria Antunes debruçar-se sobre que incorporação de trabalho está em curso; quais seus limites; quais as alternativas possíveis na conjuntura atual, alertando já no primeiro parágrafo, que o tom da entrevista é outro que a simples  oposição.

No segundo parágrafo, ainda na mesma pergunta, Antunes sentencia-se na corrida pela crítica ao BC, acaba ele por defender “os ganhos dos últimos meses”, o mesmos que ele linhas acima, disse que não valiam de comemoração –  “O terceiro ponto é que, nem bem o país começou a crescer, os níveis de inflação ameaçam voltar e o Banco Central, com sua política restritiva, aumenta os juros. Isso constrange o crescimento econômico e faz com que os ganhos dos últimos meses passem a sofrer limitações.” ou seja, trocando em “miúdos” o primeiro parágrafo da entrevista, teremos a seguinte equação: O governo do PT de certa forma, estimula um modelo de desenvolvimento que não devemos comemorar – culpa do governo; Políticas do governo do PT, no Banco Central, acabam por ameaçar os “ganhos” dos últimos meses, ganhos do modelo que não devemos comemorar – culpa do governo do PT de novo.

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