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Paulo Coelho, Microsoft e Tropa de Elite – a dádiva capitalista?

Ainda que Paulo Coelho não faça parte de minhas leituras (além do Maktub 1994), é de interessante analise a iniciativa do mesmo em criar um blog (Pirate Coelho), selecionando na internet links onde seus livros estão sendo “pirateados” em várias línguas, divulgando-os e incentivando para que as pessoas façam download.

Claro que isso não é novo, nem franciscano, e sim, mais uma experiência que comprova que a produção imaterial como idéias, musicas, imagens, códigos (ainda que existam em sua materialidade – livros, cds, softwares, dvds) quando distribuídas de forma “gratuita”e viral, através da internet por exemplo, onde pipocam sem custo por aqui e por ali, ocupam um espaço importante numa estratégia econômica do produto em sua materialidade.

É claro que, com a chamada “pirataria” dos livros de Paulo Coelho, sua obra dissemina-se ainda mais, projetando melhores vendas dos livros no formato oficial. Isso não é uma tese nova, ainda que necessite de mais analise. O compartilhamento livre, no atual cenário de uma rede mundial de computadores, é um espaço fantástico de construção, divulgação e distribuição de um produto, em especial, a produção imaterial, que articulada com outras estratégias capitalistas de mercado, faz do malefício da pirataria um importante combústivel para ampliação das vendas e dos lucros.

O caso Microsoft é semelhante, incentivam a pirataria para consolidar uma massa crítica de milhões de brasileiros/as, que só sabe usar o sistema windows e seus acoplamentos – word, excel, etc. Após a construção dessa massa crítica, chegam no estado para cobrar os milionários custos de licença – royalties.

O sucesso do fraco filme Tropa de Elite é de certa forma semelhante ao tema do post, construíram o mito do filme através da pirataria, ou sendo mais rigoroso no conceito, construíram o mito com apoio dos Novos Corsários (termo usado pelo sociólogo Sérgio Amadeu), ou seja, a pirataria em alguns casos, como do windows e do Tropa de Elite (acredito eu), acaba ficando com uma parte muito baixa dos rendimentos que ela cria, de outro lado, cria um ambiente para uma grande lucratividade sem custo algum ao produto que ela em tese estaria lesando. Quantas propagandas do windows você já viu em TV aberta? pois bem, ainda que sem esse custo por exemplo, o windows esta em milhões de lares brasileiros de forma “ilegal”, e de forma legal, em milhões de computadores dos governos, universidades, escritórios, cobrando a venda do produto e os royalties dos mesmos.

Piratas acumulam para si próprios, os Corsários acumulam para o Rei, uma marinha barata, detentores de uma Carta de Corso, esses ficam com uma pequena parte da pilhagem, sendo a grande parte repassada ao rei, em troca, o rei garante uma certa imunidade.

O que seria do fraco Tropa de Elite se o filme não tivesse “vazado” na rede antes de ser lançado, se não tivesse as milhares de oficinas clandestinas de gavação de DVD, se não tivesse milhares de trabalhadores expulsos do sistema formal de trabalho e emprego, que hoje acumulam-se em torno da nova profissão chamada camelô. A tendência era o Tropa de Elite causar o mesmo impacto que normalmente outros filmes brasileiros causam, mas acabou que encheram as burras com o que em tese deveria ser prejudicial, a chamada “Pirataria”.

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