Política

“Em defesa de Renan” – não eu, ainda assim, o bom tele-show e seus palhaços pugilistas não cessarão, temos aqui a base parlamentar e o modus operandi do PI – Partido da Imprensa.

Por: Ricardo Noblat – esse é confuso, mas esse artigo ficou até interessante.

(* rápidos comentários ao final)

Com a ajuda de votos garimpados em todos os partidos – à exceção do PSOL, que só tem um senador, Renan Calheiros escapou de ser cassado na semana passada por quebra de decoro. Por que em troca deveria largar o cargo de presidente do Senado como querem alguns líderes da oposição? Nunquinha. É golpe. Contra ele e o Senado que o absolveu.

Vejam o que disse o senador Sérgio Guerra (PE), futuro presidente nacional do PSDB, a propósito do clima que se vive no Senado: “Isso não vai mudar enquanto o Renan achar que ganhou”. E o que disse Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado: “A Casa elegeu Renan duas vezes presidente, agora o absolveu, e ele não percebe que deveria fazer algum gesto de retribuição”.

Guerra: atentai bem. Renan ganhou. Ele não acha que ganhou – ele ganhou com folga. Quer que eu desenhe? Foram 40 votos pela absolvição dele, 35 pela cassação e seis abstenções.

Você sente muito? Eu também sinto – e toda a torcida do Flamengo. Na prática, os seis senadores que se abstiveram votaram a favor de Renan. Era preciso o mínimo de 41 votos para cassar-lhe o mandato.

Virgílio: atentai bem. Sua declaração não tem pé nem cabeça. E você sabe disso. Quer dizer que Renan “deveria fazer algum gesto de retribuição” por que duas vezes foi eleito presidente do Senado? E por que acabou inocentado da acusação de ter mentido aos seus pares no caso do pagamento das despesas de sua ex-amante?

O que é isso, companheiro? O Senado dá três provas seguidas de confiança em Renan e, como sinal de agradecimento, ele deveria retribuir com um gesto do tipo sair de cena por um tempo?

Ele retribuiu, sim. Disse, e com toda razão, que não existe ninguém melhor do que ele para presidir o atual Senado. Você discorda, Virgílio? Pois 46 dos 81 senadores concordam.

Atribui-se ao PT a maior parcela de culpa pela absolvição de Renan. O PT tem 12 senadores. É certo que pouco mais da metade deles votou para livrar a cara de Renan.

Mas o PSDB também deu uns votinhos para Renan por debaixo do pano, você sabe, Virgílio. E José Agripino Maia (RN), líder do DEM, sabe que o partido dele ofereceu no mínimo oito dos seus 17 votos.

O fato é que a maioria dos senadores preferiu ignorar as provas de quebra de decoro que condenaram Renan no Conselho de Ética por 11 votos contra quatro. É claro, no Conselho – coitadinhos! – eles votaram à luz do dia. No plenário, às escondidas, sentiram-se, digamos, mais à vontade para expressar seus reais sentimentos.

Quer saber quem sorri à toa da decisão do Senado? Lula. Ganhou ali um aliado morto-vivo na presidência. Reforçou sua aliança com o PMDB e demais partidos amigos. E mostrou mais uma vez que faz do PT gato e sapato – pobre PT!

É conversa mole que o governo enfrentará dificuldades para aprovar no Senado a prorrogação da CPMF simplesmente porque preservou Renan. Com a expectativa de ver José Serra ou Aécio Neves no lugar de Lula a partir de 2011, o PSDB ficará a favor da prorrogação da CPMF mais dia, menos dia.

De resto, governo pode muito. Tem grana sobrando e cargos para distribuir com eventuais descontentes. E governo para quem a vida lhe sorri, esse pode muito mais.

Em 2006, o poder aquisitivo dos trabalhadores aumentou 7,2%. Foi o melhor resultado em 11 anos. O aumento acumulado desde 2005 é de 12,1%, segundo o IBGE.

Para a metade mais pobre deles, 2006 foi disparado o melhor ano desde o lançamento do Plano Real. Cresceu 4,7% o número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada. De cada cinco novos empregos, três foram criados no mercado formal. A taxa de desemprego caiu de 9,3% em 2005 para 8,4% no ano passado. É a menor desde 1997.

Por último: em quatro anos do primeiro mandato de Lula, surgiram 8,7 milhões de novos postos de trabalho. Sim, quase esquecia: durante a campanha, ele prometeu 10 milhões.

E daí? Deveria pedir as contas mais cedo e ir para casa?

* Comentários – Se o PSOL tivesse dois senadores já tenderia a vacilar, recordem-se da senadora ainda eleita com votos e recursos ($) do PT, Heloísa Helena, na cassação do Luis Estevão, ou as “contas finais da votação” do Roberto Jefferson na camara federal – Recordar é viver. No tão esperado dia da votação da cassação de RENAN CALHEIROS (a grande mídia esforçou-se para que os brasileiros achassem que este deveria ser realmente um grande dia – a classe média respondeu aos anseios da grande mídia, o povo trabalhador deu os ombros e seguiu trabalhando, esse último já vacinou-se contra o circo). No senado, o discuso mais adjetivado ficou a cargo de Heloísa Helena, afinal foi seu partido o solicitante da cassação, com mais esse exemplo, consolida-se em setores do PSOL a estratégia de co-responsabilidade em criar pautas da/para a direita – essa estratégia não é consenso interno no partido, bem como, não se iludam por uma motivação pura de esquerda, afinal, exemplos iguais ao do RENAN existem inúmeros no senado sem serem casos de processo, lembrem-se de uma capa da Caros Amigos. O que temos é uma tática de garantia de espaço na grande midia, tática adotada por um grupo (pequeno) e parlamentar do PSOL. No seu discurso, Heloísa Helena atacou RENAN e de troco, “RENAN acusou a ex-senadora alagoana de estar sendo processada pela Receita Federal, por um débito com o Imposto de Renda Pessoa Física no valor de quase R$ 1 milhão” – Segundo ela, a denúncia de Renan não passa de uma provocação, com o objetivo de confundir a opinião pública. No entanto, a ex-senadora alagoana confirmou que responde a processo no fisco. “O meu problema com o fisco é por conta da verba de gabinete que eu recebia quando era deputada estadual”. Por sorte, mesmo com inúmeros problemas, o governo seguiu trabalhando, já o senado parou e esta parado graças ao esquadrão anti-trabalho (DEM, PSDB e PSOL), o circo em busca de mídia não cessará com seus gritões e pugilistas em saga infindável – LULA aplaude, em rodas fechadas deve dar muitas risadas. E eu sigo aqui, querendo que o PT vá mais para esquerda, e que a verdadeira esquerda do PSOL liberte-se dos seus apresentadores de auditório.

** Isso não é uma crítica ao PSOL, mas sim, uma crítica a estratrégia de um pequeno grupo interno deste;

*** Não tenho dúvida alguma que o assunto e ponto de vista abordado não é o melhor a dedicar-se, teria-se assuntos melhores – mais produtivos sobre a política nacional a serem abordados, preferia eu reproduzir uma discussão fértil sobre a mudança na política econômica, mas o PI e sua base parlamentar anti-trabalho, insiste nas pautas “éticas”, “morais” e no caso amoroso do Renan Calheiros;

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