Capitalismo, Consumo, Cultura, Economia, Economia Solidária, Filosofia, Indústria, Karl Marx, Lógia, Política, Produção, Trabalho

Trabalho e consumo construindo “objetividades” e “subjetividades” (parte I)

Comentado AQUI em 06 de julho de 2008 (Lucio Uberdan).

No inicio dessa semana (21 de julho de 2007), estive dois dias em Novo Hamburgo, mais especialmente na Loja Mundo Paralelo da CONSOL, um espaço de consumo justo e comércio consciente. A estadia que me fez lembrar dois debates acerca de experiências que se complementam, ou pelo menos deveriam: “Trabalho” e “Consumo”, pois, uma vida com sentido, inclusive no ato de consumo, deveria vir em conjunto, ou melhor, precedida de uma vida com sentido no ato do trabalho. (Lucio Uberdan).

O bom e velho barbudo Karl Marx (que nunca foi Papai Noel), identificou no “trabalho” as condições favoráveis para construção da “consciência de classe”, para Marx, o proletariado urbano industrial seria o grande responsável pela transformação social necessária – o socialismo – (formulação conflitante e intermediária entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista) que brotaria (de certa forma brotou) por dentro da crescente exploração capitalista. Seria ele o proletariado (o trabalhador urbano industrial organizado em classe para si) o primeiro a sentir a força e essência exploratória dos capitalistas (detentores dos meios produtores da riqueza – os meios de produção), que através da extração da mais valia (sobre-riqueza produzida pelo trabalhador de forma não remunerada), lucrava enormemente as custas da força de trabalho barata dos proletários (sem os meios de produção, esses detinham apenas a sua força de trabalho para vender).

No motor da construção da história (luta de classes) o capitalismo foi se metamorfoseando (“capitalisticamente” sem dúvida alguma) a produção industrial é poderosa e reflete-se (se reproduz como paradigma) na produção do conhecimento, serviços (um produto diferente) do trabalho informal e do capital financeiro (dinheiro produzindo dinheiro sem lastro produtivo muitas vezes). A tecnologia acaba tendo um papel importante nesse cenário, ela constrói seu espaço, é concebida a contribuir com um papel dramático, não de forma imparcial, mas ainda assim, num conflito entre Fausto(tecnologia sem humanos) e Prometeu(tecnologia para humanos).

A chegada da tecnologias nos meios de produção capitalista fabris por exemplo, em formato de máquinas mecânicas de produção, data de algumas centenas de anos, primeiramente como máquinas que potencializavam a atividade física humana (grandes teares por exemplo), mais atualmente com máquinas que além de potencializar a atividade física, conseguem também produzir raciocínio – cálculos (computadores + softwares por exemplo). Tanto um exemplo (teares mecânicos) quanto outro (hardwares e softwares), inevitavelmente necessitam da participação humana, seja para colocar uma linha e apertar o botão no tear, seja para inserir um código ou um comando para que uma cor, ou um modelo novo, comecem a ser concebidos, invariavelmente, a participação do trabalho do homem e da mulher (trabalho vivo) será necessário e estará presente, ainda que, com o avanço das tecnologias e suas máquinas (trabalho morto) esteja tão visível e a produtividade “indústrial” alcance níveis jamais vistos sem necessariamente inserir novos(as) trabalhadores(as) proporcionalmente na produção. Esses(as) novos(as) trabalhadores(as), ou mesclas deles(as) com os(as) velhos(as) trabalhadores(as) irão direcionar-se para os “serviços”. Na ecada de 50, o número de trabalhadores(as) do ramos dos serviços já era superior ao do ramo indústrial.

Podemos afirmar portanto, ainda que com os aumentos de produtividade e tecnologia na produção indústrial, ainda que com o direcionamento da maioria dos trabalhadores(as) para os setores de serviços, a invariabilidade do processo mantém-se, ou seja, o trabalho humano ainda é o produtor da riqueza, e portanto, a hora-trabalho do trabalhador(a), uma variável central para medir a riqueza produzida, seu custo e o lucro capitalista. Desta forma, fica a meu ver duas questões com necessidade de serem compreendidas:

  1. Se temos consciência da inevitabilidade do trabalho humano por trás da máquina – trabalho morto, e que o avanço das tecnologias refletem em um aumento da produção e produtividade, poderemos afirmar por lógica, que a hora-trabalho do trabalhador(a) vem produzindo muito mais riquezas na contemporaneidade e não o contrário muitas vezes propagandeado. Portanto, uma hora de trabalho do trabalhador(a) tem aumentado a produção de riqueza com o avanço das tecnologias, engordando assim igualmente (cada vez mais) as contas do seu empregador(a), através da extração de mais-valia de sua riqueza produzida – hora-trabalho excedente ao salário do trabalhador(a), hora trabalhada, geradora de riqueza e não remunerada;

  2. Com o avanço das tecnologias para o campo do “raciocínio” (fruto de códigos e comandos da inteligência humana), o trabalhador(a) precisa ser mais específico e especializado(a), e a hora trabalho precisa ser mais qualificada e remunerada, de igual forma portanto, se temos a especialização aprofundando-se por um lado, por lógica teremos uma constante e crescente “marginalização” no processo produtivo, visto que o processo de desenvolvimento das tecnologias produtivas, não é acompanhado de um processo de massa, amplo e nacional de qualificação dos(as) trabalhadores(as). Portanto, o avanço da produção capitalista, articulado ao avanço da tecnológica na produção, é um processo esquizofrênico, por um lado carece de uma mão de obra mais reduzida e especializada, de outro lado, relega a grande maioria de trabalhadores(as) a uma condição de não-participação, de sub-empregos e informalidades;

Como falei no início: “a produção industrial é poderosa e reflete-se (se reproduz como paradigma)”, ainda que não represente mais a maioria dos(as) trabalhadores(as), ela segue o referencial e o trabalho, segue incessantemente produzindo simbologias e sociabilidades de forma muito potente na sociedade, ainda assim, o cenário potencializador da condição de classe “clássica” vem diminuindo, a geografia da fábrica e da produção é outra, o número de trabalhadores(as) no cenário da fábrica diminui, a globalização espalha os(as) trabalhadores(as) por um sem número de lugares: Onde estão os trabalhadores da Nike no Brasil? Na sua comercialização. Ao lado do trabalhador (formalizado) não temos mais outro trabalhador (geralmente), mas sim uma máquina. O paradigma-fabril de nosso enxuto trabalhador(a) formal, esta cada dia mais especializado (tensão e necessidade que o persegue), sem companheiros(as) de trabalho, sua sociabilidade se resignará para após o trabalho (futebol, festas, internet, etc…), momento esse onde geralmente os trabalhadores(as) contemporâneos(as), vão encontrar e incorporar um sentimento de alívio-esperança-estagnação, o sucesso de seu time de futebol ou um “navegar” na internet para muitos(a), pode ser uma válvula de escape frente a incompreensão e incapacidade de junto aos demais, como classe (não de classe operária, mas de classe que vive do trabalho) compreender as transformações em curso, com um olhar crítico, transformador e propositivo.

A exploração do trabalho é o que constróe a base do modelo de produção capitalista, ainda assim, no roteiro da peça (referência ao teatro), a exploração da mais-valia do trabalhador, como elemento de acumulação de capital pelo capitalista que detem o meio de produção, prossegue em sua essência semelhante a mais de um século. O trabalhador(a) informal, da mesma forma que o formal, parece encenar atualmente, partes do Romance a “Mãe” de 1907 do Russo Máximo Gorki, trabalhadores(as): longas jornadas de trabalho; retornos financeiros impossíveis de darem conta do mínimo, para reprodução das necessidades materiais diárias; nenhuma segurança financeira e de trabalho; uma vida social e familiar em constante crise; desagregação social. Enfim, uma vida que tende a repetir-se de forma alienada e nefasta um dia após o outro. O trabalho desta forma, deixa de ser um desejo e simbolo de criação, para aparentar-se com um fardo exploratório.

Por lógica, com a perda ilusória do trabalho como centralizador da sociabilidade humana ocidental (uma diretriz política a ser avaliada constantemente), alguns pensadores percebem no consumo a centralidade contemporânea (afirmação essa necessária de ser ponderada, não defenestrada), posição a ser mediada. Os Shopping-centers tornam-se “catedrais do consumo” contemporâneo, consumir algo torna-se sinônimo do que se é enquanto pessoa, enquanto cidadão(ã). Ter algo específico, usar algo específico, comportar-se no consumir de forma específica, poderá determinar quem tu és? A reprodução como paradigma do viés indústrial, de seu aumento de produtividade reflete-se também no ato de consumir? De onde vem o desejo desenfreado de consumir, consumir e consumir?

Trabalho e consumo, necessitam se reacordarem sobre outro paradigma, onde o trabalho componha essa parceira com um exemplo criativo e livre. O consumo é a apenas uma sombra que tornou-se maior que o tamanho do corpo lhe faz existente. O produto consumo devora seu produto. No vácuo a sombra chama para si a condição de promoção simbólica de sociabilidades na vida social, produzir consumo antes do bem produzido é a lógica do ciclo curto do capitalismo contemporâneo, primeiro formula o desejo e depois o produto que terá dia de nascer e morrer, o número de bens defini a classe (quantas Tvs você tem pergunta o censo), a Grife consumida determina seu poder, o trafico começa sempre pelo tênis importado, o computador branco IMAC é um “sonho de consumo”, o fetiche definirá o valor dessa mercadoria, ainda que seu cálculo base seja a hora-trabalho.

O trabalho a partir de suas fraquezas contemporâneas, percebendo a nova geografia produtiva-indústrial, tem de se potencializar com o consumo, já esse último, necessita obrigatoriamente encontrar na parceria com o trabalho-reinventado, pleno e de sentido, a construção de uma nova perspectiva de percepção individual e coletiva, de pessoa-unidade, grupo e classe no planeta, inclusive, de como e porque consumir e produzir não para a reprodução do capital, mas sim, para o bem estar do complexo das diferentes formas de vida no planeta.

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25 comentários sobre “Trabalho e consumo construindo “objetividades” e “subjetividades” (parte I)

  1. bianca disse:

    olá,infelismente não achei o que procurava só existem milhões de palavras,na minha pesquisa resultou a esse site mas não deu o que ei realmente procurava,mas muito interessante todos os parágrafos.xau

  2. dhione disse:

    ola pessoal eu achei este mesmo texto em um blog com o meso titulo TRABALHO E CONSUMO este texto contem em alguns paragrafos inteiros identico ao outro, entao eu acho que isto foi literalmente copiado!
    nao sei !talvez eles que copiaram este ?
    mas alguns paragrafos mudam alguma coisinha pouca mais ou menos!/
    mas hoje em dia para ganhar dinheiro as pessoas copiam ate textos de outroos blog!
    assim ate eu copio os textos que eu encontro na net e colo no meu blog para ter mais acessos!!!!

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