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Pelotas, Deleuze e a esquizoanálise

Alguns dias atrás, uma amiga me mandou um email acerca de um curso de esquizoanálise que ocorrerá em Pelotas. O mesmo (email) da-se pelo gosto que tenho dos escritos de Deleuze e Gattari, penso que não tenha sido por uma propensa necessidade de análise minha. Penso (o que importa?). Ainda estou vendo a possibilidade de participar do curso. Ver esse email, me despertou para procurar uma revista antiga que tenho, CULT – 108 de Novembro de 2006 – com a inteligente (acho inteligente mesmo) chamada “Gilles Deleuze – Um dia o século será Deleuzeano” – recordei que no dossiê Deleuze dessa revista, tem um artigo de Suely Rolnik acerca da Esquizoanálise, que coloco abaixo para quem quiser ler e entender um pouco mais sobre o tema. Esse é um bom artigo, para entender o que é esquizoanálise e perceber sua realização (a sua realização) na vida cotidiana.

Suely Rolnik é psicanalista e Professora Titular da PUC de São Paulo (coordenadora do Núcleo de Estudos da Subjetividade do Pós Graduação de Psicologia Clínica). Viveu em Paris de 1970 a 1979 (nossa ditadura militar terá algo haver?), onde fez grande parte dos estudos universitários e iniciou a carreira de magistério de Psicologia (Hôpital Maison Blanche) e a prática clínica de psicanálise e análise institucional (entre outras instituições trabalhou na clínica de La Borde com Félix Guattari).

DELEUZE, ESQUIZOANALISTA
Suely Rolnik

No relato de um pequeno episódio, toma vulto a figura inesperada de um Deleuze esquizoanalista. Através de certas ressonâncias deste episódio na subjetividade, o leitor poderá acompanhar alguns meandros de um trabalho com o desejo que se orienta especialmente pela cartografia conceitual deleuziana.

Primeira cena: 1973. Começa uma amizade com Deleuze, cujos seminários venho acompanhando há mais de dois anos. Ele vive dizendo que meu esquizoanalista é ele e não Guattari (com quem efetivamente faço análise), e insiste que trabalhemos juntos. Um dia, me traz de presente um LP com a ópera Lulu, de Alban Berg, e sugere um tema: comparar o grito de morte de Lulu, personagem principal desta ópera, ao de Maria, personagem de Wozzeck, outra ópera do mesmo compositor.

Misturando a Lulu de Berg com a de Pabst (o belíssimo filme com Louise Brooks baseado nesta ópera), sua imagem é a de uma mulher exuberante e sedutora que se envolve com uma significativa diversidade de mundos, numa vida inteiramente experimental. Num período de miséria decorrente de algum episódio em que sua vitalidade sofre o impacto de forças reativas, Lulu sai às ruas para fazer algum dinheiro, em pleno frio de uma noite de natal. No anonimato do michê, ela acaba encontrando nada mais nada menos do que Jack o Estripador, que evidentemente irá matá-la. No momento em que antevê a morte refletida no facão que o assassino aponta contra ela, Lulu solta um grito dilacerante. O timbre de sua voz tem uma estranha força que fascina Jack a ponto dele quase desistir do crime. Também nós somos atingidos por esta força: sentimos vibrar em nosso corpo a dor de uma vigorosa vida que se recusa a morrer.

Já a outra mulher, Maria, é a cinzenta esposa de um soldado qualquer. Seu grito de morte é quase inaudível; confunde-se com a paisagem sonora. O timbre de sua voz nos transmite a pálida dor de uma vida insossa, como se morrer fosse igual a viver. Prossegue>>>>

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Um comentário sobre “Pelotas, Deleuze e a esquizoanálise

  1. luetranger disse:

    se não me engano, a frase do século da chamada é do foucault.

    gostei daqui, vou passar mais vezes.

    []s

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