Filosofia, Pós-modernidade, Política

Jean Baudrillard, "humilhação" – tese da impossibilidade da não-retribuição do 11 de setembro.

Esse confronto só pode ser compreendido à luz da obrigação simbólica. Para compreender o ódio do resto do mundo em relação ao Ocidente, é preciso inverter todas as perspectivas. Não se trata do ódio (…) mas, sim, do ódio daqueles a quem tudo se deu sem que eles pudessem retribuir (globalização – grifo meu) (…). E é a este que responde o terrorismo do 11 de setembro: humilhação contra humilhação. O pior para a potência mundial não é ser agredida ou destruída, é ser humilhada. E a potência foi humilhada pelo 11 de setembro, porque os terroristas lhe infligiram, então, alguma coisa que ela não pode retribuir. Todas as represálias são apenas um aparelho de coação física, ao passo que ela foi desfeita simbolicamente. A guerra responde à agressão, mas não ao desafio. O desafio só pode ser aceito humilhando o outro em resposta (mas, de modo algum, esmagando-o sob bombas, nem trancando-o como cães em Guantánamo). Le Monde Diplomatique – Novembro de 2002
Lucio Uberdan

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