Política

Pelourinho pós-moderno (parte I sequência de viagem).

Em visita ao Pelourinho – Salvador/BA, nesse mês de Dezembro, encaixou-se algumas idéias que tenho sobre a pós-modernidade. Bem como à crítica feita pelos modernos, principalmente na política.

Geralmente quando surge alguma movimentação política espontânea, que está desconectada dos modelos de luta política tradicional e que na maioria das vezes desaparecem assim como apareceram (instantaneamente), ou até mesmo, quando o chamado lixo moderno invade as casas, corpos, bocas e mentes dos modernos, seja na violência sem medida e gratuita de jovens ricos contra índios e nordestinos ou na prostituição forçada de crianças nas esquinas (quem nunca viu?!); Seja nos acoplamentos tecnológicos simples, como celulares a mão (a extensão dela), cameras, pen-drives, silicones, próteses, células tronco e a nano-tecnologia com sua promessa de pós-humanos curados de sua fraqueza humana, curados de seu corpo; Na Mac-alimentação transgênica e gordurosa, remédios e rações alimentares com suas promessas de corpos “modernos perfeitos”.

Em suma, cada vez que os modernos deparam-se com o que “parece” não encaixar-se na natureza e na cultura moderna, os críticos dizem, isso é coisa dos pós-modernos.

Não defendo a sociedade pós-moderna como um ideal (seria moderno demais isso – a busca de uma sociedade globalizada), mas sim, compreendo a existência do andar constante e ascendente de sombras e carnes pós-modernas na sociedade contemporânea. Aceitou sua existência. E essas são posições totalmente diferentes. O que não parece encaixar-se (para os modernos), podemos pensar sim, como produto atrelado a modernidade. Uma criatura que volta-se contra o criador.

Aceitando a pós-modernidade, tenho a possibilidade de compreender o mundo atual sobre um ângulo diferenciado (e amplo). Percebo a pós-modernidade como um interregno, uma situação o qual aceito como viva mesmo que em estado de decomposição do corpo moderno. Uma Post-Modernidade. Uma repulsão do corpo (da sociedade) de seus vírus e doenças (promessas modernas de sociedades perfeitas). Somos resultados de uma situação de descrédito com os ideais modernos (são “n” ideais) que prometeram um mundo (perfeito) e nos apresentaram a barbárie.

Portanto, ao aceita-la, posso combatê-la com potência. Estou nela, sinto ela, sou visto como um membro, sou aceito. Sou pós-moderno.

Os críticos sonham em combatê-la, mas nem a entendem. Em suas cruzadas, acabam apenas por propor a sustentação da modernidade e suas razões iluminadoras que segundo a segundo promovem o aprofundamento da morte, do desconforto e da fome. Conseguem apenas olhar para trás.
Por fim, aprofundam a ascendência da própria “situação pós-moderna”.

A contradição explicitada.
Lucio Uberdan

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3 comentários sobre “Pelourinho pós-moderno (parte I sequência de viagem).

  1. Anonymous disse:

    “Sua promessa de pós-humanos curados de sua fraqueza humana, curados de seu corpo;”

    Ahhhhhhhh, Lúcio, MUITO BOA!!!
    Fiquei horas nessa frase pensando em Descrença na “Ciência/Humana”…
    Teu texto causa ansiedade. Ele instiga pensar sobre maus momentos desse tempo.
    ABRAÇO

  2. Lucio Uberdan disse:

    Legal “Anônimo”…rsrsrs
    Você já tinha falado outras vezes sobre “descrença na Ciência”…
    Qual sua digamos “angustia” sobre isso?

    Valeu os comentários viu…são muito legais..um abraço

  3. Anonymous disse:

    “Situação de descrédito com os ideais modernos” Minha angústia está MUITOOO neste techo.
    Não consigo achar um pensamento “científico” para pesquisar. Algo que me dê segurança… e continuidade certeira numa ação que (alivie) dor, etc. O pensar a situação do mundo, das relações humanas me agustiam MUITOOO.

    E por falar em pós-moderno:
    “O capitalismo tardio não é mais apreendido como modo de produção, mas como produção de mundos, e consiste precisamente em negar ao ser humano a criação aberta de outros mundos possíveis – outras ideologias, outras saídas, outros modos de vida – restringindo-o à possibilidade de um único mundo sem alternativas.”
    /Márcia Denser/

    VEJA, se houver interesse:
    http://congressoemfoco.ig.com.br/DetArticulistas.aspx?colunista=11&articulista=325

    ABRAÇO

    P.S: Quero ver mais fotos…

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