Antropologia

O Nativo Relativo – I parte – As Regras do Jogo

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O Nativo Relativo (original) – Viveiros de Castro

No dia 07/11, neste post [ clique aqui ] do RELatividade, assumi o compromisso com os únicos 5 amigos(as) que por aqui passam, de fazer um resumo/citações/ leitura comentada cap. a capítulo do artigo “O Nativo Relativo” do Viveiros de Castro. Então vamos lá.

Primeiramente quero afirmar que:

Adorei o artigo; estou assustado com o artigo; irei ponderar os capítulos separadamente; a minha escrita é uma humilde contribuição/ resumo/citações/ leitura, de uma primeira investida; existem muitos conceitos (ruelas, bifurcações) neste, que me são nebulosos (?), ex: o “outrem” de Deleuze; lendo-o novamente (capítulo), acharei inúmeras outras afirmações, dúvidas e contradições (esta última é minha);

O Nativo Relativo
I parte – As Regras do Jogo

Nesse primeiro ato, vamos encontrar sua interrogação central (ou interrogações) sobre a Antropologia (ciência); o fazer antropológico (relação antropólogo, nativo, conhecimento, cultura, natureza). Vamos encontrar (mil coisas a mesa) as possibilidades dos atores, de sua (as) cultura (as) e sua (as) natureza (as) (?). Penso que, esses elementos serão melhores trabalhados nas demais partes. Aqui vamos saber inicialmente, quais “As Regras do Jogo”.

Indagação (1ª):

Se, em lugar de admitir complacentemente que somos todos nativos, levarmos às últimas, ou devidas, consequências a aposta oposta – que somos todos “antropólogos”, e não uns mais antropólogos que os outros, mas apenas cada um ao seu modo, isto é, de modos muito diferentes?”


Indagação (2ª):

E se não tivermos um problema natural que seja respondido por diferentes soluções culturais, mas que, talvez, os problemas sejam “Radicalmente diversos” e “postos por cada cultura”?

Indagação (3ª):

Que a antropologia é tomada como uma prática de sentido (?) em continuidade epistêmica com as práticas sobre as quais discorre, como equivalente a elas?”


De certa maneira, vamos deixar de lado por enquanto as indagações e vamos navegar pela rota proposta (na I parte) rio acima, para tal, não temos um veleiro com avançados instrumentos de navegação, mas sim uma bela, sincera e intuitiva canoa.

Com dia claro, e águas calmas, vamos partindo com segurança pela proposta: “o antropólogo é alguém que discorre sobre o discurso do nativo”, os discursos (do nativo; do antropólogo) mantém “uma certa relação” social que pretende ao conhecimento. Nesses discursos pairam uma certa desigualdade, ainda que sejam os dois “humanos”, ou seja, “entidades de mesma espécie” com sua devidas (ou da mesma) cultura. Ainda que, de culturas diferentes ou não, ambos usam-na de maneira desigual, a “relação de sentido entre os dois discursos diferencia”, não são diferenças da “chamada natureza das coisas” mas sim “próprias do jogo”. O primeiro, o nativo, é nativo pelo pressuposto do antropólogo de que “a relação do primeiro com sua cultura é natural (…) intrínseca, espontânea” talvez até “não reflexiva (…) inconsciente”. O segundo, o antropólogo, pretende não ser nativo, portanto, seu uso da cultura seria “reflexiva, condicional e conscientemente”.

O antropólogo usa necessariamente sua cultura; o nativo é suficientemente usado pela sua.”

Na relação entre ambos, nessas águas calmas, o “antropólogo tem uma (…) vantagem epistemológica sobre o nativo”. O nativo é a “matéria”, o antropólogo é a “ forma”, é ele, antropólogo, quem “explica e interpreta, traduz e introduz, textualiza e contextualiza, justifica e significa esse sentido” . Não?

Agora a noite caí, as águas não são mais tão calmas. Agora, em nossa frente, o rio abre-se em veias. “O que acontece se recusarmos ao discurso do antropólogo e sua vantagem estratégica sobre o discurso do nativo? E se o “discurso do nativo funciona, dentro do discurso do antropólogo, de modo a produzir reciprocamente um efeito de conhecimento sobre esse discurso?”

Quando a forma intrínseca à matéria do primeiro modifica a matéria implícita na forma do segundo?”

Teríamos o portanto o abandono de uma “mera igualdade passiva”, partiríamos para uma “igualdade ativa”. Pensaríamos que; “(…) a disparidade entre os sentidos do antropólogo e do nativo, longe de neutralizada por tal equivalência, foi internalizada, foi introduzida em ambos os discursos e assim potencializada?”

Somos todos antropólogos”. O nativo e o não-nativo (1ª indagação)

O que temos a mais agora? Uma outra antropologia? (2ª indagação)

Após águas turvas, a serenidade da manhã retorna, mas agora mantemo-nos despertos e atentos. De um lado o antropólogo tem a “eminente razão que a razão do nativo desconhece. Ele tem a ciência das doses precisas de universalidade e particularidade contida no nativo”. Temos uma “relação de conhecimento unilateral”, onde a “possibilidade da primeira é a deslegitimação das pretensões da segunda”.


O conhecimento por parte do sujeito exige o desconhecimento por parte do objeto”

Deste lado cita Viveiros: “Temos uma imagem do conhecimento antropológico como resultado da aplicação de conceitos extrínsecos ao objeto: sabemos de antemão o que são as relações sociais (…) parentesco, a religião, a política e vamos ver como tais entidades se realizam neste ou naquele contexto etnográfico”.


Recusar esse lado, abandonar de vez essas águas calmas, é apenas dar-se a “outros objetos” e aceitar “outras regras”, sabendo que este lado, este “jogo discursivo, com tais regras desiguais” já nos forneceu muita informações sobre “os nativos”. De outro lado vamos “recusa-lo”, não por ser este “falso” mas sim inadequado para esse outro lado que rumamos, essa outra veia do rio, turbulenta, nova e de magnífica paisagem. Inovadora em suas curvas e, com suas devidas regras.

Neste novo lado, “os problemas são radicalmente diversos” (indagação 2ª) e o “antropólogo não sabe de antemão quais são eles”. Nessa antropologia, estamos a frente da “arte de determinar os problemas postos por cada cultura, não a de achar soluções para os problemas postos pela nossa”.

Deste lado, o nativo antes de ser sujeito e objeto, “é expressão de um mundo possível”, uma “figura de Outrem”. Outrem, é “uma estrutura ou relação, a relação absoluta que determina a ocupação das posições relativas de sujeito e de objeto por personagens concretos”, outrem é o possível .


Abandonamos de vez aquele lado do rio, e começamos a dialogar apenas com esse, sabendo que por vezes poderemos navegar por aquelas águas. Deste lado, também temos indagações/ problemas, deste lado “o nativo certamente pensa, como o antropólogo; mas, muito provavelmente, ele não pensa como o antropólogo”. Pois como já afirmado “O nativo, é um objeto, é um sujeito de um “outro mundo possível”.

Para ir finalizando, pois, remar cansa e a noite aproxima-se, vamos parando nossa canoa e pensando que: “ a boa diferença, ou a diferença real, é entre o que pensa (ou faz) o nativo e o que o antropólogo pensa que (e faz com o que) o nativo pensa, e são esses dois pensamentos (ou fazeres) que se confrontam (…) o confronto deve produzir a mútua implicação, a comum alteração dos discursos em jogo, pois não se trata de chegar ao consenso, mas ao conceito”.

ninguém nasce antropólogo, e menos ainda, por curioso que pareça, nativo.

FIM

Em breve II capítulo – “No limite”
Identificando erros, avisem.
Lucio Uberdan

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