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Campanha Digital, Cibercultura, Eleições 2010, Governo 2.0, Governo Digital, Parlamentares 2.0, Partidos Políticos, Políticas Públicas, Redes sociais digitais
No fim do mês passado terminou as eleições 2010, renovaram-se os assentos da Câmara Federal, Senado, Governos Estaduais e pela primeira vez na história do Brasil teremos uma presidenta mulher. Pós-eleição muitos pontos e focos de debate prosseguem com vigor (e por vezes, paixão) sobre o pleito em todas as mídias: o peso do Nordeste, das relações religiosas, da criminalização do aborto, das coligações partidárias, bem como, do papel da internet. Para destacar apenas os pontos centrais do debate.
Por Lucio Uberdan
O uso da internet, nas eleições 2010, vem gerando (e geraram durante o pleito) calorosos debates na grande mídia e nas comunidades digitais. Passada a eleição, vários especialistas estão tentando responder qual a dimensão que teve a rede digital no processo eleitoral, e alguns poucos tentam também avaliar que futuro terá as redes sociais digitais e as políticas públicas nos próximos governos, mandatos e eleições.
As posições dos especialistas, ainda que diversas e antagônicas, no geral ficam na superficialidade do tipo: “quem ganhou a eleição na rede?” e na, maioria das vezes, estão convergindo para aceitar que a internet não “passou em branco” nesse pleito, e que as redes sociais digitais tendem a ganhar mais espaço e protagonismo nas estratégias eleitorais das próximas eleições. Para além dessas constatações, pouco se tem analisado com profundidade a primeira eleição com internet livre no Brasil e quase nada se tem abordado sobre o futuro das políticas públicas 2.0 nos governos e mandatos que começam em janeiro próximo.
Vale citar também a inexistência de análises sobre o efeito que a eleição na rede gerou de alteração nas estruturas e elites partidárias, bem como, qual a dimensão das articulações que se mantém vivas e dinâmicas após o fim da eleição, sejam elas articuladas por movimentos sociais ou por partidos políticos, ou principalmente, aquelas relações e articulações que são espontâneas entre “militantes 2.0” no twitter, facebook, orkut, etc.
A seletividade da maior parte dos especialistas ao não abordarem temas como as políticas 2.0, partidos políticos e articulação na rede, dá-se, em minha avaliação, pela incapacidade de perceberem as redes sociais digitais para além da comunicação, passando desapercebido que essa nova dimensão de relacionamentos, articulada a aparatos técnicos e tecnológicos, influi em uma reconfiguração cultural que se reflete em todas as dinâmicas da vida social, o que alguns teóricos chamam de Cibercultura. Pensar exclusivamente sobre o prisma: “ferramenta de comunicação”, é muito superficial para a realidade das redes sociais digitais.
Nota-se também que desde o início das eleições, houve uma vontade permanente de parte dos meios de comunicação em comparar as eleições do Brasil com a experiência americana, em especial a de Barack Obama na internet, o que, em minha avaliação, é um erro grotesco ainda que compreensível para o padrão de grande mídia do Brasil. Mais adiante abordarei essa questão.
Com essa série de dúvidas, indagações e preocupações, bem como uma vontade de contribuir de forma despretensiosa com as necessárias análises sobre o tema, vou apresentar aqui no blog uma série de seis posts sobre a internet (títulos abaixo), eleições 2010 e o futuro (não tão distante) da era digital 2.0 de massas que o Brasil viverá muito em breve.
1) Introdução: A Internet e as eleições 2010;
2) Política: Partido, militância digital e o processo eleitoral;
3) Campanha Digital: Ferramentas e redes sociais digitais, discursos e ações;
4) O Pós-eleições: Da participação permanente, parlamentares conectados e a elaboração das políticas públicas 2.0;
5) A infra-estrutura: Banda larga, mobilidade, produção de conteúdo e inclusão digital;
6) Ciberdemocracia: Governo e cidadão 2.0 nas eleições de 2012 e 2014;
Reforço que serão posts não científicos (e despretensiosos), ainda que por vezes com uso de referências teóricas do tema. Finalizo convidando todos (as) para essa leitura e desafio, os comentários estarão sempre abertos.


