
Foto: Roosewelt/AgBr.
A demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, segue revelando a compreensão de mundo racista que setores extremamente atrasados tem, aqui em questão, o agronegócio alojado por grilagem em Roraima.
A dois dias atrás venceu o prazo para os não-índios desocuparem a reserva, entre tantos acontecimentos que circundam o tema, me chama atenção duas colocações publicizadas na mídia nacional, uma do líder dos arrozeiros, o gaúcho Paulo César Quartiero(Foto-desolação ao lado), ex-prefeito de Pacaraima (RR), filiado ao DEM(ex-PFL): “O que ficar nós vamos derrubar ou colocar fogo para colaborar com a cultura indígena. Índio não gosta de viver em palhoça?”. A segunda pérola-desespero é de Regina Barilli, dona da fábrica do Arroz Tio Ivo: “Não vou derrubar. Não tenho coragem de destruir algo que construímos com o nosso suor(suor de quem cara-pálida???). Mas ainda acredito na justiça divina, que possa haver um revertério nessa questão”.
Ambos arrozeiros foram enquadrados como “grileiros” pela justiça brasileira, não tinham nenhum documento de posse das terras, e suas plantações descumpriam inúmeras leis ambientais, causaram desmatamento e a poluição de inúmeros rios da região. Só Quartiero tinha quase 10.000 hectares de terras ganhas com “grito” e pistola.
Diz a Wikipédia: ”Grileiro” é um termo que designa quem falsifica documentos para tornar-se dono por direito de terras devolutas ou de terceiros, por meio de documentos falsificados. O termo provém da técnica usada para o efeito, que consiste em colocar escrituras falsas dentro uma caixa com grilos, de modo a deixar os documentos amarelados e roídos, dando-lhes uma aparência antiga e, por consequência, mais verossímil.
Mas voltando as citações de ambos, nenhum reconhece a ilegalidade de seus atos, como nunca terem pago legalmente pela terra que dizem serem suas. Como perderam em todas as instâncias da justiça, Regina Ballini agora passa a acreditar na existência de uma justiça divina, e pior, que essa estaria ao seu lado, o que me faz dar uma dose a mais de realidade para essa senhora, pois não existe justiça divina, e se existisse ela já estaria se expressando com a condenação da grilagem, e no despejo destes da Reserva Raposa Serra do Sol. Devolver aos indígenas uma parte desse vaso país, não é mais que um simples aceno da necessária recomposição de uma injustiça que já data mais de 500 anos.
De parte do “empresário” Quartiero, grileiro de marca maior (literalmente maior – quase 10 mil hectares), temos tido as pérolas que correm nas veias desse setor. Um sujeito vingativo, racista e debochado, que assumidamente coloca-se a parte da lei. Após pago o resgate pelo governo, pois é isso que parece, Quartiero foi indenizado por algo que nem é seu, esse contrata retroescavadeiras para derrubarem tudo da sua não-fazenda, alegando que “ vamos derrubar ou colocar fogo para colaborar com a cultura indígena”, argumento racista e desesperado, seguido da encenação de uma pseudo-resistência simplória e vergonhosa, que nos brinda com frases do tipo: “Vocês estão levando tudo de mim, minha fazenda, meu arroz e agora querem minhas máquinas?… Não querem também levar minha mulher e filhos?”
Se existe alguém sério no setor do Agronegócio, deve bater palmas a justiça e ao governo, e em seguida deve extirpar exemplos cancerosos como deste agro-grileiros.