Lendo o DIÁRIO GAUCHE hoje cedo, acabei por passar os olhos na carta “A VEJA e o meu pai” de Roberto Efrem Filho (leia AQUI na Agência Carta Maior). Mas o que tem de interessante afinal essa carta?
Na sociedade contemporânea, engolir a informação apenas não basta, é necessário aos velhos “dominantes” terem o domínio do leque de percepções que fundamentarão a forma que os ditos “dominados” entendem a si próprios e a suas vidas, ou seja, a necessidade da hegemonia é romper com a lógica dual de dominantes/dominados e ser definitivamente internalizada em ambos. Desta forma, mais importante ainda que a informação, é ter do outro lado um igual, um sujeito dócil para com aquela informação, ou que no mínimo ele(a), não consigam formular sozinho (a) uma crítica forte capaz de romper com o que lê.
Pois bem, o pai de Efrem, mais radical para umas coisas, mais conservador para outras, de classe média, era um sujeito dócil, mas rompeu a reprodução/aceitação acerca de uma informação “X”, usando exclusivamente suas recordações, liberdade e crítica. Nessa carta está a retomada da autonomia de um leitor capaz de avaliar o que lê a partir de suas próprias recordações. Por mais modernamente-contraditório e perigoso que isso seja, isso é cada vez mais importante.
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