Alguns comerciais andam me incomodando visto sua tremenda canalhice (sobre o Banco do Planeta comentei alguns dias atrás). O último deles foi da CLARO Celular (acima). Na virada do ano eles exibiam uma nova campanha, no comercial tinham várias crianças, todas meninas na faixa de 6 a 9 anos no máximo, cada uma com um celular na mão. A conversa no grupo era sobre namoro e relações no namoro, uma delas reclamava que um menino não largava do pé dela, ligava com insistência. Se descuidamos esse comercial nos passa desapercebido, porem basta nos debruçarmos um pouco para percebermos uma estratégia “agressiva” na conquista de “novos mercados”, o mercado das crianças consumidoras.
A estratégia das empresas consta de estabelcer algumas relações diretas e apartir destas promover algumas alterações na busca de um novo mercado “agora”. A estratégia não é ter as crianças como consumidoras no futuro, mas sim na proxima conversa em família, visita a lojas supermercados, estas venham a ter eficácia na conquista daquilo que desejam. A estratégia é:
1. abrir sem intermediários (os pais) o dialogo direto com as crianças (as crianças ficam proporcionalmente muito mais tempo em frente a TV que os adultos);
2. convence-las de que necessitam daquele produto e portanto venham deseja-lo (produzir o desejo na criança);
3. instrumentalizar o discurso da criança no ato de pedir o produto, sendo assim mais convincente no pedido aos pais (o documentário coorporation tem um capítulo específco sobre essa questão);
4. passar a criança um sentimento de autonomia e responsabilidade, para além de imitarem os adultos, o que as empresas querem (não somente elas) é que as crianças pensem de certa forma viverem a vida de adultos (tornem-se fictícios adultos), sendo assim potenciais consumidoras no presente.
Afirmava Deleuze que vivemos uma era onde o marketing transformou-se em “instrumento de controle social”. No último Le Monde Dilomatique Brasil, Stiegler em ótimo artigo, afirma sobre nossa atual época: “longe de se caracterizar pelo domínio do individualismo, a época mais se aproxima de um devir gregário dos comportamentos e de uma perda generalizada de individuação”.
Avalie essas quatro condicionantes que citei acima por você mesmo. Depois eu que sou radical na minha crítica ao capitalismo.
Ps 1) – o Admirável Blog Novo também comenta sobre algo semelhante.
Ps 2) – o Instituto Akatu comentou também do jeitinho deles, onde sempre parece ter um limite ético possível para o capitalismo. Ainda assim vale a pena ler – Publicidade mira crianças para formar massa de consumistas.
Um abraço, Lucio Uberdan.
Fevereiro 19, 2008 às 3:38 am |
Olha eu aí!
Tchê, eu concordo contigo, eu acho isso o cúmulo.