“Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano – tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros. É por isso que às vezes digo que talvez se possa dispensar a religião. O que não se pode dispensar são essas qualidades espirituais básicas.” – Tenzin Gyatso.
Sua Santidade o XIV Dalai Lama – Tenzin Gyatso, em inúmeras atividades públicas declarou-se meio Marxista, além de recuperar algumas questões importantes do Marxismo, ponderou sobre os regimes “socialistas” da URSS, China e Vietnã – vide a Caros Amigos de Janeiro/2008.
Frente essa posição, inúmeros conservadores da direita anti-marxista criticaram a fala de Gyatso por solidarizar-se com a tese Marxista das relações sociais nas sociedades capitalistas, de outro lado e de forma mais feroz ainda, sua santidade recebeu a crítica geralmente mais desrespeitosa ainda dos setores ditos mais radicais da esquerda marxista, que não aceitam o aqueles acreditam ser um “religioso” dizendo-se marxista.
A posição de Gyatso e a dupla cumplicidade de críticas que a ele foram desferidas, me provocou a levantar relações e percepções sobre o ser meio-marxista de sua santidade, de perceber quais elos de ligação existem entre esses “ismo”, ainda que Budismo e marxismo estejam em mandalas de sabedoria muitos distintas.
Acima uma citação de sua Santidade acerca da religião e abaixo sobre o Marxismo.

De todas as teorias econômicas modernas, o sistema econômico do Marxismo é fundado em princípios morais, enquanto o capitalismo só está relacionado a ganho e rentabilidade. O Marxismo está preocupado com a distribuição de riqueza em uma base igual e na utilização eqüitativa dos meios de produção. Também está relacionado ao destino das classes de trabalhadores – quer dizer, a maioria— como também ao destino dos que são desprivilegiados e em necessidade, e o Marxismo se preocupa com as vítimas da exploração imposta pela minoria. Essas são as razões das atrações do sistema para mim, e parece justo.
Quanto ao fracasso dos regimes Marxistas, em primeiro lugar eu não considero a ex-URSS, ou China, ou o mesmo o Vietnã, verdadeiros regimes Marxistas, porque eles se preocuparam mais com seus estreitos interesses nacionais do que com os Trabalhadores Internacionais; é por isso que havia conflitos, por exemplo, entre a China e a URSS, ou entre a China e Vietnã.
Eu penso que a falha principal dos regimes Marxistas é que eles colocaram muita ênfase na necessidade para destruir a classe governante, na luta de classe, e isto encoraja o ódio e negligencia a compaixão. Embora o objetivo deles poderia servir à causa da maioria, quando eles tentam implementar tudo, a energia deles é inclinada à atividades destrutivas. Uma vez que a revolução terminou e a classe governante é destruída, não sobra muito para oferecer às pessoas; neste momento, o país inteiro fica empobrecido e infelizmente é quase como se o objetivo inicial fosse ficar pobre. Eu penso que isto existe devido à falta de solidariedade humana e compaixão. A desvantagem principal de tal regime é a insistência colocada no ódio em detrimento da compaixão.
O fracasso do regime da ex-União soviética se deve para mim, não o fracasso de Marxismo mas o fracasso do totalitarismo. Por isto eu ainda penso em mim como meio-marxista, meio-budista.
Na revista ÉPOCA/2003
ÉPOCA – A questão entre China e Tibete não remete ao conflito entre Israel e Palestina?
Dalai Lama – É realmente uma complicação. Em Lhasa, capital do Tibete, os chineses já se estabeleceram. Teremos de discutir isso, até porque há situações diferentes. Há, por exemplo, os chineses interessados no budismo tibetano. A mulher de um importante ministro chinês é budista. Dizem que ele a leva de carro para rezar no templo. Imagine um comunista ateu levando a mulher para rezar! Realmente, os chineses estão tendo um trabalho duro para erradicar o budismo (risos). Mas eu acredito no socialismo.ÉPOCA – No socialismo chinês?
Dalai Lama – De certa maneira, sou mais socialista que certos líderes chineses. Porque eles não se importam com os trabalhadores.


Hoje tirei a manhã para olhar o filme/musical 
Hoje assistia o comercial do Bradesco sobre a Amazônia. O Bradesco se autoreferência como o Banco do Planeta (piada não? do planeta só se for por causa da globalização do seu capital). Propagandeia suas ações em prol das futuras gerações, a tal das “responsabilidades sociais”, atual xodó da diferenciação frente a competitividade para a manutenção das necessárias taxas de lucros. Fim ao cabo, a única coisa que importa é $$$$$$…