Posts de Dezembro, 2007

A bordo do “Marrakesh Express”

Dezembro 24, 2007

Até então o Le Monde Diplomatique Brasil estava disponível apenas on-line (desde de janeiro), porem desde agosto somos brindados e chamados a comprar a edição impressa brasileira, essa não é uma tradução ao português do Diplô “pai ou mãe”, mas sim a adequação da linha crítica editorial do mesmo, apartir do e para o Brasil, América Latina e mundo (na seguinte sequência) sendo impresso em nosso país através de uma parceria com o instituto Pólis e Paulo Freire. Desde de então eu e minha companheira nos esforçamos todos os meses para adquirí-lo, o esforço da-se pois nem sempre ele vem as livrarias de Pelotas. Como temos gostado muito das matérias, vou colocar uma ou duas de cada edição que me chamaram a atenção. Abraços – Lucio Uberdan.

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A bordo do “Marrakesh Express” – Por Pierre Daum

Reportagem sobre um dos choque culturais emblemáticos de nosso tempo. Quarenta horas a bordo do navio que faz a travessia do Mediterrâneo abarrotado, levando ao Marrocos milhares de migrantes que foram tentar a sorte na Europa e regressam a seu país em viagem de férias.

Os eixos rangem, os canos de escapamento raspam o solo e inúmeros bagageiros ameaçam desabar sobre uma montanha de objetos, cobertos por lonas azuis ou verdes. O que elas escondem? “Geladeiras, bicicletas, máquinas de lavar, escadas, carrinhos, utensílios comprados nas feiras. Os franceses jogam fora, quando não funcionam mais, mas que nós não hesitamos em consertar”, brinca Samia, uma jovem economista de Agadir, de volta ao Marrocos após sua viagem de núpcias na França. “Para nós”, prossegue o marido, “marroquinos do Marrocos, é sempre prestigioso ter um parente que trabalha na França. Quando ele chega com seu automóvel carregado na aldeia, isto é um orgulho diante dos vizinhos”.

Quarta-feira, 4 de julho, dia de grandes partidas: Desde o amanhecer, carros e furgões já se alinharam prudentemente no vasto estacionamento do Porto de Sète, na costa mediterrânea da França. Com placas de licenciamento principalmente francesas, mas também belgas, holandesas, italianas e alemãs, todos têm o porta-malas abarrotado. Às 18h45, o último furgão consegue entrar na balsa. As espessas cordas são desamarradas e as hélices erguem uma lama marrom das profundezas. [1] Com apenas três quartos de hora de atraso, o Marrakesh Express finalmente desatraca.

A duração prevista para a travessia é de 36 horas. Partiremos à noite, passaremos um dia inteiro e mais uma noite no mar. Se tudo correr bem, chegaremos a Tânger na manhã do segundo dia.

A bordo, os relógios marcam 17h45. Uma hora realmente estranha, uma vez que são 16h45 no Marrocos e 18h45 na França. Uma hora meio-termo, expressão do espaço incerto que se estende entre a Europa e a África. Sobre o convés, as crianças correm, excitadas com a descoberta do navio e de seus múltiplos esconderijos. Para a travessia de 4 de julho, o Marrakesh Express está completamente lotado. Desde fins de março, não era mais possível encontrar um único lugar. Nem para essa, nem para as datas seguintes do mês de julho. Para agosto, é no trajeto em sentido contrário que os lugares não existem … Prossegue>>>>>

“A Erva do Diabo” – Carlos Castaneda (Considerações e download)

Dezembro 10, 2007

Talvez alguns(mas) que por aqui passem, assemelhem-se comigo em idade e “experiências” de vida. Ainda adolescente tive contato com a leitura de Carlos Castaneda, para ser mais exato, tive o Livro a “Erva do Diabo”, talvez seja esse o meu primeiro contato com a antropologia e com a leitura de forma verdadeira, vale ressaltar que lí ele não como um texto científico, na época nada sabia sobre isso. A Erva do Diabo é a tese de mestrado em Antropologia do Castaneda, mas não é esse um livro de rigor científico como assim conhecemos os livros científicos, ele esta além, nele encontra-se uma negociação verdadeira, Castaneda não decodificou através das leis cientificas o pensamento de seu informante – Dom Juan, ele soube abrir mão da ciência de forma sabia sempre que essa demonstrou-se pequena frente aos conhecimentos e fatos vividos com a quele brujo Yaqui. A Erva do Diabo esta entre os cem livros mais lidos no século passado e foi meu primeiro livro. A Erva do Diabo AQUI

Primeira conversa:
Sexta-feira, 23 de junho de 1961

- Quer-me ensinar alguma coisa a respeito do peiote, Dom Juan?
- Por que quer saber disso?
- Eu queria mesmo saber a respeito. Só querer saber não basta como motivo?
- Não! Tem de procurar em seu íntimo para saber por que um rapaz como você quer empreender essa tarefa de aprendizagem.
- Por que você mesmo aprendeu sobre isso, Dom Juan?
- Por que quer saber?
- Talvez nós dois tenhamos os mesmos motivos.
- Duvido. Sou índio. Não temos os mesmos caminhos.
- O único motivo que tenho é que desejo saber a respeito, só para aprender. Mas asseguro-lhe, Dom Juan, não tenho más intenções.
- Acredito em você. Já o fumeguei.
- Perdão?
- Não importa agora. Sei quais são suas intenções.
- Quer dizer que leu meus pensamentos?
- Pode ser.
- Então quer-me ensinar?
- Não!
- Por eu não ser índio?
- Não. Porque você não conhece seu íntimo. O importante é você saber exatamente por que quer envolver-se. Aprender a respeito de Mescalito é uma coisa muito séria. Se você fosse índio, só o seu desejo seria suficiente. Muito poucos índios têm esse desejo.

Baixe o livro do Castaneda, “Uma Estranha Realidade” AQUI.

Abriram-se os códigos da Cerveja, vamos lá empreendimentos de Economia Solidária?

Dezembro 6, 2007

Replicando a notícia do blog do Fábio Nogueira

Foi lançada no último dia 29, uma nova marca de cerveja: a Free Beer. Ao contrário das marcas tradicionais que tratam como segredo de Estado a receita de suas bebidas, no próprio rótulo da Free Beer está estampada sua receita.

A Free Beer é a nova ação do coletivo dinamarquês Superflex, composto por Bjornstjerne Reuter Christiansen, Jakob Fenger e Rasmus Nielsen. No ano passado, o grupo trouxe polêmica à 27ª Bienal de São Paulo com o Guaraná Power, censurado pela presidência da instituição, que afirmou que não se tratava de uma obra de arte. Apesar do veto, o Guaraná Power, feito em colaboração com a Cooperativa de Agricultores da Região de Maués, na Amazônia, chegou a ser distribuído em museus e na própria Vermelho, durante a Bienal.

“Agora estamos propondo uma marca aberta e, nesse sentido, sugerimos um novo modelo econômico, que permite a qualquer um produzir e distribuir cerveja, a partir de uma receita que é pública, além de criar consumidores não obedientes, como gosta o mercado”, conta Fenger.

A Free Beer surgiu em 2004, numa parceria com estudantes da Universidade de Copenhague. “Buscamos transferir os princípios do software livre para algo físico, e a cerveja se tornou um bom exemplo”, conta Nielsen. “Por isso, a Free Beer tem sido comparada ao Linux [sistema operacional gratuito] e à Wikipedia”, diz o artista.

Mensagem: Recuperando a autonomia perdida

Dezembro 5, 2007

“…nossas identidades são flutuantes, não têm sabedoria, e nós não temos uma gestão própria sobre elas. Portanto, as relações são problemáticas, não só conosco mas com os outros também. Então, quando nós nos juntamos somos como duas bóias no mar revolto, no início estão próximas mas, ao final de um certo tempo, cada uma pode estar em um oceano distinto. Os ventos e as ondas vão nos arrastando, não temos propriamente capacidade de gerir, de determinar a direção. No Budismo, nosso objetivo é recuperar esta direção.” [Lama Samten]

O intelectual Mészáros no Brasil e os intelectuais e estudantes da Venezuela

Dezembro 4, 2007

Mészáros no Brasil, notícia amplamente divulgada pelos meios de informação mais direcionados de esquerda (A CULT esta com uma matéria ótima, minha companheira tem a revista mas ainda não lí ainda), e em abas específicas de jornais de centro direita como a Folha de São Paulo. Um dos mais importantes pensadores marxistas da atualidade – geralmente é a chamada das matérias, um reconhecimento a muito debitado ao aluno e colaborador de Luckacs. Mészáros consolidou-se pela qualidade e clareza do pensamento e escrita, longe de ser um pensador difícil e enfadonho, o húngaro Mészáros tem sido claro e direto em seus livros e entrevistas. Mészáros veio ao Brasil para lançamento de seu último livro “O Desafio e o Fardo do Tempo Histórico” (os direitos autorais desse livro foram doados ao MST, os dois livros anteriores tiveram os direitos autorais doados a Cuba). Em síntese – “O Desafio e o Fardo do Tempo Histórico” trata da incapacidade do sistema capitalista constituir ações coerentes e planejadas, a busca dos lucros crescente é dada de forma caótica, assassina e insustentável, o resultado dessa incapacidade realiza-se em crises cada vez mais amplas. O capitalismo é um fardo histórico a ser desafiado pelo socialismo do século XXI – Socialismo ou barbárie, ou melhor atualizado por Mészáros: “Socialismo ou extinção”.

Aproveitando a deixa do “socialismo do século XXI”, frase muito usada também por Boaventura Santos e por Hugo Chávez, lembro que em recente plebiscito na Venezuela que trata de inúmeras mudanças na constituição, o “não” as mudanças venceu por margem apertadíssima do “sim”, ainda que não tendo Chávez aprovado as alterações desejadas, fica claro a idéia Leninista que a consolidação do Socialismo é dada de constantes avanços e recuos. A porcentagem de 49% de eleitores apoiando as alterações propostas por Chávez e pautadas pelo discurso “socialista”, demonstra um avanço histórico na aceitação de massa ao socialismo. Inúmeros jornais estão noticiaram que a base de oposição que levou a vitória, ainda que apertada do “não” é composta por intelectuais e estudantes universitários (inclusive da esquerda), em nome da “democracia” – valor novo e hipervalorizado por parte da esquerda na atualidade, alguns pensadores que dão aula ou estão em aula armaram e reorganizaram a oposição interna ao Socialismo do XXI na Venezuela, armaram o discurso americano e fizeram um enorme desserviço a maioria dos(as) trabalhadores(as) venezuelanos(as).

De que serve a Liberdade e a Democracia se pautada pelo capital, pelos capitalistas e animadas pelo mercado? Democracia SIM, mas Socialista, se não de muito pouco serve.

Lucio Uberdan