Posts de Junho, 2007

No caos portanto, existe de certa forma uma nova ordem perceptivel a novos métodos.

Junho 28, 2007

Andei lendo alguns “recortes” (jornalísticos de senso comum) e pequenos artigos (não acadêmicos) sobre blogs (nada haver com seu email meu querido amigo nucool nem tampouco foi no blog da Laura – lá as considerações sobre blogs são referência para mim) acho que li sem querer esses recortes pela web, despropositadamente, mas bem, eis que após essa leitura resolvi dividir algumas simplórias interrogações: 1) deveria eu falar mais de minha vida “pessoal” como a um diário? 2) deveria eu imprimir ao blog relatividade uma consistência de tema, motivo, regularidade a fim de criar referência? 3) deveria portanto abandonar esse emaranhado de temas diversos, citações, artigos, músicas, imagens, esse “caos” e finalmente me dedicar a um tema específico, por exemplo, minhas iniciantes pesquisas sobre a antropologia e o mundo virtual?

Após essas interrogações me pergunto: “que fazer?

Parto em direção a complexidade, é lá que vou encontrar alternativas ao caos. Pego na estante o exemplar “Introdução ao Pensamento Complexo” de Edgar Morin e leio a passagem que diz:

“Em toda a minha vida jamais pude me resignar ao saber fragmentado, pude isolar um objeto de estudo de seu contexto, de seus antecedentes, de seu devenir. Sempre aspirei a um pensamento multidimensional. Jamais pude eliminar a contradição interna. Sempre senti que verdades profundas, antagônicas umas às outras, eram para mim complementares, sem deixarem de ser antagônicas. Jamais quis reduzir à força a incerteza e a ambigüidade.”

Portanto o blog segue assim como a um jogo de roleta que lembra o caos, pois parece (o jogo da roleta) esse não ter uma lógica, uma seqüência, estando assim, completamente livre e selvagem. Porém, a matemática comprova que bastando nos distanciarmos um pouco e darmos continuidade incessante (inúmeras vezes) ao jogo da roleta, esta nos revelará sua lógica e seqüência, uma ordenação matemática apreensível. No caos portanto, existe de certa forma uma ordem perceptivel a métodos complexos. Percebi hoje também, que para além da tranqüilidade de prosseguir com o relatividade em moldes de “deriva surrealista” (arriscado o conceito), percebi que o primeiro capítulo do livro “As Intermitências da Morte” de José Saramago, é formidável para um debate inicial acerca do tema da “Cultura”.

Seguindo a complexidade, confusão e caos, tenho ainda para amanhã, um artigo para divulgar, um livro para festejar a aquisição, uma experiência de trabalho que vou viver nos próximos dois dias e uma outra em breve (essa é incerta e secreta).
Bjos – Lucio Uberdan

“Desconvencido” por aquele momento apenas (parte I)…

Junho 27, 2007

… agoro retorno ao post que desde ontem tive vontade de escrever, uma síntese do artigo “A Doença da Civilização – Novos valores para combater o niilismo” de Fernando Costa Matos acerca do pensamento e obra de Nietzsche. A doença da civilização seria essencialmente a doença da modernidade do homem (mulher) ocidental, doença que Niet chamou de Niilismo. Niet vai portanto, desvendar de forma filosófica (usando essencialmente de “aforismos”) qual a cura para essa doença, bem como sua “razão”. Doente, o homem moderno poderá ser o “último homem”.

A noção de homem nasce basicamente “quando começamos a representar-nos como um animal diferenciado”, necessitando portanto a superação e formação do “outro lado da animalidade – espirito, alma, razão” bem como, negando nossas vivências naturais “instintos, afetos, desejos”. Passa-se a negar a vida como elemento constituidor do homem civilizado, “um tipo que nega a força livre da vida selvagem e se impõem a obrigação de carregar a si mesmo – a responsabilidade por seus atos”. Mas o que levou a esse animal aventureiro, trocar uma vida livre pelo “sombrio cárcere da vida sobre regras”? Seria esse um movimento “antinatural e transitório”?

Para Niet, as indagações acima encontram proteção em um movimento liderado pelos “fracos”, aqueles que em situação selvagem eram dominados por seres mais “fortes e saudáveis” que viam “na dominação algo positivo”, enquanto os fracos, nessa situação tinham uma percepção negativa sobre a desigualdade natural posta. Nasce aqui o que Niet estabeleceu como: “moral de senhores e moral de escravos”, mas isso fica para próximos post’s. A sequência da constituição do “homem civilizado”, do cristianismo, da modernidade, do niilismo e da possibilidade de cura do homem que Niet propõem. (paro pois chegou o sono).

Bjos Lucio Uberdan

Tava convencido…

Junho 26, 2007

Mas me “desconvenci”… Voltando para casa hoje, após 4 aulas de “Política Social”, vim lendo o artigo “A Doença da Civilização – Novos valores para combater o niilismo” de Fernando Costa Matos acerca de Nietzsche, maravilhoso artigo, a proximidade entre “vontade de potência” de Niet e a “produção de desejo” de Deleuze é muito interessante, mas bem, cheguei convencido a escrever esse post, mas mudei. Mudei para falar da Assembléia Constitwiki “movimento-twiki-democrático” que começa se gestionar na web. O tok me foi dado pelo Niva no meu post “Concepções da CiberDemocracia em Pierre Lévy” Em ambos os blogs, encontra-se a seguinte descrição:

Assembléia Constitwiki: E se todos os brasileiros pudessem participar da elaboração das Leis de seu país? O objetivo deste wiki é experimentar essa possibilidade. Todos os brasileiros estão convocados a alterar o texto da Constituição de 1988, propondo novos artigos e discutindo os existentes. Em setembro de 2007, as modificações serão encaminhadas ao Congresso Nacional para apreciação. (no link Assembléia Constitwiki acima)

Achei interessante, valeu o link Niva.

Quem sabe dar uma editada por lá? Bjos – Lucio Uberdan

Meninos voadores…

Junho 25, 2007

Meninos I, upload feito originalmente por relatividade.

Os meninos “voadores”, bati essa foto na comunidade Mangueira em Rio Grande. Com ela e esse pequeno comentário, faço um teste do serviço de postagem no wordpress diretamente de dentro do Flickr. ok, bjos a todos(as)

Em busca da liberdade…

Junho 25, 2007

Meu sobrinho resolveu largar na minha mão o note dele hoje pela tarde, eis que 30 minutos depois o dito já era livre. Sai windows (software proprietário) da microsoft de Bil Gates o homem mais rico do mundo, e entra o Ubuntu (software livre) da Fundação Canonical da África do Sul e comunidades espalhadas pelo mundo. seja Livre use GNU-LINUX – Bye

Obs: Essas fotos abaixo estão depositas no meu Flickr. O flickr (serviço free ou não para depositar fotos) agora já tem interface em português (e demais outras línguas) assim como, cada vez ficam melhores alguns serviços do mesmo. O map e suas fotos georeferênciadas por exemplo, valem a pena.

Lutando na Espanha – George Orwell

Junho 24, 2007

Lutando na Espanha – George Orwell

No Quartel Lênin em Barcelona, na véspera de meu ingresso na milícia, vi um miliciano italiano em frente à mesa dos oficiais. Era um moço de seus vinte e cinco anos de idade, com expressão carrancuda, espadaúdo, cabelo meio avermelhado e louro. O quepe de couro, de bico, estava repuxado de modo feroz sobre um dos olhos, e de perfil para mim, tinha o queixo encostado ao peito, olhando com perplexidade um mapa que um dos oficiais abrira sobre a mesa. Alguma coisa, em sua expressão fisionômica, causou-me profunda emoção. Era o rosto de um homem que assassinaria outro, ou daria sua própria vida por um amigo, o tipo de rosto que se espera encontrar num anarquista, embora com toda a probabilidade ele fosse comunista. Encontravam-se, naquela expressão, candura e ferocidade ao mesmo tempo, bem como a reverência patética que os analfabetos possuem por aqueles que julgam seus superiores. Estava mais do que claro que ele não entendia patavina do mapa, cuja leitura e interpretação deviam, a seus olhos, constituir estupenda façanha intelectual. Eu não sei por que, mas poucas vezes vi alguém que me agradasse de modo tão imediato. Enquanto eles conversavam em torno da mesa alguma observação feita por um deles assinalou o fato de eu ser estrangeiro. O italiano ergueu a cabeça e perguntou imediatamente:

- Italiano?

Todo o livro aqui.