Posts de Maio, 2007

“Pueblos Zapatistas y los pueblos del mundo”

Maio 31, 2007

Y les decimos a los hombres y mujeres que tengan bueno su pensamiento en su corazón, que estén de acuerdo con esta palabra que sacamos y que no tengan miedo, o que tengan miedo pero que lo controlen, pues que digan públicamente si están de acuerdo con esta idea que estamos declarando.

— Sexta Declaración de la Selva Lacandona

*Anos atrás ganhei um cartaz do primeiro encontro, é lindo.

Folk Songs trio, dizer “bom” é pouco.

Maio 30, 2007

1979 é um ano “Mágico” e de “Folk Songs”, CDs assinados pelo trio EGBERTO GISMONTI – piano e guitarra, CHARLIE HADEN – contrabaixo e JAN GARBAREK – sax. pesquisa, sentimento e virtuosismo. Um brasileiro, um americano e um norueguês. Dizer que é bom é pouco. Aqui o link do cd “Folk Songs”. Capa abaixo.

Pelotas, Deleuze e a esquizoanálise

Maio 28, 2007

Alguns dias atrás, uma amiga me mandou um email acerca de um curso de esquizoanálise que ocorrerá em Pelotas. O mesmo (email) da-se pelo gosto que tenho dos escritos de Deleuze e Gattari, penso que não tenha sido por uma propensa necessidade de análise minha. Penso (o que importa?). Ainda estou vendo a possibilidade de participar do curso. Ver esse email, me despertou para procurar uma revista antiga que tenho, CULT – 108 de Novembro de 2006 – com a inteligente (acho inteligente mesmo) chamada “Gilles Deleuze – Um dia o século será Deleuzeano” – recordei que no dossiê Deleuze dessa revista, tem um artigo de Suely Rolnik acerca da Esquizoanálise, que coloco abaixo para quem quiser ler e entender um pouco mais sobre o tema. Esse é um bom artigo, para entender o que é esquizoanálise e perceber sua realização (a sua realização) na vida cotidiana.

Suely Rolnik é psicanalista e Professora Titular da PUC de São Paulo (coordenadora do Núcleo de Estudos da Subjetividade do Pós Graduação de Psicologia Clínica). Viveu em Paris de 1970 a 1979 (nossa ditadura militar terá algo haver?), onde fez grande parte dos estudos universitários e iniciou a carreira de magistério de Psicologia (Hôpital Maison Blanche) e a prática clínica de psicanálise e análise institucional (entre outras instituições trabalhou na clínica de La Borde com Félix Guattari).

DELEUZE, ESQUIZOANALISTA
Suely Rolnik

No relato de um pequeno episódio, toma vulto a figura inesperada de um Deleuze esquizoanalista. Através de certas ressonâncias deste episódio na subjetividade, o leitor poderá acompanhar alguns meandros de um trabalho com o desejo que se orienta especialmente pela cartografia conceitual deleuziana.

Primeira cena: 1973. Começa uma amizade com Deleuze, cujos seminários venho acompanhando há mais de dois anos. Ele vive dizendo que meu esquizoanalista é ele e não Guattari (com quem efetivamente faço análise), e insiste que trabalhemos juntos. Um dia, me traz de presente um LP com a ópera Lulu, de Alban Berg, e sugere um tema: comparar o grito de morte de Lulu, personagem principal desta ópera, ao de Maria, personagem de Wozzeck, outra ópera do mesmo compositor.

Misturando a Lulu de Berg com a de Pabst (o belíssimo filme com Louise Brooks baseado nesta ópera), sua imagem é a de uma mulher exuberante e sedutora que se envolve com uma significativa diversidade de mundos, numa vida inteiramente experimental. Num período de miséria decorrente de algum episódio em que sua vitalidade sofre o impacto de forças reativas, Lulu sai às ruas para fazer algum dinheiro, em pleno frio de uma noite de natal. No anonimato do michê, ela acaba encontrando nada mais nada menos do que Jack o Estripador, que evidentemente irá matá-la. No momento em que antevê a morte refletida no facão que o assassino aponta contra ela, Lulu solta um grito dilacerante. O timbre de sua voz tem uma estranha força que fascina Jack a ponto dele quase desistir do crime. Também nós somos atingidos por esta força: sentimos vibrar em nosso corpo a dor de uma vigorosa vida que se recusa a morrer.

Já a outra mulher, Maria, é a cinzenta esposa de um soldado qualquer. Seu grito de morte é quase inaudível; confunde-se com a paisagem sonora. O timbre de sua voz nos transmite a pálida dor de uma vida insossa, como se morrer fosse igual a viver. Prossegue>>>>

“The Polyphonic Spree”, uma índiazinha e três animações flash.

Maio 26, 2007

A mais ou menos uns dois anos atrás, uma amiga, meio ocidental, meio índia, apresentou-me uma banda chamada “The Polyphonic Spree” – O Polyphonic é uma grande banda inegavelmente – mais de 20 membros no palco e um ótimo som e proposta. Banda Texana com som setentista, música psicodélica e profundamente relacionada com a natureza e a alma humana. Para além de apresentar-me a banda, essa “indiazinha” apresentou-me uma animação/jogo “ The Quest For The Rest” em flash feito pela banda para divulgação de músicas, estética e temas de inspiração da própria banda. A animação segue a cultura de jogos flash/interativos, onde cada clique irá gerar uma situação, promissora ou não, a progressão ocorre pela certa combinação dos cliques. O jogo The Quest For The Rest tem três momentos, é intuitivo, com bela trilha e imagens. Por falar nesse joguinhos, que acho muito legais, nessa mesma perpsectiva, apresento mais dois, o Samorost 1 e o Samorost 2 também são show. Passem pelos links, vocês gostarão.

Bjos – Lucio Uberdan

Antropólogo Eduardo Viveiros de Castro – uma Amazônia, duas entrevistas e muitos, muitos índios (as).

Maio 24, 2007

Navegando na internet, encontrei duas entrevistas recentes do renomado e dedicado antropólogo brasileiro, Eduardo Viveiros de Castro . Eu de certa maneira venho me desafiando numa leitura e reflexão, ainda que de certa forma autoditada sobre os escritos de Viveiros de Castro. Incentivado por um grande professor (amigo que está longe, mas que eu incomodo por email), vim a conhecer alguns artigos e idéias desenvolvidas pelo Viveiros, assumo desde então o impacto que as mesmas tiveram para mim, essas vem sendo um alento e estímulo de vigor na antropologia em si, e na minha pessoa como humilde e cansado graduando desta.

As entrevistas citadas versam sobre a Amazônia. Para Viveiros “(…) de certa maneira, a Amazônia hoje é o centro do mundo. Sob vários aspectos, é o centro do mundo no imaginário mundial, ali é que está a maior floresta do mundo e também a maior quantidade de recursos genéticos que podem vir a constituir fonte de medicamentos e substâncias fundamentais. Verdade ou não, enfim, é o que se discute. Do ponto de vista geopolítico, é o centro do Brasil. Muitas pessoas não se dão conta de que somos caranguejos e moramos no litoral, mas que boa parte do fluxo de processos socioeconômicos está passando pela Amazônia.

A primeira entrevista é do final de junho de 2006, no boletim da Faperj, com o título “Índios vivem dilemas semelhantes aos que o Brasil enfrenta“. A segunda é da revista “E” nº 118 do SESCSP março de 2007, com o tema “A Amazônia e a urgência de legitimar as questões ambientais”.

Na primeira entrevista de 2006, Viveiros vais sustentar, fruto de suas pesquisas com os indígenas, que assim como o Brasil encontra-se frente a possibilidades de escolhas sobre modelos de desenvolvimento, de certa forma os índios também estão frente de suas escolhas acerca do desenvolvimento para suas comunidades e as farão (já fazem), e as mesmas, não serão um retorno ao primitivo, elemento esse que passa na cabeça de muitos ocidentais como o ideal para as comunidades (quem sabe um dia Povo) indígenas, os índios: “ (…) eles superaram o risco de extinção, resistiram e a maioria dos grupos sobreviventes apresentam crescimento vegetativo. E desmentiram a certeza de antropopólogos como Darcy Ribeiro, que há 20, 30 anos afirmavam que essas culturas seriam engolidas pela sociedade branca, condenadas a ser assimiladas como camponeses pobres (…)” e mais, “Hoje, constatamos algo um pouco diferente. Com a garantia de direitos à terra a partir da Constituição de 1988, várias comunidades rurais, particularmente nas regiões Nordeste e Sudeste, depois de séculos sendo obrigadas a negar, esconder ou esquecer sua ancestralidade nativa, passaram a reivindicar sua condição indígena, o território necessário ao pleno exercício dessa condição e a resgatar os valores culturais correspondentes”, explica o pesquisador e prossegue: “É um fenômeno jurídico, mas também sociocultural. Com o reconhecimento do direito sobre a terra, vários grupos índio-camponeses viram algo que podia ser usado a seu favor. Nessa redescoberta, muitos deles precisaram recriar linguagem e costumes perdidos, reinventar-se, criar um presente a partir de um passado em descontinuidade.” Nessa reivindicação da condição Indígena, mudaram os índios, mas também a antropologia (forma de percebê-los) “hoje, seja de que modo for, essas comunidades estão tendo que se haver com a cultura, a tecnologia e os valores da sociedade atual”. Conforme cita a entrevista: “Para lidar com tudo isso, Viveiros de Castro acredita na capacidade seletiva de absorção da cultura dominante pelo índio. O que leva o antropólogo a este otimismo é, mais do que seu conhecimento, a vivência com os chamados “povos da floresta”. “Eles nos vêem como idiotas hábeis: dominamos uma tecnologia avançada, mas somos ineptos e ignorantes nas relações humanas e sociais. Ou seja, eles estão mais interessados em nossa capacidade tecnológica do que em reproduzir nossas formas sociais, que em geral desprezam enormemente” e arremata: “Vejo que muitos grupos estão se armando com conhecimento para se tornarem interlocutores em pé de igualdade com os brancos (…) Eles estão tentando criar um currículo realista, uma espécie de método Paulo Freire de ensino superior, voltado para as condições da floresta. Algo como aprender biologia focando fauna e flora amazônicas, estudar economia observando a flutuação de preços dos produtos agrosustentáveis, como castanhas ou borracha, ter pajés dando aulas sobre seus rituais.” – Essa visão de tratar o conceito dos indígenas como um sistema filosófico capaz e igualmente poderoso de explicar o ponto de vista do indígena pelo próprio indígena, é bem desenvolvido por Viveiros em seu artigo/entrevista “Exceto quem não é”.

Na segunda entrevista, mais atual inclusive, Viveiros começa citando Marx – “A humanidade só coloca os problemas que pode resolver”, nela, os problema posto da crise ambiental e a própria vida do planeta serão abordados. O antropólogo transcorre sua visão sobre a percepção e uso ocidental capitalista dos recursos naturais, abordará concepções e ações acerca da tecnologia, produção e relações sociais indígenas e ocidentais, a tensão cultura x natureza participará dessa entrevista também. O tema ambiental será a questão que Viveiros vai dedicar mais intensidade, referênciando-se do seu projeto em conjunto com o Instituto Goethe da Alemanha, em desenvolvimento na Amazônia. vale a pena.

Israel Kamakawiwo’ole – a profundidade músical da alma hawaiana faria aniversário hoje.

Maio 21, 2007

Conversava sobre música com uma amiga a pouco, quando começou a tocar a versão Somewhere Over The Rainbow + What A Wonderful World – clássicos que foram compilados em uma única música pelo gigante Hawaiano Israel Kamakawiwo’ole. A primeira por exemplo, imortalizou-se no filme “O Mágico de OZ” – escutando elas juntas na voz do Israel Kamakawiwo’ole, recordei que a tempos atrás ia fazer um post dedicado ao Hawaiano IZ – já esqueci quantas vezes mandei música dele pela internet para amigos(as). Portanto, já que vou fazer um post, nada mais justo que o faça hoje, mesmo que por coincidência hoje IZ faria 48 anos de idade se fosse vivo (20 de Maio de 1959 — 26 de Junho de 1997). Israel Kamakawiwo’ole foi o músico Hawaiano mais popular em seu estado e fora deste. IZ como era conhecido, imortalizou-se como o grande responsável pelo estilo contemporâneo da música tradicional Havaiana, sem claro perder seus referenciais, elemento esse, que tornava IZ muito popular e admirado no Hawaii – a defesa da cultura de seu povo encontra-se presente em vários de seus hits – como em Ulili E, Wai’alae e Pili Me Ka’u Manu.

IZ faleceu com 38 anos devido aos efeitos que a obesidade mórbida teve sobre a sua saúde. O gigante Hawaiano até hoje é motivo de várias homenagens e lembranças. Essas começaram com o ato de jogar suas cinzas ao mar. Alem de embalar a cultura de um povo, IZ embala ainda muitos sentimentos antigos e novos. Parabéns Israel Kamakawiwo’ole.