Posts de Março, 2007
Chico Buarque – Ai vou euuuuuuu
Março 30, 2007La Marche de L’Empereur
Março 27, 2007
“Começaram a cair as primeiras lágrimas do inveno
Ainda são doces, como as nossa lembranças do mar.
Silêncio.
O amor foi declarado.
O amor foi feito.
Agora, todo povo faz silêncio.”
Citação de “La Marche de L’Empereur” – repetindo
Livro: O Homem Pós-Orgânico
Março 26, 2007
Citação inicial (vermelho) do artista Stelarc no livro, “O Homem Pós-Orgânico – Corpo, Subjetividades e Tecnologias Digitais” da antropóloga Paula Sibilia. Crítica ao campo da tecnologia faústica (a citação é um exemplo faústico), Sibilia provoca nesse livro fenomenal um debate atual e preocupante. Estaríamos deixando de ser humanos, como até então nos entediamos? Estaríamos construindo uma outra natureza para dar conta desses novos seres? Qual é a batalha da tecnociência? Que poderá vir ao fim dessa batalha?
“É hora de se perguntar se um corpo bípede, que respira, com visão binocular e um cérebro de 1.400cm3 é uma forma biológica adequada. Ele não pode dar conta da quantidade, complexidade e qualidade de informação que acumulou; é ilimitado pela precisão, velocidade e poder da tecnologia e está biologicamente mal-equipado para se defrontar com seu novo ambiente. O corpo é uma estrutura nem muito eficiente, nem muito durável. Com freqüência ele funciona mal (…) Agora é momento de reprojetar os humanos, torná-los mais compatíveis com suas máquinas” – Stelarc
Ps – Terminei o livro e estou fazendo um fichamento de dezenas de trechos. Em breve coloco aqui.
Bjos – Lucio Uberdan
Criatividade, Imagem e Política
Março 21, 2007A Web 2.0 brasileira cresce e com qualidade.
Março 20, 2007 
A poucos dias atrás, ainda no velho relatividade comentei sobre os “textos e planilhas” do Google. Nos comentários do post, a Laurinha lembro das inúmeras facetas da nova web 2.0.
Mas, o que é isso afinal web 2.0? “O termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web –tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo.” (Folha Online)
Como experiências da web 2.0, podemos citar o wikipédia, orkut, etc… No Brasil temos experiências muito legais como o Overmundo e o Brasilwiki.
O Brasilwiki – www.brasilwiki.com.br, um site aberto de informação, que permite a qualquer um ser repórter, um neo-repórter. Um neo-crítico de cinema, de gastronomia. Um neo-comentarista de futebol, de política. Um neo-repórter fotográfico, capturando flagrantes do cotidiano. Um neo-cinegrafista. Ou mesmo um neo-repórter de rádio. A essência do modelo está em seu próprio nome: wiki é a abreviatura, em inglês, da frase what I know is… (o que eu sei é…). É o que repórteres fazem, desde a Acta Diurna de Júlio César: contam o que sabem.
Bem, vai lá, cadastre-se (leva menos de ½ minuto) e comece a publicar seus artigos.
Escreva, existe mais gente do que você imagina querendo ler o que você pensa.
Bjos
Lucio Uberdan
A inconstância da Alma Selvagem
Março 19, 2007
Estou convivendo com uma certa felicidade por ter sido apresentado pelo professor Edgar ao livro Inconstância da Alma Selvagem. Livro do Antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro.
Junto agora diariamente a necessária coragem para sua leitura.
Me é complexo ler a trajetória intelectual (coletânea de sua produção) que se encontra nessas 551 páginas, trajetória que envolvem “duas ou três intuições etnográficas que guiam” o pensamento re-arrumado pelo autor na busca de “dizer um pouco melhor o que já disse” anteriormente, e isso não é pouca coisa, mas, também é simples, pois Viveiros é daqueles que sabem lidar com a palavras, uma antropologia filosófica com um tanto de literatura e muita, mas muita criatividade, e ainda assim, uma etnografia incontestável.
A intensidade de ” A inconstância da Alma Selvagem – e outros ensaios de antropologia” encontra-se na idéia o qual eu aprendi com esse mesmo autor em um escrito anterior “O nativo Relativo”: “os problemas são radicalmente diversos” e o “antropólogo não sabe de antemão quais são eles”. Na antropologia de Viveiros, estamos a frente da “arte de determinar os problemas postos por cada cultura, não a de achar soluções para os problemas postos pela nossa”. Deste lado, o nativo antes de ser sujeito e objeto, “é expressão de um mundo possível”, uma “figura de Outrem”. Outrem, é “uma estrutura ou relação, a relação absoluta que determina a ocupação das posições relativas de sujeito e de objeto por personagens concretos”, outrem é o possível, afinal: “(…) ninguém nasce antropólogo, e menos ainda, por curioso que pareça, nativo”.
E mais ainda, agora já na “A inconstância da Alma Selvagem”:
” Esses conceitos são o resultado provisório de um trabalho desde sempre orientado por um desiderato maior: contribuir para uma linguagem analítica à medida (à altura) dos mundos indígenas, o que significa dizer uma linguagem analítica radicada nas linguagens que constituem sinteticamente esses mundos. Sua elaboração envolve forçosamente uma luta com os automatismos intelectuais de nossa tradição, e não menos, e pelas mesmas razões, com os paradigmas descritivos e tipológicos produzidos pela antropologia a partir de outros contextos socioculturais. O objetivo, em poucas palavras, é uma reconstituição da imaginação conceitual indígena nos termos de nossa própria imaginação. Em nossos termos, eu disse – pois não temos outros; mas, e aqui está o ponto, isso deve ser feito de um modo capaz (se tudo “der certo”) de forçar nossa imaginação, e seus termos, a emitir significações completamente outras e inauditas. A antropologia, como se diz às vezes, é uma atividade de tradução; e tradução, como se diz sempre, é traição. Sem dúvida; tudo está, porém, em saber quem se vai trair. Espero que minha escolha tenha ficado clara. Quanto a saber se a traição foi eficaz, eis aí uma questão que não me cabe responder.”
É a partir daqui, bem acompanhado, mas de certa maneira me sentindo só, com apoio em papel da caminhada de Viveiros aos mundos indígenas, caminho eu, ainda muito desajeitado, para pensar os mundos virtuais existentes no ciberespaço, esses outro(s) mundo(s) possível(eis), com suas figuras, expressões e linguagens de outrem.
Lucio Uberdan


