-Oi.
-Oi.
-Vou tomar um banho.
-Tá.
Por longos minutos, o silêncio foi interrompido pelo cair da água do chuveiro. Meus olhos revolviam tudo pelo quarto, esse, refletia a bagunça que vinha do pátio. Um guarda roupa popular de compensado com 6 portas e umas 4 gavetas fazia uma enorme ginástica para ficar todo aberto, tinha roupa por todo o lado e uma cama semanalmente desarrumada, ainda assim, a sensação de limpeza era grande. Minha curiosidade restringiu-se a poucos passos e esse olhar meticuloso.
Estava no lado de fora agora, apesar da desorganização ser marcante, a sensação de limpeza renovava-se. A direita tinha um colchão no chão, colchão tipo meio casal, deitei nele e inspecionei com os olhos o pátio, agora de maneira mais discreta, o chuveiro silenciou.
Surge uma criança, parece feliz por me ver, se joga em minha direção, abraço ela, dou um oi e um beijo, ela desaparece. Surge agora três cachorros, todos pretos, peludos e diferentes entre si, um dos cachorros se aproxima, era o menor, ele também parece de certa maneira feliz em me ver, encosta-se, estendo a mão para acaricia-lo, ele me da a pata, as gemas de seus dedinhos bem como a palma de sua pata eram uma coisa só, fico acariciando-a e ele ficando sonolento.
Ela surge, compõem a imagem agora “entrando” no pátio, parece que ainda busca o sol para seus cabelos molhados, cuida bastante para não me olhar, vem na direção do colchão falando com o cãozinho de maneira carinhosa, pede para que saia do meu lado e vá para perto de meus pés. – Vai, vai para perto dos pés do “tio”. Ela diz.
Deita ao meu lado, já estamos deitados, ela encostada em mim, ambos de costas, me viro, posso ver a luz refletindo em seus cabelos escuros agora já secos, sinto o perfume dela e do cabelo (a única sensação real até então). Ela dormi ali encostada em mim. E eu, sigo velando seu sono. Acordei.
*registro fiel de meu sonho agora pela manhã – 15/02
Lucio Uberdan

