Agora no Ano Novo vou viajar com amigos, vamos passar uns 4 ou 5 dias em Punta Del Diablo no Uruguay, mais precisamente em Rocamar. Vou todo atravessado (doente) rsrsrssr, azar.
Um beijo ao 5 amigas(os) e até a volta.
Lucio Uberdan
Lucio Uberdan
Os hábitos alimentares, foram uma das primeiras prática estudadas pelos culturalistas antigos. Esse estudo não foi de graça, pois na alimentação, torna-se claro, símbolos, práticas e relações sociais de uma sociedade em particular. Mas na contemporaneidade isso funciona bem ainda? Como resolvemos a situação, por exemplo, do meu prato hoje ao meio dia do dia de Natal?
Tem churrasco (Gaúcho), Tabule (Sírio), Feijão Tropeiro (Mineiro) e salada gelada de frutas com creme.
Quando todas as culturas se atravessam, poderíamos imaginar que a globalização consolida-se, porém, é quando temos um leque de possibilidades infinitamente amplo e próximo, que o particular ressurge e mantém-se com mais força ainda.
Olhando meu prato com o Tabule e o feijão tropeiro, recordei-me das “pressões por autonomia local” tão bem colocadas por Giddens no livro “Mundo em Descontrole” (vale a pena ler).
Tive a honra de ler Giddens, nas aulas do prof. Gugliano. Por sinal, o Gugliano está no Jornal Diário Popular de ontem/hoje, 2 páginas inteiras sobre o o processo eleitoral Venezuelano o qual o professor foi observador internacional – Que orgulho.
Lucio Uberdan
Em visita ao Pelourinho – Salvador/BA, nesse mês de Dezembro, encaixou-se algumas idéias que tenho sobre a pós-modernidade. Bem como à crítica feita pelos modernos, principalmente na política.
Geralmente quando surge alguma movimentação política espontânea, que está desconectada dos modelos de luta política tradicional e que na maioria das vezes desaparecem assim como apareceram (instantaneamente), ou até mesmo, quando o chamado lixo moderno invade as casas, corpos, bocas e mentes dos modernos, seja na violência sem medida e gratuita de jovens ricos contra índios e nordestinos ou na prostituição forçada de crianças nas esquinas (quem nunca viu?!); Seja nos acoplamentos tecnológicos simples, como celulares a mão (a extensão dela), cameras, pen-drives, silicones, próteses, células tronco e a nano-tecnologia com sua promessa de pós-humanos curados de sua fraqueza humana, curados de seu corpo; Na Mac-alimentação transgênica e gordurosa, remédios e rações alimentares com suas promessas de corpos “modernos perfeitos”.
Em suma, cada vez que os modernos deparam-se com o que “parece” não encaixar-se na natureza e na cultura moderna, os críticos dizem, isso é coisa dos pós-modernos.
Não defendo a sociedade pós-moderna como um ideal (seria moderno demais isso – a busca de uma sociedade globalizada), mas sim, compreendo a existência do andar constante e ascendente de sombras e carnes pós-modernas na sociedade contemporânea. Aceitou sua existência. E essas são posições totalmente diferentes. O que não parece encaixar-se (para os modernos), podemos pensar sim, como produto atrelado a modernidade. Uma criatura que volta-se contra o criador.
Aceitando a pós-modernidade, tenho a possibilidade de compreender o mundo atual sobre um ângulo diferenciado (e amplo). Percebo a pós-modernidade como um interregno, uma situação o qual aceito como viva mesmo que em estado de decomposição do corpo moderno. Uma Post-Modernidade. Uma repulsão do corpo (da sociedade) de seus vírus e doenças (promessas modernas de sociedades perfeitas). Somos resultados de uma situação de descrédito com os ideais modernos (são “n” ideais) que prometeram um mundo (perfeito) e nos apresentaram a barbárie.
Portanto, ao aceita-la, posso combatê-la com potência. Estou nela, sinto ela, sou visto como um membro, sou aceito. Sou pós-moderno.
Os críticos sonham em combatê-la, mas nem a entendem. Em suas cruzadas, acabam apenas por propor a sustentação da modernidade e suas razões iluminadoras que segundo a segundo promovem o aprofundamento da morte, do desconforto e da fome. Conseguem apenas olhar para trás.
Por fim, aprofundam a ascendência da própria “situação pós-moderna”.
A contradição explicitada.
Lucio Uberdan
Foto de um estabelecimento de Pelotas. Já teve um luminoso em funcionamento nessa prestação de serviço.
(…) hoje somente uma política do trabalho, das novas forças produtivas vivas é capaz de qualificar um projeto de emancipação. Por esta razão, a organização e dinâmica (…) do trabalho dos movimentos deve ser situado como novo ponto de partida para pensar o desenvolvimento.
Antonio Negri
Filosofo e Cientista Social Italiano.
* citação do livro – (G)lobal – Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada
Lucio Uberdan