Comentei num post ontem que falaria mais de mim daqui para frente, com os devidos limites claro, afinal não sou nenhuma June Houston. Comentei ontem que sempre dou uma lida antes de dormir, e a bola da vez ontem (a noite) era Paul Virilio. Agora em casa desperto, escutando no Listen o mestre Ali Farka Toure – CD The River, recordei de fazer esse rápido comentário, não do sono, mas do artigo.
Paul Virilio é um crítico das novas tecnologias e sua virtualidade, arquiteto e filosofo. No artigo em questão a fala inicial é sobre June Houston, americana que por medo (paranóia/exibicionismo) de espíritos, instalou 14 câmeras em sua residência para que milhares de pessoas pelo mundo acompanham sua lida diária e caso vejam um espírito, biiiiiiiii, avisam June na hora (alguns internautas mandam extensos relatórios semanais).
“(…) não se trata mais de prevenir contra uma intrusão criminosa, mas de partilhar suas angústias, seus fantasmas com toda uma rede (…)”
Aprofundando a “teleproximidade social (…) renovando a vizinhança, a unidade de tempo e o lugar de coabitação física”. Virilio comenta no artigo, que a questão encontra-se na televisão, numa “nova televisão”, não mais para informar e divertir através de uma “trans-aparência mídiatica do espaço real” (ficção das novelas, bom exemplo). O que está em jogo agora não é esconder o real através de uma imitação, mas sim, tornar as pessoas e seu espaço “potencialmente comunicante”. Através da “iluminação do tempo real” podemos finalmente enxergar os antigos cantos invisíveis do desejo de super exposição (o blog é entra nisso? ).
No mercado global, a superexposição das atividades, empresas, produtos, sociedades, reservou espaço para não mais populações alvos, mas exposição dos indivíduos (me lembra o EPIC – Construção de Informação Personalizada Envolvente da Google) – sistema pelo qual nossa caótica e difusa mídia será filtrada, ordenada e entregue. Mas, voltando a virilio e a superexposição, afirma ele conceitos como a “publicidade comparativa” e o “comércio do visível”, depois que a eletricidade nos iluminar o séc XX, o “instante” nos iluminará o séc XXI. No restante do artigo segue o filosofo trabalhando o comércio da visão e seus tentáculos que vão desde a francesa Pick-up até a Kroll e a Control Risk. É isso, se queres saber mais, da uma lida, é muito interessante.
Lucio Uberdan

