Posts de Setembro, 2006

Os Fáusticos.

Setembro 28, 2006

No [Alfarrábio] Esse post vem direto do Joelhasso, do Izquierdo.

Eu ia só colocar o link, mas tem que ser ipsis literis. Marcelo Bohrer é o designer e Daniel Quevedo o Produtor Digital da Visgo. Design CyberOrgânico para a e-generation, pregando a harmonia da natureza com a tecnologia. “Na opinião do filósofo alemão Peter Sloterdijk, neste exato momento estamos passando pela quebra de mais uma barreira metafísica: a diferença entre organismo e máquina. De fato, atualmente os conceitos do que é ‘orgânico’ e ‘mecânico’ têm se interpenetrado e confundido com muita freqüência. Fala-se de chips de computador orgânicos, de informação armazenada em enzimas, órgãos artificiais e clonagem de seres humanos. No último filme do David Croneberg, ‘ExistenZ’, seres humanos participam e um jogo de realidade virtual onde organismos e máquinas fundem-se numa coisa só. Foi vislumbrando essa tendência há certo tempo que teve início a VISGO, cuja proposta é oferecer uma linha de produtos, acessórios e artigos de moda orientados a esta nova cultura. Baseado neste novo paradigma de fusão entre o orgânico e o mecânico, entre a Natureza e tecnologia, Marcelo Bohrer criou o conceito CYBERORGANICO, que é a expressão estética dessa realidade. Marcelo Bohrer acredita que neste próximo milênio surgirá um novo tipo de indivíduo que abandonará os velhos paradigmas e romperá com o arcaico homo sapiens. Sua meta será viver com beleza, aperfeiçoamento espiritual e a comunhão com o cosmos. Viverá em harmonia com a natureza, em paz com todos os seres vivos e terá tremendo respeito pela vida. Os olhos destes indivíduos refletirão sua beleza interior.”

Respondi:
Essa tradição fáustica da tecnologia, em busca de uma cultura, um não-orgânico e, inevitavelmente uma natureza não orgânica é um tanto perigosa, à tradição prometéica frente a tecnologia, nos ajudou a conviver em sociedades totalitárias e não democráticas, onde o avanço da técnica seria a compreensão necessária para a constituição de humanos capazes de vislumbrar seu futuro em sociedade. Mas foi as fáustica, que nos propôs em última instância, o nazismo por exemplo, que com a idéia de que “surgirá um novo tipo de indivíduo que abandonará os velhos paradigmas e romperá com o arcaico homo sapiens”, sem a discussão da ética, nos possibilitou experimentarmos o genocídio em prol da constituição de uma raça superior. Interessante, perigoso.

Um dos erros de toda a oposição.

Setembro 25, 2006

No toda a mídia da folha hoje: 25/09/2006 – Regressão.
Da coluna de Fernando de Barros e Silva (assinantes Folha e UOL):

Lula radicaliza na direção do messianismo, cria para si fantasias de onipotência, flerta a sério com sandices. Mas não está só na sua regressão. Alckmin, desde sempre um candidato do PFL alojado no PSDB, se revelou um vazio de idéias cercado de gente e referências da província. Movida a ressentimentos, Heloísa é não-alternativa de poder. É bom que exista como candidata e ótimo que não tenha chances. E Cristovam errou: tem plataforma de deputado federal. Sem querer, o TSE acertou ao associar o eleitor a um avestruz.

Respondi:
Suas avaliações, tentam passar a idéia de que LULA está, onde está, pelo fato de enfrentar péssimos adversários. Nessa avaliação todos tem um defeito grave e, portanto, nenhum conseguiria fazer “frente” a LULA. Esse é o grande erro dessa eleição (pela oposição), ou seja, seu “pecado original” é, não perceber o tamanho e a força que tornou-se LULA. Se estes candidatos acabam-se realizando em farsas, se materializando em “objetos ridículos” é, por um único motivo, “enfrentam alguem muito forte”. A pergunta seria: Como a grande mídia e a direita conservadora do Brasil, mesmo com tantas boas alternativas políticas, desde a direita (Geraldo) do centro (Cristóvam) e do esquerdismo (Heloísa) não consegue fazer frente a um único homem? (que dizem estar até isolado). Essa é a pergunta (muda) e, o erro da oposição (todas as matizes). O ponto de referência para a medida, seria a força de LULA, não uma suposta fraqueza do resto, por isso as matizes (perdizes) ainda não entenderam nada.

Q. o caçador de hereges [Luther Blisset]

Setembro 24, 2006

Q. o caçador de hereges [Luther Blisset] trecho do cap. 3

“…Deslizo atrás dele, encostado nas árvores, até ouvir o fluido na relva. Empunho a adaga. Como Elias me ensinou: uma mão diante da boca, sem nunca conceder-se um tempo para hesitar. Corto-lhe a garganta, antes que ele possa perceber o que acontece. Antes que até eu possa perceber. Um simples borbulho sufocado e cospe o sangue e a alma entre os meus dedos. Freio o seu tombo.
Nunca havia matado um homem.
Solto o cinto e pego a sacola, tiro-lhe o casaco e as calças, enrolo tudo em sua capa. Então vou embora, sem correr, sem ruídos, um braço à frente para proteger o meu rosto das moitas e dos ramos. Nas mãos, o mesmo cheiro de sangue da planície, de Frankenhausen.
Nunca havia matado um homem.
Cabeças saltando, gente orando ajoelhada, Elias, Magister Thomas reduzido a larva…
Nunca havia matado um homem.
Paro, na mais completa escuridão, as vozes mal se ouvem. A espada empunhada.
Tenho que fazer isso.
Escancarar a boca do inferno àqueles bastardos.
Volto, um passo após o outro. As vozes são mais altas, mais próximas, solto o fardo e a sacola, dois, em largas passadas, são dois, não conceder-se o tempo para hesitar…”

Carnaval/Canibal – Jean Baudrillard

Setembro 21, 2006

Carnaval/Canibal – Jean Baudrillard
*perfeito, fragmento do texto [Carnaval/Canibal] do Baudrillard para o “Seminário – Metamorfoses da Cultura Contemporânea” em Poa, ano passado.

Segundo a famosa fórmula de Marx sobre a história que se faz primeiro como acontecimento autêntico, para depois se repetir como farsa, pode-se conceber a modernidade como a aventura inicial do Ocidente europeu e, depois, como uma imensa farsa que se repete em escala planetária, sob todas as latitudes para onde se exportam os valores ocidentais (técnicos, econômicos, políticos ou religiosos). Esta “carnavalização” passa pelos estágios históricos da evangelização, da colonização, da descolonização e da globalização. O que se nota menos é o fato de que essa hegemonia, essa apropriação de uma ordem mundial cujos modelos não apenas técnicos e militares, mas também culturais e ideológicos parecem irresistíveis, vem acompanhada por uma reversão na qual essa potência é lentamente minada, devorada, “canibalizada” justamente por aqueles que ela carnavaliza.

O cotidiano – Por José de Souza Martins

Setembro 19, 2006

“Se a vida de todo o dia se tornou o refúgio dos céticos, tornou-se igualmente o ponto de referência das novas esperanças da sociedade. O novo herói da vida é o homem comum imerso no cotidiano. É que no pequeno mundo de todos os dias está também o tempo e o lugar da eficácia das vontades individuais, daquilo que faz a força da sociedade civil, dos movimentos sociais.” José de Souza Martins.

ô semana.

Setembro 16, 2006

Ai que semana essa. Parece que nem acabou, correria no trabalho, final de semestre na faculdade (indo aos trancos). Campanha no final…e tudo mais… ai ai ai…. Pouco tempo para ler, quase nenhum para escutar música…. escrever então…quase nada, mas bem, passou a correria, começar a atualizar novamente.