Posts de Agosto, 2006

Corpo e virtual.

Agosto 27, 2006

“(…)as novas tecnologias são exterminadoras dos corpos não apenas através do desemprego, da miséria, mas também da referência à corporalidade, isto é, à própria teatralidade”. Paul Virilio.

Estamos à frente de uma nova condição de experimentarmos nosso contato corporal com o mundo. Com as novas tecnologias, em especial a Internet e seu modelo de virtualidade (ciberespaço) participativa, terminam as distâncias reais, como o tempo e o espaço geográfico, por uma distância virtual. O tempo é revisto pelo instante, encurtando quase ao máximo as convenções anteriores, dando seqüência a um processo de degradação temporal em ritmo acelerado. A condição geográfica fica quase inexistente, os avatares voam e nossas fronteiras nacionais fundem-se. A única barreira é a “linguagem”, que já começa a ser transposta. Através do instante, o ciberespaço fornece a última necessária ferramenta para a mundialização do capital e sua financeirização, mesmo com o humano por trás. Suas sombras já são constituídas de um sistema não-orgânico, de inteligência artificial, por executivos ciborgues, com seus notebooks e celulares, humanamente descontrolados (um debate para mais adiante) – Lucio Uberdan.

Saudades (e arrependimentos)

Agosto 25, 2006

Sinto tantas saudades (e falta) de pessoas que voltam (alguns não mais). Por vezes acabo por me agarrar na saudade de alguns para compensar a de todos – na foto Lara AQUI, minha linda sobrinha que mora na Bahia – Lucio Uberdan.

O Barão Münchhausen (Alemanha – 1720-1797) Diário Popular 23/09/2006

Agosto 23, 2006

Meu artigo em resposta ao “Marxismo e criminalidade” já citado aqui no blog – Lucio Uberdan.

O Barão Münchhausen (Alemanha – 1720-1797)

http://www.diariopopular.com.br/23_08_06/artigo.html

O Barão conhecido como “barão das mentiras” ficou famoso por suas histórias. Certa vez, o mesmo encontrava-se atolado em um pântano, montado no seu cavalo. Afundando, olhou para ambos os lados e, não vendo ninguém para ajudá-lo, teve a idéia de agarrar seus próprios cabelos e puxá-los para cima. Desta maneira, saiu da lama e retirou, também, seu cavalo, preso entre suas pernas.

Lendo, dias atrás, o artigo “Marxismo e a criminalidade”, na coluna Ponto de Vista, senti como se ouvisse o Barão narrando essa história fantástica. Quando o artigo tenta passar a idéia de que a solução para a insegurança pública passa pela diminuição da incidência do pensamento marxista na sociedade, acaba por recorrer ao mesmo artifício de Münchhausen: tratar um problema complexo com uma idéia que não ficaria em pé frente a uma aferição científica.

O artigo citado aborda dois temas: a criminalidade e o marxismo. Por responsabilidade frente à complexidade do tema, não irei comentar acerca da criminalidade, dedicando-me apenas ao Marxismo de Marx, a partir de três considerações mal colocadas no artigo: a razão para combater o marxismo, a irrelevância das classes sociais e o mal do marxismo.

A razão assume importância dentro da baixa Idade Média, chegando à hegemonia com as revoluções burguesas, no meio do século XVIII, alterando a Monarquia pela República, o Feudalismo pelo Capitalismo, o Obscurantismo pelo Iluminismo, consolidando a era Moderna que se funda sobre o racionalismo, portanto, em última análise, “nossa compreensão moderna de mundo é produto das transformações revolucionárias, dirigidas pela burguesia e seus industriais, contra a Monarquia e a ordem social subtendida”.

O método de Marx e Engels, o “materialismo histórico”, é produto da melhor compreensão científica e crítica dessa época de transformações sociais, da expansão e consolidação do modo de produção capitalista.

As classes sociais e as lutas de classe são formuladas, primeiramente, pela historiografia francesa, no início do século XIX, sendo vistas como “motor” da história, como no caso das revoluções burguesas. Já era claro, na historiografia clássica, que não são “os grandes homens que fazem a história”, mas que esta é resultado do conflito de numerosos indivíduos, divididos entre ricos e pobres, pensamento esse que já estava presente no grego Tucídides e na historiografia sociológica islâmica de Al-biruni e Ibn-Khaldoun. Marx atualiza e aprimora o conceito de classe social e seu conflito interno no modelo de produção capitalista.

O marxismo não surge, portanto, naturalmente. Ele é a unidade crítica do movimento emancipatório real, carregada de elementos científicos da filosofia alemã, historiografia francesa e economia inglesa. Se podemos dizer, em última análise, que é a existência social que determina a consciência, e não o inverso, Marx revolucionou. Virou de cabeça para baixo a filosofia idealista, em prol de uma dialética materialista não dogmática. Isto aconteceu por ter percebido o antagonismo que se desenvolve no modelo de produção capitalista, onde um (capitalista) detém o capital e outro (trabalhador) somente a força de trabalho para vender, onde o primeiro goza da riqueza produzida pela força do segundo, onde um acumula riqueza e uma grande maioria acumula pobreza, chegando ao inevitável limite máximo: o desemprego, quando nem a força de trabalho consegue mais vender.

O Mal do Marxismo, e motivo pelo qual é atacado constantemente, reside na sua qualidade de conhecimento complexo, que articula o prático e o teórico, comprovando o antagonismo que separa ricos e pobres, na sociedade capitalista. De comprovação científica, mantém-se vivo, dialético e em atualização há mais de 150 anos, pois, enquanto existir alguma forma de capitalismo, sem dúvida alguma forma de marxismo estará viva e gozando de boa saúde.

Q O caçador de hereges – Luther Blissett

Agosto 21, 2006

A poucos dias comecei a ler o livro “Q o caçador de hereges”, desde o primeiro dia que ouvi falar do livro e do autor fiquei com muita vontade de ler, na realidade Luther Blissett é um grupo que escreve junto e não uma pessoa apenas. O livro conta todo processo de revolta, intrigas, debates e acontecimentos no “xadrez” das reformas acontecidas na idade média, um misto de romance, ficção e muita pesquisa histórica, com mais 600 pag. é uma pressão desde o inicio, uma leitura gostosa que não dá vontade de parar. Abaixo uma das dezenas de cartas que curti. – Lucio Uberdan

Olheiro de Carafa(1521) – Carta enviada a Roma da cidade de Worms, sede da Dieta imperial, endereçada a Gianpietro Carafa, datada de 14 de maio de 1521.

Ao ilustríssimo e reverendíssimo senhor e patrão honradíssimo Giovanni Pietro Carafa, em Roma.
Ilustríssimo e reverendíssimo senhor e patrão meu honradíssimo.

Escrevo a Vossa Senhoria a respeito de um acontecimento gravíssimo e misterioso: Martin Lutero foi raptado há dois dias enquanto retornava a Wittenberg com salvo-conduto imperial.

Quando V.S. me encarregou de seguir o monge à Dieta imperial de Worms, não mencionou nenhum plano desse gênero; permaneço ansioso no aguardo de notícias, caso exista algo que tenha sido subtraído da minha atenção e de que eu deveria tomar conhecimento. Se, como creio, as minhas informações não eram incompletas, posso então afirmar que uma ameaça obscura e gravíssima paira sobre a Alemanha. Considero portanto essencial comunicar a V.S. quais foram os movimentos de Lutero e ao redor dele, nos dias da Dieta, e qual foi o comportamento do senhor dele, o Príncipe Frederico, Eleitor de Saxônia.

Na terça-feira 16 de abril, hora do almoço, a guarda da cidade instalada na torre da catedral sinalizou a som de trombeta, como de costume, a chegada de um hóspede de respeito. A notícia da chegada do monge já havia sido difundida na parte da manhã e muitas pessoas dirigiram-se ao seu encontro. O seu modesto veículo, seguindo o arauto imperial, era acompanhado de uma centena de pessoas a cavalo. O povo, aglomerado na rua, impedia que o cortejo avançasse rapidamente. Antes de entrar na albergaria Johanniterhof entre as alas do povo, Lutero olhou ao redor feito possesso, gritando “Deus será por mim”. A pouca distância, na albergaria do Cisne, estava hospedado o Príncipe Eleitor de Saxônia com o seu séquito. Desde as primeiras horas da sua chegada, começou uma vaivém da pequena nobreza, aldeões e magistrados, mas nenhum dos personagens mais importantes da Dieta tencionou comprometer-se visivelmente com o monge. Exceto o jovem langrave Felipe d’Assia, que submeteu a Lutero leves questões concernentes os hábitos sexuais na Babilonica, recebendo deste uma severa repreensão. O próprio Frederico o viu somente nas sessões públicas.

Aliás, não foram as sessões públicas de 17 e 18 de abril o palco das verdadeiras atividades, mas sim as conversações particulares e alguns episódios da permanência de Lutero em Worms. Como Vossa Senhoria já deve ter conhecimento, apesar da aversão que o jovem Imperador Carlos nutre pelo monge e as suas teses, a Dieta não conseguiu que se retratasse, nem tomou as devidas providências antes dos acontecimentos. Isto por causa das manobras habilmente orquestradas por alguns sustentadores de Lutero, entre os quais considero possível incluir o Eleitor de Saxônia, ainda que sem uma certeza absoluta, por causa do caráter subterrâneo e obscuro de tais manobras

- Na manhã de 19 de abril, o Imperador Carlos V convocou os eleitores e os príncipes para pedir uma tomada de decisão sobre Lutero, manifestando aos mesmos a própria amargura por não ter agido energicamente contra o monge rebelde desde já. O Imperador confirmou o salvo-conduto imperial de vinte e um dias, com a condição que o frade não pregasse durante a viagem de retorno a Wittenberg. Na tarde do mesmo dia, os príncipes e os eleitores foram convocados para deliberar sobre o pedido imperial. A condenação de Lutero foi aprovada por quatro votos sobre seis. O Eleitor da Saxônia certamente votou contra, e esta foi a sua primeira e única manifestação aberta em favor de Lutero.

- Na noite do dia 20 foram porém afixados, por desconhecidos, em Worms dois panfletos: o primeiro continha ameaças contra Lutero; o segundo declarava que 400 nobres haviam-se empenhado, sob juramento, em não abandonar o “justo Lutero” e a declarar a própria inimizade aos príncipes e aos romanistas e, acima de tudo, ao arcebispo de Mogúncia.

Este acontecimento deitou sobre a Dieta a sombra de uma guerra religiosa e de um partido luterano pronto para insurgir. O arcebispo de Mogúncia, assustado, pediu e obteve do Imperador a permissão para rever toda a questão, a fim de não rachar a Alemanha em dois e oferecer o ensejo de uma revolta. Quem quer que tenha afixado aqueles panfletos, alcançou o êxito de prorrogar a causa por alguns dias e de difundir temor e circunspeção quanto à eventual condenação de Lutero.

- Nos dias 23 e 24, portanto, Lutero foi examinado por uma comissão nomeada pelo Imperador para a oportunidade e, como V.S. já deve estar ciente, continuou recusando a proposta de uma retratação. Não obstante, o seu colega de Wittenberg que o havia acompanhado à Dieta, Amsdorf, espalhou a notícia que era iminente um acordo conciliatório entre Lutero, a Santa Sé e o Imperador. Por que, senhor meu ilustríssimo? Creio, ainda, por sugestão do Eleitor Frederico, para ganhar outro tempo.

- Assim, entre o dia 23 e o 24, houve grande alternância de mediadores para recompor a ruptura entre Lutero e a Santa Sé, representada aqui em Worms pelo arcebispo de Trier.

- No dia 25 houve um encontro particular, sem testemunhas, entre Lutero e o arcebispo de Trier que, como era previsível, frustrou toda a diplomacia dos dois dias anteriores. Lutero, particularmente, como já havia declarado durante as sessões da Dieta diante do Imperador, recusou-se “por consciência” a retratar as próprias teses. Ficou portanto sancionada uma ruptura irreparável e definitiva. Naquelas horas, pelas ruas da cidade, corriam vozes de uma iminente detenção de Lutero.

- Na noite do mesmo dia, foram vistos dois vultos envolvidos em capas dirigindo-se ao quarto de Lutero. O albergueiro reconheceu-os como sendo Feilitzsch e Thun, os conselheiros do Príncipe Eleitor Frederico. O que houve durante aquele encontro noturno? V.S. poderá talvez encontrar a resposta nos acontecimentos dos dias sucessivos.

- Na manhã do dia seguinte, 26, Lutero deixou sem alarde a cidade de Worms, com uma pequena escolta de nobres simpatizantes. No outro dia estava em Frankfurt; em 28 em Friedberg. Aqui, ele convenceu o arauto a deixá-lo prosseguir sozinho. Em 3 de maio Lutero abandonou a estrada principal, continuando pelas vias secundárias, alegando como motivo da mudança de itinerário uma visita a seus parentes, perto da cidade de Möhra. Induziu também os seus companheiros de viagem a prosseguir diretamente em outra carroça. As testemunhas dizem que, ao retomar a viagem em Möhra, estava sozinho no veículo, com Amsdorf e o colega Petzenstein. Após algumas horas, a carroça foi bloqueada por alguns homens a cavalo, que perguntaram ao condutor quem era Lutero e, reconhecendo-o, tomaram-no pela força e o arrastaram embora pelo mato.

- Para Vossa Senhoria resultará evidente que não é possível deixar de ver Frederico, o Eleitor da Saxônia, atrás de toda essa maquinação. Mas, caso V.S. tenha o zelo de não querer chegar a uma conclusão demasiadamente precipitada, permito-me apresentar-lhe alguns quesitos. Quem tinha interesse em retardar a condenação de Lutero, mantendo a diatribe em aberto? E, consequentemente, quem, para retardar a sentença, tinha interesse em atemorizar com a ameaça de um partido de cavaleiros prontos para defender o monge com a espada, contra o Imperador e o Papa? Finalmente, quem tinha interesse em colocar Lutero a salvo encenando um rapto, sem revelar-se abertamente e sem comprometer-se diante do Imperador?

Tenho o atrevimento de acreditar que V.S. também chegará à mesma conclusão do seu servidor. Respira-se um ar de batalha, meu senhor, e a fama de Lutero cresce a cada dia. A notícia do seu rapto desencadeou pânico e agitação indescritíveis. Mesmo os que não partilham de suas teses, reconhecem-no como uma voz prestigiosa da reforma da Igreja. Uma grande guerra religiosa está prestes a desencadear-se. As sementes que Lutero espalhou, arrebatado pelo ímpeto da convicção, já vão dar os seus frutos. Discípulos ansiosos para passar à ação preparam-se para extrair, com intrépida lógica, as conseqüências dos próprios pensamentos. Se a sinceridade é uma virtude, Vossa Senhoria me permitirá talvez afirmar que os protetores de Lutero já atingiram o objetivo de transformar o monge em uma máquina de guerra contra a Santa Sé, organizando ao seu redor um amplo séqüito. E agora, estão somente aguardando o momento mais oportuno para instaurar a batalha em campo aberto.

Nada mais tenho a dizer, a não ser que beijo as mãos de V.S., a quem de todo coração me recomendo.

Worms, no dia 14 de maio de 1521

o fiel observador de Vossa Senhoria Ilustríssima

Q.

Caixa II

Agosto 20, 2006

Caixa II (Lucio Uberdan)

Os ursos dormem,
São estranhos, diferentes, mas são ursos.
Bonitos ursos.

Andei no meio deles,
Estão comigo aqui na caixa,
Tranqüilos em sua liberdade.

Não vou fazer barulho por eles,
Melhor o silêncio.
Para não imaginarem junto comigo.

Marxismo e a criminalidade (um bom título se o texto fosse qualificado) – Diário Popular – 17 Agosto

Agosto 18, 2006

Marxismo e a criminalidade (um bom título se o texto fosse qualificado)
Diário Popular – 17 agosto (preto) minha PRIMEIRA contribuição sobre esse artigo (Itálico e negrito)

O surgimento de eventuais viroses culturais no meio acadêmico é da própria natureza das instituições voltadas ao conhecimento (cabe ao conhecimento acadêmico de certa maneira, contaminar-se pelas idéias de uma época, isso é plausível, aceitável e louvável, pois, a partir dessa “contaminação” irá se comprovar a necessidade e importância de uma “idéia de época” ou virose como fala o autor). A abertura da mente faculta o ingresso de quaisquer idéias e cabe à razão (marxismo é não uma idéia, mas sim método que articula dois movimentos, o teórico e o prático e sua tensão e relação, nesse método a analise das classes sociais é essencial, bem como o momento histórico em questão, o mesmo (Marxismo) é perpassado sempre pelos princípios da “razão”, em certo ponto o Marxismo é produto e elemento também do Iluminismo) pôr em operação os mecanismos capazes de separar o joio do trigo (o “joio do trigo” nada mais é que um simples exemplo da luta de classe falada por Marx e simplificada erroneamente no atual artigo, pois a decisão do que é joio e do que é trigo, pode exemplificar a sobreposição (imposição) do pensamento de uma classe sobre outra). Isso é normal e sempre foi assim, desde a Idade Média, quando as academias nasceram em berço católico (as academias = faculdades nasceram na Idade Média Central sec. XI, XII e XIII, momento de ápice do tripé da Idade Média – Feudalismo, Monarquia e Obscurantismo, portanto a “razão” citada pela escritor está mal colocada temporalmente).

No entanto, o que acontece no Brasil em relação ao marxismo se distingue da infecção eventual, que contamina aqui e ali. O que temos é resultado de um deliberado ataque bacteriológico, voltado ao extermínio (“extermínio”, palavra jogada ao vento literalmente) e agindo sobre o próprio órgão cerebral capaz de produzir a seleção entre o certo e o errado. Através da universidade, a letal agressão atingiu seminários, comunicação social, pessoal recrutado para as atividades da administração e do estado e produz danos em todos os espaços da vida social.
Um deles diz respeito à segurança pública. Na leitura mentalmente enferma do marxismo, a pobreza é causada pela riqueza e a criminalidade é produto do conflito entre as classes sociais (primeira vez que ele teve um lapso, mas apenas um “lapso” de clareza, pois a frase é muito incompleta ainda). No momento em que o mal do marxismo se instala na mente humana, o portador da enfermidade começa a delirar e passa a afirmar que o bandido é vítima e a bradar que, no fundo, a vítima é o verdadeiro agressor. O ato criminoso se torna, assim, incontornável feito justiceiro e evidência das contradições do “sistema”. Não há mais o mal nem o bem em si mesmos. Tudo se torna relativo, a depender do lado onde se esteja. O único absoluto é a luta de classes, critério de juízo e chave de leitura de quaisquer acontecimentos, do estupro ao mensalão, passando pelo roubo de cargas e pelo refino de cocaína (nesse parágrafo fica claro que um desejo enorme de “comentar” e “combater” o Marxismo, sem nunca ter lido Marx).
A moral evidentemente desaba e, com ela, a ordem pública. Os criminosos merecem mais zelos, atenções e garantias do que suas vítimas. As leis penais perdem três elementos determinantes de sua eficácia – o desestimulo ao crime, a punição do ato criminoso e o isolamento dos indivíduos perigosos – sob a prevalência de uma “justiça piedosa” que outra coisa não é senão a falência da própria Justiça.
Todo esse cenário, que bem conhecemos, só poderá ser modificado se e quando o vírus da análise marxista reduzir sua atividade determinante (Marxismo a causa da desordem pública? da insegurança pública? da falência da justiça? uma contradição e simplismo total). Se e quando abrandar a influência do “politicamente correto” (Marxismo e o políticamente correto são questões totalmente diferentes) como forma de dominação intelectual. Se e quando a febre ceder no próprio espaço onde ele se instalou: o espaço dos fazedores de cabeça (no inicio do artigo defende que a academia traga a razão, ou seja “faça a cabeça”, mais uma contradição).